Sebenta · Atuar em situações de emergência em hotelaria e restauração (UC00054)
- Introdução
- 1. Situações de emergência em hotelaria e restauração
- 2. O Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM)
- 3. Protocolos de atuação em situações de emergência
- 4. Segurança do local, da vítima e do socorrista
- 5. Socorro à vítima — exame primário e exame secundário
- 6. Cadeia de sobrevivência
- 7. Algoritmo de Suporte Básico de Vida (SBV) — adulto
- 8. SBV pediátrico, PLS e desobstrução da via aérea
- 9. Suporte Básico de Vida com DAE (SBV-DAE)
- 10. Primeiros socorros em doença súbita e acidente
- Erros comuns
- Glossário
- Síntese
- Exercícios resolvidos
Introdução
Um hotel ou um restaurante junta muita gente, muito movimento e muitos riscos: superfícies a arder, óleo a ferver, facas, gás, eletricidade, chão molhado, escadas, piscinas — e clientes de todas as idades e estados de saúde. Mais cedo ou mais tarde, quem trabalha neste setor vai encontrar-se perante uma situação de emergência: alguém que se engasga à mesa, um colega que se queima na cozinha, um hóspede que desmaia na receção, um princípio de incêndio numa fritadeira. Nesses segundos, a diferença entre um susto e uma tragédia é, muitas vezes, saber o que fazer.
Esta sebenta ensina-te precisamente isso: a manter a calma, garantir a segurança, dar o alerta e prestar os primeiros socorros até chegar quem tem formação avançada. Não te transforma em médico nem em socorrista profissional — transforma-te no primeiro elo de uma corrente que salva vidas. Vais conhecer o Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM), aprender a ligar 112 de forma útil, seguir os protocolos de doença súbita, acidente, incêndio e evacuação, examinar uma vítima, executar o Suporte Básico de Vida (SBV) de adulto e de criança, usar um Desfibrilhador Automático Externo (DAE) e prestar os primeiros socorros nas situações mais frequentes do setor.
Objetivos de aprendizagem (referencial): aplicar as normas e protocolos de atuação em situações de emergência; reconhecer os procedimentos vitais da cadeia de sobrevivência do adulto e pediátrica; identificar os potenciais riscos para o reanimador e para a vítima; executar o algoritmo de Suporte Básico de Vida (SBV) adulto e pediátrico; executar o algoritmo de SBV com utilização de Desfibrilhador Automático Externo (SBV-DAE); efetuar os primeiros socorros em situações de doença súbita ou acidente.
1. Situações de emergência em hotelaria e restauração
Uma situação de emergência é uma ocorrência súbita e inesperada que ameaça a vida, a integridade física ou a segurança de uma ou mais pessoas e que exige uma resposta imediata. Numa unidade hoteleira ou de restauração, estas situações são mais prováveis do que se pensa, precisamente por causa do número de pessoas, dos equipamentos perigosos e do ritmo de trabalho.
Princípios de atuação
Independentemente do tipo de emergência, há três princípios que nunca mudam:
- Manter a calma. O pânico contagia-se e leva a más decisões. Respira fundo e pensa antes de agir.
- Garantir a segurança primeiro. Um socorrista ferido deixa de poder ajudar e passa a ser mais uma vítima.
- Ativar o socorro cedo. Quanto mais cedo o 112 for contactado, mais depressa chega a ajuda diferenciada.
Âmbito de intervenção: geral e especializada
Perante uma emergência distinguem-se dois âmbitos de intervenção:
- Intervenção geral — a de qualquer pessoa (leigo, sem formação médica avançada). Consiste em dar o alerta, garantir a segurança, prestar os primeiros socorros básicos e, se necessário, iniciar o SBV. É esta a intervenção esperada de um trabalhador da hotelaria e restauração.
- Intervenção de técnicos especializados — a de quem tem formação e meios avançados: operadores do INEM, tripulações de ambulância, VMER, médicos, enfermeiros, bombeiros. Prestam cuidados avançados e transportam a vítima.
O papel do trabalhador não é substituir os profissionais, mas sim iniciar a cadeia de socorro e ganhar tempo — muitas vezes o tempo que salva a vida.
