Mini-Projecto · Plano e relatório de ensaios não destrutivos numa peça soldada
Contexto
A oficina "MetalFer, Fabrico e Manutenção" recebeu uma peça de construção metálica soldada (por exemplo, uma cantoneira, um perfil em T ou uma pequena viga treliçada) que precisa de ser inspecionada antes de sair para obra. Foste contratado/a como técnico/a para preparar, executar e documentar o conjunto de ensaios não destrutivos que garantem a qualidade da peça.
Trabalhas individualmente ou a pares, com uma peça soldada real ou um provete disponível na oficina/escola (ou, na ausência de peça real, um caso descrito em desenho técnico fornecido pelo professor), e entregas um dossiê de ensaio completo: plano, registos e relatório final.
Requisitos
Funcionais
- Identificação da peça: desenho, dimensões e localização do(s) cordão(ões) de solda a ensaiar.
- Plano de ensaio que combine, no mínimo, duas técnicas diferentes (por exemplo, inspeção visual + líquidos penetrantes, ou inspeção visual + partículas magnéticas + ultrassons), justificando a escolha para o material e o tipo de defeito esperado.
- Controlo dimensional e geométrico do provete, registado antes do ensaio de descontinuidades.
- Registo de preparação: limpeza, EPI usado, condições ambientais.
- Execução documentada de cada técnica: parâmetros, equipamento, data de calibração.
- Resultados: descontinuidades encontradas (ou ausência delas), com dimensão e localização.
- Relatório final de ensaio, com conclusão (aceite, rejeitada ou a reensaiar) face ao nível de qualidade da EN ISO 5817 fixado na ordem de fabrico (B, C ou D). O nível é dado, não é escolhido pelo aluno: o que se avalia é a fundamentação da conclusão face a esse nível.
- Normas citadas no plano e no relatório: a norma de método de cada técnica usada (EN ISO 17637 para VT, EN ISO 3452-1 para PT, EN ISO 9934-1 para MT, EN ISO 17640 para UT) e a norma de aceitação (EN ISO 5817, ou EN ISO 11666 no caso do UT).
Não-funcionais
- Fotografias ou esquemas da peça e das marcas/indicações obtidas.
- Linguagem técnica correta e coerente com o referencial da UC.
- Registo de segurança, saúde no trabalho, ambiente e qualidade em todas as fases.
- Dossiê organizado, com data e identificação clara do técnico responsável.
Fases
Fase 1 · Escolha da peça e planeamento (2h) Selecionar a peça/provete, identificar o desenho e as zonas a ensaiar. Definir as técnicas a combinar e justificar a escolha.
Fase 2 · Controlo dimensional e geométrico (2h) Medir e registar dimensões, ângulos e alinhamento da peça. Comparar com o desenho e registar desvios.
Fase 3 · Preparação do ensaio (2h) Limpeza da peça, seleção e verificação do EPI, confirmação das condições ambientais e reunião dos equipamentos.
Fase 4 · Execução das técnicas de superfície (4h) Inspeção visual, e líquidos penetrantes e/ou partículas magnéticas (conforme o material), com registo de parâmetros e resultados.
Fase 5 · Execução por ultrassons, se aplicável (2h) Calibração do equipamento, varrimento da zona e registo de ecos e posições, quando a peça e o plano o exigirem.
Fase 6 · Análise, relatório e apresentação (4h) Interpretar os resultados, elaborar o relatório final e apresentar o dossiê à turma, explicando as decisões tomadas.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Plano de ensaio e justificação das técnicas | 15% |
| Controlo dimensional e geométrico | 15% |
| Preparação (limpeza, EPI, condições) | 15% |
| Execução e registo de parâmetros | 25% |
| Relatório final, normas citadas e conclusão fundamentada | 20% |
| Dossiê e apresentação | 10% |
Erros comuns
- Escolher só uma técnica quando o plano exige combinar pelo menos duas.
- Saltar o controlo dimensional e ir direto às descontinuidades.
- Ensaiar a peça suja ou por limpar, mascarando possíveis defeitos.
- Esquecer a desmagnetização depois de um ensaio por partículas magnéticas.
- Entregar um relatório sem parâmetros nem data de calibração.
- Ignorar o EPI adequado a cada técnica usada.
Bónus (opcional)
- Ensaiar uma segunda peça com um defeito induzido propositadamente (por exemplo, uma solda com falta de penetração conhecida) e comparar os resultados com a peça sem defeito.
- Construir uma pequena carta de controlo com os resultados de vários grupos da turma sobre o mesmo tipo de peça.
- Repetir o ensaio de líquidos penetrantes com a versão fluorescente, comparando a sensibilidade com a versão visível.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que combinar mais do que uma técnica de ensaio dá mais confiança no resultado do que usar só uma? E indica três medidas que tomaste, ao longo do projeto, para cumprir as normas de segurança e saúde no trabalho, de proteção ambiental e da qualidade.