Mini-Projeto · Dossiê de diagnóstico de danos de pintura
Contexto
A oficina "Carroçaria Central" recebe um automóvel ligeiro com queixas do cliente sobre o estado da pintura em várias zonas: uma porta com aspeto opaco, um guarda-lamas com uma pequena bolha e um capot com uma diferença de tom visível. Foste destacado/a para diagnosticar o veículo por completo, antes de qualquer orçamento ou reparação.
Trabalhas individualmente ou a pares, num veículo real disponível na oficina/escola ou num caso simulado fornecido pelo formador (fotografias e medições de referência), e entregas um dossiê de diagnóstico completo com o encaminhamento recomendado para cada zona.
Requisitos
Funcionais
- Preparação do processo: consulta de manual/procedimento e definição da sequência de inspeção antes de começar.
- Inspeção visual e tátil de, pelo menos, 3 zonas distintas do veículo, com registo fotográfico.
- Medição de espessura de pintura em cada zona inspecionada, com pelo menos 3 medições por zona e cálculo da média.
- Comparação de cada média com um valor de referência (do fabricante ou de um painel não afetado) e cálculo do desvio percentual.
- Diagnóstico da causa de cada dano ou defeito encontrado (colisão, corrosão, desgaste, químico, atmosférico ou defeito de aplicação).
- Ficha de registo preenchida para cada zona, com descrição, medições, causa e fotografia.
- Encaminhamento claro e justificado para cada zona (polimento, repintura parcial, repintura completa ou reparação estrutural prévia).
Não-funcionais
- Uso correto e seguro do equipamento de medição, incluindo calibração antes de medir.
- Organização e limpeza do posto de trabalho durante toda a inspeção.
- Uso de equipamento de proteção individual (EPI) quando aplicável.
- Dossiê final claro, organizado por zona, e legível por outra pessoa sem explicação adicional.
Fases
Fase 1 · Preparação do processo (1h) Consultar o manual do fabricante ou o procedimento fornecido, definir a sequência de inspeção e preparar o material de registo (ficha, câmara, tabela de medições).
Fase 2 · Seleção e calibração do equipamento (1h) Escolher o medidor de espessura adequado ao substrato do veículo e calibrá-lo numa referência conhecida antes de qualquer medição.
Fase 3 · Inspeção visual e tátil (3h) Percorrer o veículo pela sequência definida, identificando e fotografando as zonas suspeitas, com toque de confirmação em cada uma.
Fase 4 · Medição e cálculo (3h) Medir a espessura em, pelo menos, três pontos por zona, calcular a média e o desvio percentual face à referência.
Fase 5 · Diagnóstico e registo (2h) Determinar a causa de cada dano ou defeito, cruzando a inspeção visual/tátil com os resultados da medição, e preencher a ficha de registo de cada zona.
Fase 6 · Encaminhamento e apresentação (2h) Elaborar o encaminhamento recomendado para cada zona e apresentar o dossiê completo à turma, justificando cada diagnóstico.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Preparação do processo e sequência de inspeção | 10% |
| Seleção, calibração e uso correto do equipamento | 15% |
| Inspeção visual e tátil (rigor e cobertura das zonas) | 20% |
| Medição, cálculo de médias e desvios | 20% |
| Diagnóstico da causa e coerência com as evidências | 20% |
| Registo, encaminhamento e apresentação do dossiê | 15% |
Erros comuns
- Medir um único ponto por zona em vez de calcular a média de várias medições.
- Esquecer de calibrar o medidor de espessura antes de começar.
- Confundir uma bolha de corrosão com um defeito de aplicação sem verificar a presença de pó ferruginoso.
- Registar de memória e só preencher a ficha no final da inspeção.
- Encaminhar sem indicar a causa do dano, apenas a localização.
- Ignorar as normas de segurança, ambiente ou organização do posto de trabalho durante o processo.
Bónus (opcional)
- Comparar dois métodos de medição diferentes (por exemplo, eletromagnético e ultrassónico) na mesma zona e discutir as diferenças de leitura.
- Propor um mapa de danos do veículo completo, com todas as zonas assinaladas numa vista esquemática.
- Simular a comunicação do diagnóstico ao cliente, em linguagem acessível e sem jargão técnico.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que a inspeção visual e tátil deve sempre anteceder a medição instrumental, e não o contrário? E identifica duas situações do teu diagnóstico em que a medição confirmou, ou contrariou, a primeira impressão visual.