Tipos de emergência mais comuns no setor
| Tipo | Exemplos |
|---|---|
| Doença súbita | Enfarte, AVC, desmaio, convulsão, crise de asma, hipoglicemia, reação alérgica |
| Acidente | Queimadura, corte, queda, fratura, eletrização, intoxicação |
| Obstrução da via aérea | Engasgamento com comida (adulto ou criança) |
| Incêndio | Fritadeira, gás, curto-circuito — pode obrigar a evacuar |
| Emergência coletiva | Intoxicação alimentar em massa, evacuação do edifício |
2. O Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM)
O SIEM é o conjunto de meios, entidades e procedimentos que, em Portugal, garantem o socorro a vítimas de doença súbita ou acidente. É coordenado pelo INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica). O SIEM funciona como um percurso encadeado que começa no cidadão e termina numa unidade de saúde:
1. Deteção — alguém repara na emergência
2. Alerta — liga 112
3. Triagem — o CODU avalia e decide os meios
4. Pré-socorro — instruções ao telefone + primeiros socorros no local
5. Socorro — ambulância / VMER / SIV chegam e tratam
6. Transporte — a vítima é levada ao hospital
7. Tratamento — cuidados definitivos na unidade de saúde
O 112 e o CODU
- O 112 é o Número Europeu de Emergência. Serve para qualquer emergência (médica, incêndio, segurança) e é gratuito, funcionando mesmo sem saldo ou sem cartão SIM.
- Nas emergências médicas, o 112 encaminha a chamada para o CODU — Centro de Orientação de Doentes Urgentes, onde profissionais de saúde fazem a triagem (avaliam a gravidade), decidem que meios enviar e dão instruções a quem está no local enquanto o socorro não chega.
Meios de socorro do INEM
- Ambulâncias de Socorro — tripuladas por técnicos, com equipamento de suporte básico.
- Ambulâncias SIV (Suporte Imediato de Vida) — com enfermeiro.
- VMER (Viatura Médica de Emergência e Reanimação) — leva médico e enfermeiro ao local.
- Motociclos e helicópteros — para acesso rápido ou zonas de difícil acesso.
3. Protocolos de atuação em situações de emergência
Perante qualquer emergência, aplica-se sempre a mesma sequência de arranque, resumida na mnemónica PEAS:
- Proteger — garantir a segurança do local, da vítima e do socorrista.
- Examinar — avaliar rapidamente o estado da vítima (consciência, respiração, hemorragias).
- Alertar — ligar 112 ou pedir a alguém concreto que ligue.
- Socorrer — prestar os primeiros socorros até chegar a ajuda.
Como ligar 112 de forma útil
Ao telefone, mantém-te calmo e responde às perguntas do operador. Nunca desligues primeiro — o operador pode precisar de mais informação e dar-te instruções.
- Onde — localização exata: morada, andar, ponto de referência, como entrar.
- O quê — o que aconteceu.
- Quantas vítimas e em que estado (consciente? respira? sangra?).
- Quem chama — o teu nome e número de telefone.
- Riscos presentes — fogo, gás, químicos, trânsito, eletricidade.
Depois, envia alguém para ir buscar e guiar a ambulância à entrada, e prepara o acesso (abrir portas, chamar o elevador de serviço, afastar mesas).
Protocolo · doença súbita
- Deitar ou sentar a vítima numa posição confortável, conforme os sintomas.
- Não dar comida nem bebida (pode ser preciso operar ou a vítima pode engasgar-se).
- Afrouxar roupa apertada; manter a vítima calma e agasalhada.
- Observar consciência e respiração; ligar 112 e seguir as instruções.
Protocolo · acidente
- Proteger o local (cortar corrente, gás; sinalizar).
- Não mexer a vítima sem necessidade — em quedas, suspeita sempre de lesão da coluna.
- Estancar hemorragias, arrefecer queimaduras, imobilizar fraturas.
- Ligar 112 se for grave e vigiar a vítima.
Protocolo · incêndio
- Dar o alarme e ligar 112 (que aciona os bombeiros — 117 é a linha de florestais).
- Se for seguro, cortar a energia e o gás da zona.
- Combater apenas um foco pequeno, com o extintor adequado:
- Óleo/gordura (fritadeira): abafar/extintor de classe F; nunca água.
- Elétrico: extintor de CO₂; nunca água.
- Se o fogo alastra ou há fumo — sair, fechar portas atrás de si e deixar o combate aos bombeiros.
