Mini-Projeto · Auditoria de defeitos a um lote de peças fundidas
Contexto
A "Ferrofunde", uma fundição que produz peças em liga de alumínio para a indústria automóvel, recebeu uma reclamação de um cliente: um lote recente de suportes de motor apresenta uma taxa de defeitos acima do habitual. Foste destacado/a para a equipa de qualidade, com a missão de auditar um lote de peças, identificar e classificar os defeitos, analisar as causas e propor um plano de ação corretiva ao processo.
Trabalhas individualmente ou a pares, com um conjunto de peças (reais, fotografadas, ou descritas em fichas de caso fornecidas pelo formador), o desenho técnico do suporte de motor e os critérios de aceitação da empresa, e entregas um dossiê completo da auditoria.
Requisitos
Funcionais
- Preparar o posto de trabalho: lista dos recursos usados e do EPI necessário.
- Inspecionar visualmente um lote de, no mínimo, 8 peças (reais ou em ficha de caso), de forma sistemática e registada.
- Identificar e nomear pelo menos 6 tipos diferentes de defeitos de fundição, de entre os cobertos na UC.
- Classificar cada defeito encontrado, por localização, por origem e por tipo.
- Para pelo menos 2 peças, propor a técnica de ensaio não destrutivo mais adequada para confirmar um defeito interno suspeito, justificando a escolha.
- Analisar a causa de cada defeito, relacionando-a com a fase do processo de fundição e com pelo menos um parâmetro concreto.
- Avaliar a viabilidade de recuperação de cada peça, com base no desenho técnico, e indicar a via de recuperação quando aplicável.
- Propor uma medida corretiva ao processo para, no mínimo, 3 defeitos distintos.
- Elaborar o registo de auditoria final, com todas as peças, defeitos, causas, decisões e medidas corretivas.
Não-funcionais
- Todas as classificações e decisões de viabilidade justificadas por escrito, não apenas atribuídas.
- Uso consistente da terminologia técnica correta (nomear cada defeito pelo termo certo).
- Identificação clara dos EPI usados e das normas de segurança, ambiente e qualidade cumpridas.
Fases
Fase 1 · Preparar o posto de trabalho (2h) Reunir o desenho técnico, os critérios de aceitação, a ficha de registo e o EPI. Definir o percurso de inspeção sistemática a seguir.
Fase 2 · Inspeção visual do lote (4h) Inspecionar as 8 peças, identificando, nomeando e localizando cada defeito visual encontrado, com registo fotográfico ou esquemático.
Fase 3 · Classificação dos defeitos (2h) Classificar cada defeito por localização, origem e tipo, organizando os resultados numa tabela.
Fase 4 · Defeitos internos e ensaios não destrutivos (3h) Para as peças com suspeita de defeito interno, propor e justificar a técnica de ensaio não destrutivo mais adequada.
Fase 5 · Análise das causas (4h) Para cada defeito, construir a cadeia causal completa: defeito, fase do processo, causa provável, parâmetro concreto a rever.
Fase 6 · Viabilidade de recuperação e medidas corretivas (3h) Decidir a viabilidade de recuperação de cada peça e propor medidas corretivas ao processo para pelo menos 3 defeitos.
Fase 7 · Dossiê final e apresentação (2h) Compilar o registo de auditoria completo e apresentar as conclusões à turma, com as decisões justificadas.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Inspeção visual sistemática e registo do lote | 15% |
| Identificação e nomeação correta dos defeitos | 20% |
| Classificação dos defeitos (localização, origem, tipo) | 15% |
| Escolha justificada da técnica de ensaio não destrutivo | 15% |
| Análise das causas, ligada à fase do processo | 20% |
| Viabilidade de recuperação e medidas corretivas | 15% |
Erros comuns
- Nomear o defeito errado por semelhança superficial, sem confirmar com o aspeto característico de cada tipo.
- Classificar sem consultar o desenho técnico, ignorando se o defeito está numa zona crítica.
- Propor partículas magnéticas para uma peça de alumínio, esquecendo que a técnica exige material ferromagnético.
- Parar a análise na peça, sem relacionar o defeito com a fase do processo que o originou.
- Decidir a viabilidade de recuperação só pela aparência, sem cruzar com a zona crítica do desenho.
- Propor uma medida corretiva genérica, sem ligação clara à causa confirmada.
- Esquecer o registo da causa e da medida corretiva, entregando só a lista de defeitos encontrados.
Bónus (opcional)
- Propor um pequeno plano de acompanhamento: como confirmarias, no lote seguinte, que cada medida corretiva funcionou.
- Construir uma ficha de registo de defeitos reutilizável, própria, para futuras auditorias.
- Pesquisar um caso real (documentado ou de uma visita de estudo) de um defeito de fundição e a medida corretiva aplicada na indústria.
- Propor um critério de classificação por gravidade (crítico, maior, menor) para priorizar a análise em lotes maiores.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que classificar corretamente um defeito é uma etapa distinta de o identificar? E, das medidas corretivas que propuseste, qual esperas que tenha o maior impacto na redução da taxa de defeitos do lote seguinte, e porquê?