Mini-Projecto · Implementar o controlo de processo numa fundição
Contexto
A "Fundição Serralves", uma pequena fundição de peças em ferro fundido e alumínio, tem tido reclamações de clientes por dureza e dimensões fora de especificação. A gerência pediu-te, como técnico/a de fundição, para implementar um sistema de controlo de processo completo: identificar as variáveis críticas, criar mapas e fichas de controlo, definir indicadores, monitorizar, analisar os resultados e propor um plano de ações corretivas.
Trabalhas individualmente ou em grupo, sobre o fluxo de fabrico da fundição (areias, moldação, fusão, vazamento, desmoldação, acabamento, ensaios), e entregas um dossiê de controlo de processo pronto a apresentar à gerência.
Requisitos
Funcionais
- Mapa do fluxo de fabrico completo da fundição, com subprocessos identificados.
- Seleção de, no mínimo, 4 variáveis críticas, distribuídas por pelo menos 3 subprocessos diferentes, com justificação pelos critérios de seleção.
- Para cada variável crítica: mapa de controlo (ponto, instrumento, frequência, especificação) e um modelo de ficha de controlo.
- Pelo menos 2 indicadores de controlo do processo, cada um com meta e limite de alerta.
- Uma carta de controlo construída a partir de, no mínimo, 20 valores simulados ou reais de uma das variáveis.
- Um plano de ação corretiva completo (com os seis campos: não conformidade, causa raiz por 5 porquês, ação, responsável, prazo, verificação de eficácia) para uma não conformidade identificada.
- Um relatório de acompanhamento com indicadores, não conformidades e recomendações.
Não-funcionais
- Distinção clara, em todo o dossiê, entre limite de controlo e limite de especificação.
- Terminologia consistente com o referencial da UC (variável crítica, indicador, causa raiz, ação corretiva).
- Dossiê organizado, com título, índice e fontes de dados identificadas (reais ou simuladas).
- Cumprimento explícito das normas de segurança, EPI, gestão de resíduos, proteção ambiental e qualidade nas variáveis escolhidas.
Fases
Fase 1 · Mapear o fluxo de fabrico (2h) Desenhar o fluxo completo da fundição e identificar, por subprocesso, as variáveis candidatas a crítica.
Fase 2 · Selecionar as variáveis críticas e a metodologia (3h) Aplicar os quatro critérios de seleção às candidatas e escolher a metodologia de análise e controlo de cada uma das 4 variáveis finais.
Fase 3 · Construir mapas e fichas de controlo (4h) Definir ponto de medição, instrumento, frequência e especificação para cada variável; desenhar o modelo de ficha de controlo.
Fase 4 · Definir indicadores (3h) Escolher os indicadores, definir dono, meta e limite de alerta; calcular um exemplo com dados simulados ou recolhidos.
Fase 5 · Monitorizar e construir a carta de controlo (5h) Recolher ou simular pelo menos 20 valores de uma variável, calcular média e limites, traçar e interpretar a carta.
Fase 6 · Analisar resultados e plano de ação corretiva (5h) Identificar uma não conformidade, aplicar os 5 porquês até à causa raiz e preencher o plano de ação corretiva.
Fase 7 · Relatório e apresentação (3h) Redigir o relatório de acompanhamento com recomendações e apresentar o dossiê completo à turma.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Mapa do fluxo e seleção das variáveis críticas | 15% |
| Mapas e fichas de controlo | 15% |
| Indicadores (meta, limite de alerta, cálculo) | 15% |
| Carta de controlo (construção e interpretação) | 20% |
| Plano de ação corretiva (causa raiz e verificação) | 20% |
| Relatório e apresentação | 15% |
Erros comuns
- Escolher variáveis "fáceis de medir" em vez de variáveis realmente críticas.
- Construir a ficha de controlo sem especificação clara, impossibilitando a decisão de conformidade.
- Confundir limite de controlo com limite de especificação na carta e no relatório.
- Parar o método dos 5 porquês cedo demais, sem chegar à causa raiz.
- Fechar o plano de ação corretiva sem definir como e quando se verifica a eficácia.
- Entregar um relatório só com números, sem causa dominante nem recomendação.
Bónus (opcional)
- Automatizar o cálculo da carta de controlo numa folha de cálculo com fórmulas.
- Propor um nível de automatização (alarme ou correção automática) para uma das variáveis.
- Construir um segundo indicador de eficiência (rendimento metálico ou taxa de sucata).
- Simular um segundo período e comparar a evolução do indicador após a ação corretiva.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que um processo pode estar estatisticamente estável e, ainda assim, produzir peças fora de especificação? E qual das quatro variáveis críticas escolhidas consideras que traria o maior ganho se fosse automatizada, e porquê?