Protocolo · evacuação
- Sair pela saída de emergência mais próxima, com ordem e sem correr.
- Nunca usar elevadores.
- Não voltar atrás para buscar objetos.
- Junto ao chão há menos fumo — se necessário, baixa-te.
- Dirigir-se ao ponto de encontro e proceder à contagem das pessoas.
- Ajudar clientes com mobilidade reduzida, crianças e idosos.
4. Segurança do local, da vítima e do socorrista
A primeira vítima a evitar és tu. Antes de tocar em quem quer que seja, avalia os riscos — se te feres, deixas de poder ajudar e crias mais trabalho ao socorro.
- Segurança do local — há fogo, gás, fumo, químicos, eletricidade, trânsito, chão escorregadio ou objetos em queda? Elimina o perigo (cortar corrente, fechar gás) ou afasta-te dele.
- Segurança do socorrista — usa luvas descartáveis, evita o contacto direto com sangue e fluidos, cuidado com vidros e objetos cortantes. Lava as mãos depois.
- Segurança da vítima — só a deves mover se houver perigo iminente (fogo, desabamento). Caso contrário, socorre-a onde está, porque mexer pode agravar lesões — sobretudo da coluna.
Ordem mental: eu → o local → a vítima.
5. Socorro à vítima — exame primário e exame secundário
Ao chegar junto de uma vítima, faz uma avaliação organizada, do mais grave para o menos grave.
Avaliar a consciência
Aproxima-te, abana suavemente os ombros e pergunta em voz alta: "Está a ouvir-me? Sente-se bem?"
- Se responde → está consciente. Faz o exame e vigia.
- Se não responde → grita por ajuda e passa ao exame primário.
Exame primário — ABC
O exame primário deteta o que mata em minutos. Segue a sequência ABC:
| O que avaliar | Se falhar | |
|---|---|---|
| A — Airway (via aérea) | Está desobstruída? | Abrir a via aérea (extensão da cabeça + elevar o queixo) |
| B — Breathing (respiração) | Respira normalmente? (ver-ouvir-sentir, máx. 10 s) | Iniciar SBV |
| C — Circulation (circulação) | Há hemorragia grave? | Comprimir para estancar |
Exame secundário
Só depois de a vítima estar estável (respira, sem hemorragias graves) se faz o exame secundário:
- Observar da cabeça aos pés — feridas, deformações, dor.
- Recolher a história — o que aconteceu, há quanto tempo, alergias, medicação, doenças (podes perguntar à vítima ou a quem estava presente).
- Sinais e sintomas — cor da pele, sudação, temperatura, nível de consciência.
- Vigiar a vítima e transmitir tudo à equipa de socorro quando chegar.
6. Cadeia de sobrevivência
A cadeia de sobrevivência representa os passos que, executados por ordem e depressa, dão à vítima de paragem cardiorrespiratória (PCR) a maior hipótese de sobreviver. Como numa corrente, o elo mais fraco compromete tudo.
Cadeia do adulto
- Reconhecimento precoce e pedido de ajuda — reconhecer a emergência e ligar 112 cedo.
- SBV precoce — iniciar compressões torácicas de imediato ("ganhar tempo").
- Desfibrilhação precoce — usar o DAE o mais cedo possível.
- Cuidados pós-reanimação — a equipa avançada assume e estabiliza no hospital.
Cadeia pediátrica
Na criança, a PCR resulta quase sempre de um problema respiratório (falta de oxigénio) e não cardíaco. Por isso, a cadeia pediátrica começa pela prevenção:
- Prevenção de acidentes e reconhecimento precoce da criança em risco.
- SBV precoce, com prioridade à ventilação (5 insuflações iniciais).
- Alerta ao SIEM.
- Cuidados avançados e pós-reanimação.
7. Algoritmo de Suporte Básico de Vida (SBV) — adulto
O SBV é o conjunto de manobras que mantém a circulação e a oxigenação de uma vítima em paragem, sem equipamento avançado, até chegar o socorro. A sequência para o adulto:
- Garantir a segurança do local.
- Avaliar a consciência — abanar os ombros e perguntar em voz alta.
- Se não responde → gritar por ajuda.
- Abrir a via aérea — inclinar a cabeça para trás e elevar o queixo.
