Mini-Projeto · Diagnóstico completo de um veículo acidentado
Contexto
A oficina "AutoRestauro" recebeu um automóvel ligeiro envolvido numa colisão frontal a velocidade moderada. O cliente quer saber se o veículo é reparável e a seguradora exige um relatório técnico fundamentado antes de autorizar qualquer despesa.
Foste destacado/a, individualmente ou em equipa de dois, para conduzir o diagnóstico completo do veículo: preparar o processo, selecionar e usar o equipamento certo, inspecionar e medir, registar e analisar os resultados, e propor o encaminhamento adequado, com o dossiê técnico que sustenta essa decisão.
Requisitos
Funcionais
- Ficha de identificação do veículo e recolha de histórico (relato do "acidente", fotografias do estado inicial).
- Inspeção visual sistemática de todas as zonas do veículo (frente, laterais, traseira, piso, tejadilho), com registo fotográfico.
- Seleção e preparação de, no mínimo, três ferramentas ou equipamentos de diagnóstico, com justificação da escolha.
- Medição de cotas em, no mínimo, quatro pontos de referência do fabricante, com comparação face às tolerâncias.
- Verificação da geometria de direção e de, no mínimo, dois sistemas funcionais afetados por colisão (por exemplo, travagem e segurança passiva).
- Relatório final de diagnóstico, com classificação de cada dano (estrutural ou não estrutural) e conclusão de encaminhamento.
Não-funcionais
- Terminologia técnica correta e consistente em todo o dossiê.
- Registo fotográfico organizado por zona e associado às medições correspondentes.
- Cumprimento das normas de segurança, saúde no trabalho, EPI e gestão de resíduos durante todo o processo.
- Documento final claro, com tabelas de medição legíveis e conclusão objetiva.
Fases
Fase 1 · Preparação do processo (3h) Ficha de identificação do veículo, recolha de histórico, consulta da ficha técnica do fabricante e inspeção visual preliminar.
Fase 2 · Seleção e preparação do equipamento (2h) Escolher as ferramentas e equipamentos adequados ao caso, verificar calibração e preparar o posto de trabalho com o EPI necessário.
Fase 3 · Inspeção visual e dimensional (4h) Percorrer sistematicamente o veículo, registar sinais indiretos de dano estrutural e identificar as zonas a medir.
Fase 4 · Medição de cotas e geometria (4h) Medir os pontos de referência do fabricante, comparar com as tolerâncias e verificar a geometria de direção.
Fase 5 · Sistemas afetados (2h) Diagnosticar os sistemas funcionais indicados (travagem, direção, segurança passiva, entre outros), incluindo desmontagem pontual se necessário.
Fase 6 · Registo, análise e encaminhamento (3h) Elaborar o relatório final, classificar os danos e propor o encaminhamento, com a documentação completa.
Fase 7 · Apresentação (2h) Apresentar o dossiê à turma, justificando cada decisão técnica tomada ao longo do diagnóstico.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Preparação do processo e recolha de informação | 10% |
| Seleção e preparação do equipamento | 15% |
| Inspeção visual e dimensional | 20% |
| Medição de cotas e geometria de direção | 25% |
| Diagnóstico dos sistemas afetados | 15% |
| Registo, análise e encaminhamento final | 15% |
Erros comuns
- Começar a medir sem antes reunir o histórico e a ficha técnica do fabricante.
- Classificar um dano só pela observação visual, sem confirmar por medição.
- Usar as cotas de um modelo semelhante, mas diferente do veículo em diagnóstico.
- Ignorar sistemas funcionais (travagem, segurança passiva) por o foco estar só na estrutura.
- Não atualizar o relatório depois de uma desmontagem revelar dano adicional.
- Apresentar as medições sem uma conclusão técnica clara sobre o encaminhamento.
- Negligenciar o EPI e as normas de segurança por a tarefa parecer "só" medição.
Bónus (opcional)
- Comparar o custo estimado da reparação de estrutura com o valor de mercado do veículo, para justificar tecnicamente uma eventual proposta de perda total.
- Propor um plano de desmontagem detalhado para confirmar um dano estrutural suspeito mas ainda não confirmado.
- Elaborar uma checklist reutilizável de inspeção visual, organizada por zona do veículo.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que a geometria de direção pode revelar um dano estrutural mesmo quando não há chapa amolgada visível? E identifica duas situações, ao longo do teu diagnóstico, em que a medição contrariou uma primeira impressão visual.