Mini-Projecto · Levantamento e mapeamento digital de uma exploração agropecuária
Contexto
A "Quinta do Vale Fundeiro" é uma pequena exploração agropecuária que combina pastagem para gado e algumas parcelas de cultivo. O proprietário quer, pela primeira vez, um levantamento rigoroso de todas as parcelas, com áreas corretas, declives identificados e um mapa digital que sirva de base a candidaturas a apoios e ao planeamento futuro do espaço.
Foste contratado/a, individualmente ou a pares, como técnico/a de agrimensura, para realizar o levantamento, tratar os dados em software de escritório e em SIG, e entregar um dossiê técnico com o mapa da exploração, os cálculos e as recomendações de gestão do espaço.
Requisitos
Funcionais
- Levantamento de, no mínimo, 3 parcelas da exploração (reais, de um espaço disponível na escola, ou simuladas com medidas fornecidas pelo professor).
- Cálculo da área de cada parcela por, pelo menos, dois métodos diferentes (ex.: decomposição e planímetro ou papel quadriculado, ou decomposição e SIG).
- Cálculo do declive de, pelo menos, uma das parcelas, com fórmula e leitura em percentagem e em graus.
- Registo de pontos GPS (reais ou simulados) dos limites das parcelas e de, no mínimo, um ponto de interesse (poço, bebedouro, caminho).
- Mapa em SIG (QGIS ou equivalente) com, no mínimo, as camadas: limites das parcelas, ponto(s) de interesse e uma camada de fundo (ortofoto ou carta).
- Folha de cálculo com a área de cada parcela, o total em hectares e a percentagem de cada parcela no total.
- Relatório técnico (processamento de texto) com a metodologia usada, os cálculos e uma recomendação de gestão do espaço.
Não-funcionais
- Todos os cálculos devem ser documentados, com o método e a fórmula usada, não só o resultado final.
- O mapa em SIG deve ter legenda, escala e orientação claras.
- Linguagem técnica e rigorosa, em conformidade com as normas de demarcação e representação estudadas.
- Registo das medidas de EPI e segurança tomadas durante o trabalho de campo.
Fases
Fase 1 · Planeamento e reconhecimento (2h) Escolher ou receber o espaço a levantar; consultar carta topográfica ou ortofoto disponível; planear os pontos de alinhamento e os equipamentos a usar.
Fase 2 · Levantamento de campo (5h) Traçar os alinhamentos com balizas; medir os lados das parcelas (fita métrica, roda de medição ou contagem de passos calibrada); registar pontos GPS dos limites e de pontos de interesse. Aplicar as medidas de EPI e segurança definidas.
Fase 3 · Cálculo de áreas e declives (4h) Calcular a área de cada parcela por, pelo menos, dois métodos; calcular o declive de uma parcela; organizar os resultados numa folha de cálculo, com fórmulas e conversão para hectares.
Fase 4 · Mapeamento em SIG (5h) Criar o projeto em SIG no sistema de coordenadas ETRS89/PT-TM06; adicionar a camada de fundo; importar os pontos GPS (por exemplo, em GPX ou CSV), confirmando o sistema de coordenadas de origem; desenhar os limites das parcelas e os pontos de interesse; organizar por camadas, com atributos (área, uso/cultura); compor um mapa com legenda, escala e orientação.
Fase 5 · Relatório e recomendações (2h) Redigir o relatório técnico com a metodologia, os cálculos e uma recomendação de gestão do espaço (por exemplo, localização de um novo bebedouro ou zona de cultivo), fundamentada nas camadas do SIG.
Fase 6 · Apresentação (2h) Apresentar o mapa, os cálculos e as recomendações à turma, em diapositivos, explicando as escolhas metodológicas.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Levantamento de campo e registo de dados (alinhamentos, GPS, EPI) | 20% |
| Cálculo de áreas e declives (rigor e métodos usados) | 25% |
| Mapa em SIG (camadas, atributos, legenda) | 25% |
| Relatório técnico e folha de cálculo | 15% |
| Apresentação e justificação das decisões | 15% |
Erros comuns
- Medir no terreno sem confirmar os alinhamentos a partir dos dois extremos.
- Esquecer a conversão de escala ao usar dados de uma carta topográfica.
- Calcular a área e esquecer a conversão para hectares.
- Usar a distância medida na rampa em vez da distância horizontal, subestimando o declive.
- Importar os pontos GPS para o SIG sem indicar o sistema de coordenadas (WGS84 ou PT-TM06), ficando as camadas desencontradas.
- Construir o mapa em SIG sem atributos nas camadas (só o desenho, sem os dados associados).
- Entregar um mapa sem legenda, escala ou orientação, dificultando a leitura por terceiros.
- Ignorar as medidas de EPI e segurança no trabalho de campo.
Bónus (opcional)
- Calcular a mesma área por um terceiro método e comparar os três resultados, discutindo as diferenças de precisão.
- Simular uma consulta ao iSIP ou ao BUPi, explicando que informação cada um exigiria sobre as parcelas levantadas.
- Propor uma rotação de culturas ou um plano de pastoreio, cruzando as camadas de declive e de uso atual do solo.
- Exportar o mapa final em formato de publicação (documento pronto a imprimir), com layout cuidado para entrega ao cliente.
Reflexão
No relatório final, responde: porque é que dois métodos diferentes de calcular a mesma área podem dar resultados ligeiramente diferentes, e qual deles confiarias mais, e porquê? E identifica uma decisão de gestão do espaço da exploração que só foi possível tomar depois de cruzar duas camadas no SIG.