- Ver, ouvir e sentir a respiração durante no máximo 10 segundos.
- Se não respira normalmente → ligar 112 (em alta voz/mãos-livres) e pedir um DAE.
- Iniciar 30 compressões torácicas : 2 insuflações e manter o ciclo.
Atenção ao "gasping": respirações agónicas, ruidosas e irregulares não são respiração normal. Se tens dúvidas, assume PCR e começa as compressões.
Compressões torácicas de qualidade
As compressões são o elemento mais importante — mantêm sangue a chegar ao cérebro.
| Parâmetro | Adulto |
|---|---|
| Local | Centro do tórax (metade inferior do esterno) |
| Profundidade | 5 a 6 cm |
| Frequência | 100 a 120 por minuto |
| Reexpansão | Deixar o tórax voltar por completo entre compressões |
| Interrupções | Minimizar (menos de 10 segundos) |
Coloca-te de joelhos ao lado da vítima, mãos sobrepostas no centro do tórax, braços esticados, ombros na vertical sobre as mãos, e usa o peso do corpo. Se estiverem dois reanimadores, trocar a cada 2 minutos para não perder qualidade (o cansaço reduz a profundidade).
Insuflações
Após 30 compressões, faz 2 insuflações: mantém a via aérea aberta, aperta o nariz, cobre a boca da vítima com a tua e sopra durante cerca de 1 segundo, o suficiente para o peito subir. Se não te sentes seguro para insuflar, faz só compressões de forma contínua — é melhor do que não fazer nada.
8. SBV pediátrico, PLS e desobstrução da via aérea
SBV pediátrico
Como a PCR na criança começa quase sempre por falta de oxigénio, o algoritmo dá prioridade à ventilação:
- Começar com 5 insuflações iniciais.
- Depois, ciclos de 15 compressões : 2 insuflações.
- Profundidade: cerca de um terço do diâmetro do tórax.
- Bebé (< 1 ano): compressões com 2 dedos (ou 2 polegares a envolver o tórax).
- Criança (1 ano até puberdade): 1 ou 2 mãos, consoante o tamanho.
- Se estás sozinho, faz 1 minuto de SBV antes de ligar 112 (na criança, oxigenar é prioritário).
Posição lateral de segurança (PLS)
Usa-se quando a vítima está inconsciente mas respira normalmente. Mantém a via aérea aberta e evita que a vítima se engasgue com vómito ou com a própria língua.
- Ajoelha-te ao lado da vítima; braço mais próximo em ângulo reto, palma para cima.
- Passa o outro braço à frente do peito e encosta a mão à face.
- Dobra a perna mais afastada e, puxando pelo joelho, rola a vítima para o teu lado.
- Ajusta a cabeça para trás, com a boca voltada para baixo.
- Vigia a respiração continuamente e liga/confirma o 112.
Não usar a PLS se houver suspeita de lesão da coluna — a menos que seja indispensável para libertar a via aérea.
Desobstrução da via aérea (engasgamento)
- Obstrução ligeira (a vítima tosse, fala, respira): incentivar a tossir; não bater nas costas nem interferir.
- Obstrução grave (não fala, não tosse, agarra o pescoço, fica azulada):
- Adulto e criança: alternar 5 pancadas interescapulares (entre as omoplatas) com 5 compressões abdominais (manobra de Heimlich).
- Bebé (< 1 ano): alternar 5 pancadas nas costas com 5 compressões torácicas — nunca compressões abdominais num bebé.
- Se a vítima perde a consciência → deitar no chão, ligar 112 e iniciar SBV.
9. Suporte Básico de Vida com DAE (SBV-DAE)
O Desfibrilhador Automático Externo (DAE) é um aparelho portátil que analisa o ritmo cardíaco da vítima e, quando deteta um ritmo desfibrilhável, aplica um choque elétrico que pode reorganizar o coração. É seguro e guiado por voz, pensado para ser usado por qualquer pessoa.
Cada minuto que passa sem desfibrilhação numa PCR reduz a probabilidade de sobrevivência em cerca de 10% — por isso a desfibrilhação precoce é um elo central da cadeia de sobrevivência. Em Portugal existe o programa de DAE em Acesso Público, com aparelhos em aeroportos, estações, centros comerciais e muitos hotéis.
