Mini-Projeto · Banco de jardim em ferro forjado
Contexto
O "Jardim do Rossio", um pequeno espaço público municipal, encomendou um banco de jardim em ferro forjado para instalar junto ao coreto. A peça tem de ser robusta (uso intensivo e exterior), com um toque decorativo que a distinga de um banco puramente industrial.
Foste contratado/a para interpretar o desenho técnico, preparar materiais e ferramentas, forjar os elementos decorativos (volutas e torção, a quente), montar a estrutura por soldadura e acabar a peça com proteção adequada ao exterior.
Trabalhas individualmente ou a pares, com acesso à forja, bigorna, ferramentas manuais e equipamento de soldadura da oficina, e entregas o banco montado e acabado, mais um pequeno dossiê técnico (desenho interpretado, registo de material e decisões de acabamento).
Especificação do desenho técnico
O desenho fornecido pelo professor define o banco assim (cotas em mm):
| Elemento | Especificação |
|---|---|
| Assento | 5 ripas de madeira tratada para exterior, 1200 x 70 x 30, fornecidas; altura do assento (topo das ripas) 450; profundidade 400 |
| Cabeceiras | 2 quadros laterais, afastados 1000 entre faces exteriores (as ripas ficam 100 em consola de cada lado) |
| Pés | 4, barra quadrada 20, verticais, à face das extremidades do suporte do assento |
| Suporte do assento | 1 por cabeceira, cantoneira L40x40x4, comprimento 400, aba horizontal por cima, soldada ao topo dos pés |
| Travessa inferior da cabeceira | 1 por cabeceira, barra quadrada 20, entre as faces interiores dos pés, eixo a 100 do chão |
| Travessa longitudinal | 1, barra quadrada 16, liga o meio das duas travessas inferiores, com torção decorativa de 300 no centro |
| Volutas | 1 por cabeceira, barra quadrada 12, 1,5 voltas, diâmetro exterior 120 e interior 30 (linha média), cauda reta de 80 para soldar; entre a travessa inferior e o suporte do assento |
| Sapatas | 4, chapa 60 x 60 x 6, soldadas na base dos pés, com furo de fixação ao pavimento |
| Material | aço macio S235JR; nenhuma peça galvanizada na forja |
Requisitos
Funcionais
- Interpretação documentada do desenho técnico fornecido pelo professor (dimensões, ângulos, especificações de material).
- Estrutura em aço macio S235JR, com as secções do desenho.
- Lista de corte com o comprimento de cada peça (incluindo o comprimento desenvolvido das volutas) e a massa de aço estimada.
- Elementos decorativos forjados a quente: as duas volutas e a torção da travessa longitudinal.
- Soldadura de todas as juntas estruturais, com esquadro e alinhamento verificados antes de fixar.
- Estrutura estável (os quatro pés assentam em simultâneo numa superfície plana) e conforme as dimensões do desenho técnico, com tolerância de ±5 mm; altura do assento medida no topo das ripas.
- Acabamento completo: remoção da carepa, lixamento progressivo, preparação de superfície e proteção adequada a peça de exterior (primário anticorrosivo + tinta de exterior).
Não-funcionais
- Uso correto e permanente do EPI adequado a cada operação (forja, soldadura, lixamento).
- Posto de trabalho organizado, com ferramentas de traçagem e fixação acessíveis.
- Registo escrito das decisões de material e de acabamento, com justificação, e ficha de verificação dimensional preenchida.
- Ausência de rebarbas ou pontos cortantes na peça final.
Fases
Fase 1 · Interpretar o desenho técnico (2h) Ler o desenho fornecido, identificar componentes, cotas e especificações de material, conferir a cadeia de cotas da altura do assento e a estabilidade. Planear a sequência de fabrico.
Fase 2 · Preparar materiais e ferramentas (2h) Elaborar a lista de corte e a estimativa de massa, selecionar e cortar as barras, verificar o estado das ferramentas manuais, preparar a forja e reunir o EPI.
Fase 3 · Traçagem (1h) Marcar com punção os limites da torção e os pontos de arranque das volutas; traçar cortes e furos, com a peça fixa e as medidas confirmadas duas vezes.
Fase 4 · Forjamento a quente dos elementos decorativos (5h) Afinar e enrolar as duas volutas sobre o molde, verificando-as sobre o desenho 1:1 e entre si; torcer a travessa longitudinal e acertá-la ao comprimento.
Fase 5 · Soldadura e montagem (4h) Montar e pontear as cabeceiras na mesa plana, conferir as diagonais, ligar com a travessa longitudinal, soldar em sequência alternada. Verificar estabilidade e cotas e preencher a ficha de verificação.
Fase 6 · Acabamento e proteção (4h) Remoção da carepa, lixamento progressivo, desengorduramento, primário anticorrosivo e tinta de exterior. Montagem das ripas.
Fase 7 · Apresentação (2h) Demonstrar o banco à turma, explicando as decisões de material, forjamento e acabamento tomadas no dossiê.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Interpretação do desenho técnico e preparação | 15% |
| Qualidade do forjamento a quente (incluindo elemento decorativo) | 25% |
| Soldadura, montagem e estabilidade da estrutura | 25% |
| Acabamento e proteção contra corrosão | 20% |
| Segurança, EPI e organização do posto de trabalho | 10% |
| Dossiê e apresentação | 5% |
Erros comuns
- Avançar para o forjamento sem confirmar todas as cotas e ângulos do desenho técnico.
- Martelar ou dobrar o ferro já frio (escurecido), fissurando o material.
- Soldar as travessas sem confirmar o esquadro, obtendo uma estrutura torta.
- Avançar para o acabamento com a estrutura ainda instável, mascarando o defeito com tinta.
- Aplicar produtos de proteção sobre superfície com óleo ou pó de lixamento.
- Escolher cera (proteção moderada, para interior) numa peça destinada ao exterior.
Bónus (opcional)
- Desenhar e forjar um encosto com volutas em S, recalculando a estabilidade (o peso de quem se encosta desloca-se para trás).
- Rematar as pontas das travessas inferiores com um afinado ou uma pequena voluta.
- Produzir um pequeno motivo repetido (folha decorativa) com matriz, se disponível na oficina.
- Elaborar um plano de manutenção periódica da proteção contra corrosão para os próximos anos.
Reflexão
No dossiê final, responde: por que motivo a estabilidade da estrutura tem de ser verificada antes do acabamento, e não pode ser corrigida depois? E indica duas decisões de acabamento que tomaste especificamente por a peça se destinar ao exterior.