Mini-Projecto · Dossiê de preparação de tinta para uma reparação real
Contexto
A oficina "Carroçarias Silva & Filhos" recebeu um veículo com uma porta amolgada e riscada, para reparação de chapa e repintura total da peça. Foste destacado/a para preparar a especificação técnica, escolher os produtos, calcular a mistura e a afinação de cor, e entregar um dossiê de preparação completo, pronto a acompanhar a folha de obra do veículo.
Trabalhas individualmente ou a pares, usando uma ficha técnica e uma ficha de dados de segurança (FDS) reais ou fornecidas pelo formador, um código de cor à escolha (ou atribuído pela turma) e o equipamento de laboratório de tintas da oficina-escola.
Requisitos
Funcionais
- Folha de obra preenchida com a identificação do veículo, a zona a reparar e o código de cor de origem.
- Ficha de segurança com o EPI necessário, os pictogramas identificados e as normas de segurança aplicáveis, com base na FDS da tinta e do diluente escolhidos.
- Sistema de acabamento identificado (monocamada ou bicamada) e justificado a partir da cor do veículo.
- Cálculo de proporções da mistura (tinta : catalisador : diluente) para um volume final definido, com memória de cálculo.
- Registo de viscosidade: valor pedido pela ficha técnica, medição simulada ou real no copo de viscosidade, e conversão para centipoise.
- Processo de afinação de cor documentado: fórmula inicial, comparação com o veículo (ou com uma amostra de referência) e correções aplicadas, se necessário.
Não-funcionais
- Todos os cálculos apresentados com as fórmulas e os passos, não só o resultado final.
- Terminologia técnica correta (MS/HS/VHS/UHS, pot life, toner, metamerismo, HVLP, conforme aplicável).
- Dossiê organizado, com secções claras e fácil de seguir por outro profissional.
Fases
Fase 1 · Folha de obra e especificação técnica (2h) Preencher a folha de obra do veículo atribuído; identificar o código de cor e o sistema de acabamento; consultar a simbologia de pintura da ficha técnica escolhida.
Fase 2 · Segurança e seleção de produtos (2h) Ler a FDS da tinta e do diluente; identificar pictogramas e EPI necessário; selecionar a tinta (MS/HS/VHS/UHS, base solvente ou aquosa), o diluente e o catalisador adequados às condições da oficina.
Fase 3 · Colorimetria e afinação de cor (3h) Preparar um provete com a fórmula de catálogo do código de cor; comparar sob luz adequada com o veículo ou amostra de referência; registar e aplicar correções de afinação, se necessário.
Fase 4 · Cálculo de proporções e viscosidade (3h) Calcular as proporções da mistura para o volume final definido; medir ou simular a viscosidade no copo indicado pela ficha técnica; converter o valor para centipoise usando a tabela de conversão.
Fase 5 · Preparação e equipamento (3h) Selecionar os equipamentos (balança, misturadora, pistola e tipo de alimentação) adequados à tarefa; preparar a mistura seguindo a sequência correta (pesar, homogeneizar, catalisar, diluir, verificar viscosidade).
Fase 6 · Dossiê e apresentação (3h) Compilar o dossiê completo (folha de obra, ficha de segurança, cálculos, afinação, registo final); apresentar à turma as decisões técnicas tomadas.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Folha de obra e especificação técnica | 15% |
| Segurança: FDS, pictogramas e EPI | 15% |
| Colorimetria e afinação de cor | 20% |
| Cálculo de proporções e viscosidade | 25% |
| Seleção de equipamentos e organização do posto de trabalho | 15% |
| Dossiê e apresentação | 10% |
Erros comuns
- Escolher o sistema de acabamento sem confirmar se a cor é metalizada ou lisa.
- Não consultar a FDS antes de manusear um produto novo, assumindo que "já se conhece".
- Aprovar a afinação de cor só à luz artificial da oficina, ignorando o metamerismo.
- Calcular a proporção da mistura diretamente sobre o volume total, sem dividir primeiro pelo número de partes.
- Converter viscosidade entre copos diferentes sem usar a tabela de conversão específica do copo usado.
- Não registar a fórmula final corrigida, obrigando a repetir toda a afinação numa reparação futura.
Bónus (opcional)
- Repetir o cálculo de proporções para uma tinta de base aquosa e comparar as diferenças de secagem esperadas.
- Simular um cenário de contaminação (por exemplo, silicone na superfície) e propor o plano de correção.
- Comparar a mesma fórmula de cor medida em dois copos de viscosidade diferentes (Ford e DIN) e converter ambos para centipoise.
- Propor um plano de gestão de resíduos para as sobras de tinta catalisada e os panos contaminados do projeto.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que a fórmula de catálogo de um código de cor raramente chega sozinha para acertar a cor de um veículo com alguns anos de uso? E que duas medidas do teu processo de preparação foram decisivas para garantir a segurança e a qualidade do resultado?