Algoritmo de SBV com DAE
- Iniciar o SBV (30:2) e pedir a alguém que traga o DAE.
- Quando o DAE chega, ligá-lo e seguir as instruções de voz.
- Colar os elétrodos no tórax nu da vítima, segundo o desenho do aparelho (um abaixo da clavícula direita, outro na lateral esquerda).
- Enquanto o DAE analisa → ninguém toca na vítima.
- Se o aparelho indicar choque: avisar em voz alta ("afastem-se!"), confirmar que ninguém toca e premir o botão.
- Retomar imediatamente as compressões e continuar 2 minutos até nova análise.
- Manter o ciclo até a vítima recuperar, chegar o socorro ou o DAE indicar.
Regras de segurança com o DAE
- Ninguém toca na vítima durante a análise e durante o choque.
- O tórax deve estar seco — secar se estiver molhado (suor, água, chuva).
- Afastar de poças de água e superfícies metálicas.
- Remover adesivos de medicação (ex.: nitroglicerina) e afastar os elétrodos de pacemakers visíveis.
- Em crianças < 8 anos, usar elétrodos/modo pediátrico; se não existir, usar os de adulto (é preferível a não desfibrilhar).
- Não desligar o DAE nem retirar os elétrodos até a equipa de socorro assumir.
10. Primeiros socorros em doença súbita e acidente
Doença súbita
| Situação | Sinais | Atuação |
|---|---|---|
| Enfarte | Dor/aperto no peito, suor frio, falta de ar, dor no braço/maxilar | Sentar, acalmar, repouso absoluto, 112 |
| AVC | Boca ao lado, fraqueza num lado do corpo, fala arrastada | Teste "3 F" (Face, Força, Fala) e 112 urgente |
| Desmaio | Palidez, tonturas, perda breve de consciência | Deitar e elevar as pernas; ar fresco |
| Convulsão | Movimentos bruscos, rigidez, perda de consciência | Proteger a cabeça, afastar objetos, não segurar nem meter nada na boca; depois PLS |
| Hipoglicemia | Tremor, suor, confusão, fome | Se consciente, dar açúcar (sumo, açúcar); se inconsciente, não dar nada e 112 |
| Crise de asma | Pieira, dificuldade em respirar | Sentar direito, acalmar, ajudar com o inalador |
| Reação alérgica grave | Inchaço, urticária, dificuldade em respirar | 112 urgente; ajudar com autoinjetor se a vítima o tiver |
Acidente
| Situação | Atuação |
|---|---|
| Queimadura | Arrefecer com água corrente 10–20 min; retirar anéis/relógios; não rebentar bolhas nem aplicar cremes/gelo direto; cobrir com pano limpo |
| Corte / hemorragia | Compressão direta com pano limpo; elevar o membro; não retirar objetos encravados |
| Fratura | Imobilizar na posição encontrada; não tentar endireitar; aplicar frio sobre pano |
| Queda / suspeita de coluna | Não mexer; estabilizar a cabeça com as mãos; 112 |
| Eletrização | Cortar a corrente antes de tocar na vítima; 112; SBV se necessário |
| Intoxicação | Ligar 112 / CIAV (Centro de Informação Antivenenos); não provocar o vómito; guardar a embalagem do produto |
Emergências por zona do estabelecimento
- Receção e andares — desmaios, quedas de idosos, mal-estar, reações alérgicas de hóspedes.
- Cozinha — queimaduras, cortes, quedas, incêndio de fritadeira, inalação de fumos.
- Bar e restaurante — engasgamentos, cortes com vidro, reações alérgicas a alimentos, embriaguez.
- Spa — desmaios pelo calor, escorregadelas, reações a produtos e temperaturas.
- Atividades de lazer e desporto — traumatismos, entorses, afogamento na piscina.
Conhecer os riscos típicos de cada zona ajuda a prevenir e a reagir mais depressa.
Erros comuns
- Aproximar-se sem avaliar o local — tornar-se a segunda vítima (fogo, corrente elétrica, gás).
- Não ligar 112 ou desligar cedo demais — perder as instruções do CODU e atrasar o socorro.
- Confundir "gasping" com respiração normal — e assim não iniciar o SBV.
- Compressões fracas ou lentas, ou não deixar o tórax reexpandir.
- Interromper as compressões por longos períodos (para ver, falar, hesitar).
