Mini-Projecto · Plano de campo para uma campanha de prospeção mineral
Contexto
A empresa "Serra Funda, Prospeção e Pesquisa, Lda." obteve direitos para prospetar um bloco de pesquisa numa zona de relevo acidentado. Antes de a equipa sair para o terreno, foste encarregado/a de preparar o dossiê de planeamento: escolher os mapas certos, calcular distâncias e áreas sobre a carta topográfica, definir as coordenadas dos pontos de amostragem, interpretar o relevo e as curvas de nível da zona, aplicar a regra dos "Vs" a um contacto geológico conhecido, e preparar o plano de segurança de campo.
Trabalhas individualmente ou a pares, com uma carta topográfica à escala 1:25 000 (ou o equivalente digital, OpenTopoMap) da área do bloco de pesquisa, e entregas um dossiê completo, pronto a ser seguido pela equipa de campo.
Requisitos
Funcionais
- Justificação escrita de qual mapa usar para cada etapa do planeamento (satélite, terreno, OpenStreetMap, OpenTopoMap ou carta topográfica).
- Distância real entre o acampamento base e o ponto de amostragem mais afastado, calculada a partir da medição na carta.
- Área real, em hectares, do polígono do bloco de pesquisa desenhado na carta.
- Coordenadas UTM de, pelo menos, dois pontos de amostragem, com o cálculo da distância e do azimute/rumo entre eles.
- Cota interpolada de, pelo menos, um ponto situado entre duas curvas de nível.
- Declive entre dois pontos do percurso planeado, em percentagem.
- Um perfil topográfico simples ao longo do percurso principal, com o exagero vertical indicado.
- Aplicação da regra dos Vs a um contacto geológico hipotético que atravessa um vale da área.
Não-funcionais
- Todos os cálculos apresentados passo a passo, com a fórmula usada em cada caso.
- Coerência entre o sistema de coordenadas escolhido para o GNSS e o da carta usada no planeamento.
- Plano de segurança de campo completo (pares, plano deixado a terceiros, EPI, procedimento em caso de desorientação).
- Linguagem clara, rigor numérico e nenhuma cota, distância ou coordenada inventada sem cálculo.
Fases
Fase 1 · Escolha de mapas e leitura inicial da carta (2h) Analisar a carta 1:25 000 da área; justificar que tipo de mapa (satélite, terreno, OSM, OpenTopoMap) apoia cada etapa do planeamento; identificar tipo de escala (numérica e gráfica).
Fase 2 · Escalas, distâncias e áreas (3h) Medir na carta e calcular a distância real ao ponto de amostragem mais afastado; calcular a área real do bloco de pesquisa, em hectares, aplicando a regra da área ao quadrado da escala.
Fase 3 · Coordenadas, GNSS e rumos (3h) Definir as coordenadas UTM de dois pontos de amostragem; calcular a distância e o azimute/rumo entre eles; descrever a configuração do recetor GNSS (datum, sistema de coordenadas) para registo dos waypoints.
Fase 4 · Curvas de nível, cotas e declive (3h) Interpolar a cota de um ponto entre duas curvas de nível; calcular o declive entre dois pontos do percurso; classificar as formas de relevo (vale, crista, cume) presentes na área.
Fase 5 · Perfil topográfico e regra dos Vs (4h) Construir um perfil topográfico simples ao longo do percurso principal, com o exagero vertical calculado e indicado; aplicar a regra dos Vs a um contacto geológico que atravessa um vale da área.
Fase 6 · Segurança de campo (3h) Preparar o plano de segurança: trabalho em pares, plano de campo deixado a terceiros, EPI necessário, procedimento em caso de desorientação, verificação da autorização dos proprietários e dos limites do bloco de pesquisa.
Fase 7 · Apresentação (2h) Apresentar o dossiê de planeamento à turma, explicando cada cálculo e cada decisão tomada.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Leitura de mapas e justificação das fontes usadas | 10% |
| Escalas, distâncias e áreas corretas | 20% |
| Coordenadas, GNSS, distância e rumo/azimute | 20% |
| Curvas de nível, cotas interpoladas, declive e perfil | 20% |
| Aplicação correta da regra dos Vs | 15% |
| Plano de segurança e dossiê final | 15% |
Erros comuns
- Multiplicar a área diretamente pela escala linear, em vez de converter os lados para metros ou aplicar o quadrado da escala.
- Usar uma banda UTM errada (assumir 29T em toda a área, esquecendo que o continente também tem a banda 29S).
- Comparar a altitude do GNSS (elipsoidal) diretamente com a cota da carta (ortométrica), sem conversão.
- Trocar o sentido da regra dos Vs: um V do contacto a apontar para jusante significa inclinação para jusante (mais forte do que o leito), não para montante.
- Desenhar o perfil topográfico sem indicar o exagero vertical.
- Incluir no plano de segurança a regra de "seguir a linha de água a jusante" para se orientar.
Bónus (opcional)
- Repetir o cálculo da área do bloco de pesquisa noutra escala (por exemplo, 1:50 000) e confirmar que a área real obtida é a mesma.
- Construir uma segunda reta de contorno estrutural para o mesmo contacto geológico, noutra cota.
- Simular a implantação, com GNSS, de um ponto de sondagem planeado em gabinete.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que a área de um terreno não pode ser calculada multiplicando diretamente a área medida na carta pela escala linear? E, olhando para o plano de segurança preparado, que duas decisões tomaste especificamente por causa do relevo acidentado da zona escolhida?