Mini-Projecto · Manutenção e armazenamento de um modelo de fundição
Contexto
A Fundição Vale de Ferro, uma pequena oficina de fundição em areia, entregou à turma um modelo de madeira (usado para produzir uma peça mecânica de série) que já não sai da oficina há alguns meses de manutenção regular. O modelo apresenta sinais visíveis de desgaste: arestas arredondadas, uma lasca numa aresta e o verniz descascado em várias zonas.
Foste contratado/a para executar o ciclo completo de manutenção: controlar o estado do modelo, preparar o material necessário, efetuar a reparação e prepará lo para armazenar corretamente até à próxima produção.
Trabalhas individualmente ou a pares, com um modelo real (ou um simulado em cartão, MDF ou madeira leve, consoante o material disponível na escola), e entregas o modelo tratado mais um pequeno dossiê técnico com os registos de todo o processo.
Requisitos
Funcionais
- Relatório de inspeção visual e dimensional do estado inicial do modelo, com os desvios encontrados face ao desenho técnico fornecido.
- Lista de material preparado para a manutenção (massa de reparação, lixas, verniz/tinta, desmoldante, EPI), justificada pelos defeitos identificados.
- Reparação efetuada de, no mínimo, dois defeitos diferentes (por exemplo, uma lasca e uma zona de desgaste), com massa de reparação e lixamento em sequência de grãos.
- Acabamento final (verniz ou tinta) aplicado sobre a superfície reparada.
- Verificação dimensional final, confirmando que as cotas reparadas voltaram à tolerância admitida.
- Plano de armazenamento para o modelo tratado (local, apoios, identificação, condições ambientais).
Não-funcionais
- Registo fotográfico do antes e depois de cada intervenção.
- EPI usado corretamente em cada operação, documentado no dossiê.
- Resíduos gerados separados e identificados conforme as normas de gestão de resíduos.
- Dossiê organizado e legível, com terminologia técnica correta.
Fases
Fase 1 · Controlar o estado do molde (3h) Inspeção visual completa do modelo; registo fotográfico dos defeitos; medição dimensional com os instrumentos adequados (paquímetro, fita métrica, esquadro, graminho, conforme a cota); cálculo dos desvios face ao desenho técnico fornecido.
Fase 2 · Preparar o material (2h) Elaboração da lista de material necessário para cada defeito identificado; seleção da massa de reparação, das lixas e do acabamento; preparação do EPI adequado a cada operação prevista.
Fase 3 · Efetuar a reparação (6h) Limpeza das zonas a reparar; aplicação da massa de reparação nos, pelo menos, dois defeitos escolhidos; respeito pelo tempo de cura; lixamento em sequência de grãos (grosso a fino) até nivelar com a superfície original.
Fase 4 · Acabamento (3h) Aplicação de verniz ou tinta sobre a superfície reparada e lixada, com o EPI adequado e em local ventilado; respeito pelo número de demãos e tempo de secagem.
Fase 5 · Verificação final (2h) Nova medição dimensional das zonas reparadas, com comparação ao desenho técnico e cálculo do desvio final; conclusão sobre a aprovação do modelo.
Fase 6 · Preparar para armazenar (2h) Confirmação de que o acabamento está seco; limpeza final; definição do local e das condições de armazenamento; identificação do modelo (referência, cotas principais, data da manutenção).
Fase 7 · Dossiê e apresentação (2h) Organização do relatório completo (inspeção, material, reparação, verificação, armazenamento) e apresentação à turma, explicando as decisões tomadas em cada fase.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Inspeção e controlo dimensional (Fase 1) | 15% |
| Preparação do material justificada (Fase 2) | 10% |
| Qualidade da reparação executada (Fase 3) | 25% |
| Acabamento aplicado corretamente (Fase 4) | 15% |
| Verificação final e conformidade dimensional (Fase 5) | 15% |
| Plano de armazenamento e segurança/ambiente (Fase 6) | 10% |
| Dossiê e apresentação (Fase 7) | 10% |
Erros comuns
- Avançar para a reparação sem medir e calcular o desvio real face à tolerância.
- Aplicar a massa de reparação numa só camada grossa, que fissura ao curar.
- Lixar antes do tempo de cura terminar, arrancando a massa aplicada.
- Saltar grãos de lixa (ex.: passar do 80 direto para o 400), deixando marcas visíveis.
- Pintar ou envernizar sem ventilação nem máscara adequada.
- Não verificar a cota final depois de reparado, entregando um modelo que ainda não cumpre o desenho.
- Armazenar com o acabamento por secar ou sem identificação clara.
Bónus (opcional)
- Propor um código de cores para identificação rápida de famílias de modelos na oficina.
- Elaborar uma ficha de manutenção normalizada, reutilizável para outros modelos da oficina.
- Comparar o custo estimado da reparação com o custo de um modelo novo, justificando a decisão de reparar.
- Testar e documentar a aplicação de um desmoldante antes de uma simulação de compactação.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que a fase de controlo dimensional inicial tem de ser feita antes de decidir que material preparar? E que três cuidados de segurança e de ambiente aplicaste ao longo do projeto?