- Deitar água em óleo ou em fogo elétrico — o fogo explode/espalha.
- Mexer uma vítima de queda com suspeita de lesão da coluna sem necessidade.
- Dar de comer ou beber a quem está com doença súbita ou inconsciente.
- Tocar na vítima durante a análise ou o choque do DAE.
- Provocar o vómito em intoxicações — pode agravar a lesão.
Glossário
- SIEM — Sistema Integrado de Emergência Médica.
- INEM — Instituto Nacional de Emergência Médica.
- CODU — Centro de Orientação de Doentes Urgentes (triagem do 112).
- 112 — Número Europeu de Emergência.
- PCR — Paragem Cardiorrespiratória.
- SBV — Suporte Básico de Vida.
- DAE — Desfibrilhador Automático Externo.
- ABC — Airway (via aérea), Breathing (respiração), Circulation (circulação).
- PLS — Posição Lateral de Segurança.
- Heimlich — manobra de compressões abdominais para desobstruir a via aérea.
- VMER — Viatura Médica de Emergência e Reanimação.
- Gasping — respiração agónica, ineficaz; sinal de PCR.
- EPI — Equipamento de Proteção Individual.
Síntese
Uma situação de emergência exige calma, segurança e alerta rápido. Qualquer trabalhador é o primeiro elo do socorro: reconhece, protege, liga 112 e presta os primeiros socorros até chegarem os profissionais. O SIEM, coordenado pelo INEM, liga o cidadão ao hospital, e o CODU dá instruções ao telefone. Perante uma vítima, avalia a consciência, segue o ABC e, se não respira, inicia o SBV — no adulto, 30:2 com compressões de 5–6 cm a 100–120/min; na criança, 5 insuflações e depois 15:2. A cadeia de sobrevivência e a desfibrilhação precoce com DAE aumentam muito a hipótese de sobreviver. Nos primeiros socorros, arrefece queimaduras, comprime hemorragias, imobiliza fraturas e não mexas em suspeitas de lesão da coluna. Prevenir e conhecer os riscos de cada zona é a melhor emergência: a que não chega a acontecer.
Exercícios resolvidos
1. Um cliente cai ao chão no restaurante, não responde e não respira. O que fazes, por ordem?
Garanto a segurança do local → confirmo que não responde (abano os ombros e falo) → grito por ajuda → abro a via aérea e verifico a respiração (máx. 10 s) → como não respira, peço a alguém para ligar 112 e trazer um DAE → inicio 30 compressões : 2 insuflações e mantenho até chegar o DAE/socorro.
2. Indica os parâmetros de compressões torácicas de qualidade no adulto.
Centro do tórax (metade inferior do esterno), profundidade de 5–6 cm, frequência de 100–120/min, reexpansão completa entre compressões e interrupções mínimas (< 10 s), trocando de reanimador a cada 2 minutos.
3. Um colega derrama óleo a ferver na mão. Como atuas?
Afasto-o da fonte de calor, retiro anéis/relógio, arrefeço com água corrente 10 a 20 minutos, não rebento bolhas nem aplico gelo ou cremes, cubro com pano limpo e, se a queimadura for extensa ou profunda, ligo 112.
4. Um bebé de 8 meses está engasgado, não chora e fica azulado. O que NÃO deves fazer e o que deves fazer?
Não faço compressões abdominais (proibidas em bebés). Faço 5 pancadas nas costas alternadas com 5 compressões torácicas; se perder a consciência, deito-o, ligo 112 e inicio SBV pediátrico (5 insuflações + 15:2).
5. Chega o DAE. Descreve o uso e uma regra de segurança essencial.
Ligo o DAE e sigo a voz, colo os elétrodos no tórax nu; durante a análise ninguém toca na vítima; se indicar choque, aviso "afastem-se", confirmo e premo o botão; retomo logo as compressões. Regra de segurança: ninguém pode tocar na vítima durante a análise e o choque, e o tórax deve estar seco.
6. Distingue exame primário de exame secundário.
O exame primário procura o que mata em minutos, pela sequência ABC (via aérea, respiração, circulação/hemorragias) e avalia a consciência. O exame secundário, feito só após estabilizar, observa a vítima da cabeça aos pés, recolhe a história (o que aconteceu, alergias, medicação) e vigia até chegar o socorro.