Mini-Projecto · Gerir a operação de uma exploração agropecuária
Contexto
A "Quinta do Vale Fundeiro" é uma pequena exploração agropecuária com quatro parcelas de terreno livres e um pequeno efetivo pecuário (borregos de engorda). O gestor da exploração pediu-te para colaborares na gestão operacional da próxima campanha: propor o plano de produção, organizar os recursos, acompanhar a execução e entregar um relatório de atividade completo no final.
Trabalhas individualmente ou a pares, sempre em articulação com o gestor (o professor, no papel do gestor, valida cada decisão importante), e entregas um dossiê de gestão operacional completo, mais uma breve apresentação à turma.
Requisitos
Funcionais
- Plano operacional de produção para as quatro parcelas, com cultura ou uso proposto, justificado por solo, água e clima.
- Plano tático de pelo menos uma parcela, com cronograma semanal das operações.
- Afetação de recursos humanos (permanente e eventual) e de equipamentos (próprios, partilhados ou alugados), com justificação de custo para pelo menos uma decisão de equipamento.
- Registo produtivo simulado de, no mínimo, três semanas de operações (rega, tratamentos, alimentação animal, mão de obra).
- Gestão de um desvio ao plano: um imprevisto (clima, praga, avaria) documentado, com a decisão tomada para o resolver.
- Relatório de atividade mensal, com período, atividades, recursos, resultados, desvios e recomendações.
- Uma validação (ou rejeição justificada) de uma sugestão de IA, com verificação de dados reais e de um limite legal aplicável.
Não-funcionais
- Linguagem técnica correta e coerente com os conteúdos da UC.
- Dossiê organizado por fases, com tabelas e cronogramas legíveis.
- Identificação clara dos EPI e das normas (segurança, qualidade, ambiente, bem-estar animal) aplicáveis a cada operação de risco.
- Todas as decisões apresentadas com justificação, não apenas afirmadas.
Fases
Fase 1 · Levantamento e contexto (2h) Caracterizar as quatro parcelas (solo, água, clima, histórico de rotação) e o efetivo pecuário. Identificar o contexto de trabalho (exploração própria, eventual apoio de cooperativa ou prestador de serviços).
Fase 2 · Plano operacional de produção (3h) Propor a cultura ou uso para cada parcela, cruzando solo, água, clima, rotação e fertilização/controlo fitossanitário previsível. Justificar cada escolha.
Fase 3 · Plano tático e cronograma (3h) Sequenciar, para pelo menos uma parcela, as operações no tempo (semana a semana), da preparação do solo à colheita ou ao objetivo definido.
Fase 4 · Recursos humanos e equipamentos (3h) Definir a equipa (permanente e eventual) e os equipamentos necessários (próprios, partilhados, alugados), com justificação de custo para pelo menos uma decisão.
Fase 5 · Implementação, registo e gestão de um desvio (4h) Simular três semanas de registos produtivos. Introduzir um imprevisto (clima, praga, avaria) e documentar a decisão tomada para o gerir, incluindo o eventual recurso a seguro agrícola.
Fase 6 · IA, relatório de atividade e enquadramento legal (3h) Validar (ou rejeitar, com justificação) uma sugestão de IA. Elaborar o relatório de atividade mensal. Identificar EPI e normas aplicáveis (segurança, qualidade, ambiente, bem-estar animal) e o organismo de referência relevante (IFAP, DGAV, ICNF, DGADR ou DRAP), incluindo as regras de identificação dos animais (SNIRA) e de biossegurança.
Fase 7 · Apresentação (2h) Apresentar o dossiê de gestão operacional à turma, explicando as decisões tomadas em cada fase e como se articulariam com o gestor real da exploração.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Plano operacional de produção (parcelas justificadas) | 20% |
| Plano tático e cronograma | 15% |
| Recursos humanos e equipamentos | 15% |
| Registo produtivo e gestão do desvio | 20% |
| IA, relatório de atividade e enquadramento legal | 20% |
| Dossiê e apresentação | 10% |
Erros comuns
- Propor a cultura de uma parcela só pelo preço de mercado, sem verificar solo, água e rotação anterior.
- Confundir plano operacional com plano tático, entregando um só documento sem distinguir o quê/onde do quando/ordem.
- Esquecer a mão de obra eventual na fase de colheita do cronograma.
- Simular registos "genéricos", sem datas, doses ou quantidades concretas.
- Aceitar uma sugestão de IA sem a validar com dados reais e com o limite legal aplicável.
- Entregar um relatório de atividade só com números, sem explicar os desvios nem propor recomendações.
- Não identificar o EPI nem a norma aplicável às operações de maior risco (aplicações, máquinas, maneio animal).
Bónus (opcional)
- Estimar o custo comparado entre comprar, alugar e partilhar o equipamento de colheita, com números concretos.
- Propor um indicador de desempenho (KPI) simples para acompanhar a campanha (ex.: litros de água por hectare, custo por hectare).
- Desenhar um pequeno guião de formação de segurança para um trabalhador eventual novo na colheita.
- Pesquisar um exemplo real de cooperativa ou associação agrícola e descrever um serviço que ela partilha entre associados.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que o plano tático não pode ser feito antes do plano operacional? E, olhando para o desvio que geriste na Fase 5, que decisão de gestão tomarias para reduzir o risco de esse mesmo imprevisto voltar a acontecer na campanha seguinte?