Mini-Projeto · Ensaio completo de um conjunto de cunho e cortante
Contexto
A "Metalcorte, Lda.", uma oficina metalomecânica, recebeu um novo conjunto de cunho e cortante para o corte de uma anilha metálica, destinada a um cliente do setor automóvel. Antes de a ferramenta entrar em produção em série, é preciso ensaiá-la: preparar a prensa, ajustar o conjunto, operar, analisar os resultados e entregar um relatório técnico completo.
Trabalhas individualmente ou em pequeno grupo, na oficina (ou em simulação, se a prensa real não estiver disponível), seguindo o desenho técnico fornecido pelo professor e aplicando todo o fluxo desta UC.
Requisitos
Funcionais
- Verificação do conjunto (ferramenta, acessórios, instrumentos de medição aferidos) documentada antes do ensaio.
- Preparação da prensa de acordo com um procedimento escrito (curso, força, modo de operação, EPI).
- Ajuste da ferramenta: centragem verificada e folga de corte calculada e regulada para a espessura de chapa dada.
- Ensaio efetuado em modo manual e depois em modo contínuo, com um lote piloto de peças.
- Medições de pelo menos três cotas críticas da peça, registadas numa tabela, com conformidade indicada.
- Análise de pelo menos um defeito (real ou simulado) com causa identificada.
- Relatório técnico do ensaio completo, com melhorias propostas.
Não-funcionais
- Registo organizado (ficha ou tabela) de todas as medições e observações.
- Cumprimento visível das normas de segurança e saúde no trabalho (EPI, proteções) ao longo de todo o ensaio.
- Separação correta de resíduos (óleos, aparas) gerados durante o trabalho.
- Comunicação clara e rigorosa do relatório final, legível por outro técnico.
Fases
Fase 1 · Estudo do desenho e planeamento (2h) Interpretar o desenho de fabrico da anilha, identificar cotas críticas e tolerâncias, e planear os parâmetros do ensaio (folga de corte recomendada, prensa a usar).
Fase 2 · Verificação do conjunto e dos instrumentos (2h) Inspecionar a ferramenta e os acessórios, confirmar a aferição dos instrumentos de medição a usar (paquímetro, micrómetro, calibre).
Fase 3 · Preparação da prensa (3h) Definir e documentar o procedimento de preparação: curso, força, modo de operação, EPI e proteções. Montar a ferramenta.
Fase 4 · Ajuste do conjunto (3h) Verificar e corrigir a centragem, calcular e regular a folga de corte para a espessura de chapa fornecida, preparar as platinas.
Fase 5 · Ensaio (4h) Operar a prensa em modo manual, confirmar o funcionamento, passar a modo contínuo e produzir o lote piloto, guardando as primeiras e as últimas peças.
Fase 6 · Análise dos resultados (4h) Medir as cotas críticas do lote, registar numa tabela, identificar e analisar pelo menos um defeito, propor melhorias.
Fase 7 · Relatório e apresentação (2h) Redigir o relatório técnico do ensaio e apresentá lo à turma, justificando as conclusões e as melhorias propostas.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Verificação do conjunto e preparação da prensa | 15% |
| Ajuste: centragem e folga de corte | 20% |
| Execução do ensaio (modo manual → contínuo) | 15% |
| Medições e análise de resultados | 20% |
| Relatório técnico e melhorias propostas | 20% |
| Segurança, ambiente e organização | 10% |
Erros comuns
- Avançar para o ajuste sem confirmar primeiro a aferição dos instrumentos de medição.
- Regular a folga de corte "a olho", sem calcular a partir da espessura da chapa e do catálogo de ferramentas.
- Saltar o modo manual e arrancar logo em modo contínuo.
- Medir apenas uma peça do lote e generalizar a conclusão para todo o ensaio.
- Corrigir um sintoma (por exemplo, aumentar a folga) sem investigar a causa real (por exemplo, descentragem).
- Entregar um relatório sem tabela de medições nem causa identificada para os defeitos.
- Trabalhar sem EPI completo "só porque é um ensaio rápido".
Bónus (opcional)
- Repetir o ensaio depois da melhoria proposta e comparar os dois relatórios.
- Propor um plano de manutenção preventiva com base no número de ciclos previstos até à próxima intervenção.
- Calcular o custo estimado de uma não conformidade descoberta em produção em série, comparado com o custo de a corrigir no ensaio.
Reflexão
No relatório final, responde: porque é que a folga de corte se calcula a partir da espessura da chapa, e não é um valor fixo para todas as ferramentas? E que duas melhorias no funcionamento mecânico da ferramenta identificaste a partir das não conformidades verificadas no teu ensaio?