Mini-Projecto · Plano de controlo da qualidade de um lote de cantoneiras metálicas
Contexto
A "Metalúrgica do Vale", uma pequena empresa de fabrico de componentes de construção metálica, recebeu uma encomenda de 50 cantoneiras estruturais para um cliente que exige conformidade com a EN 1090. A empresa precisa de um plano de controlo da qualidade completo para este lote: desde a análise dos requisitos até ao registo final, passando pela metrologia, pelos ensaios e pelas ferramentas de melhoria.
Trabalhas individualmente ou em pequeno grupo, e entregas o dossiê de controlo da qualidade do lote, pronto a apresentar à direção da empresa.
Requisitos
Funcionais
- Análise dos requisitos e especificações: ficha da peça com cotas, tolerâncias e norma aplicável (EN 1090, classe de execução justificada).
- Plano de medição: tabela com pelo menos 4 elementos a controlar, instrumento e frequência (100% ou amostragem).
- Registo de leituras: simulação de leituras de paquímetro e/ou micrómetro para pelo menos 10 peças, com indicação clara de aceite/rejeitado.
- Plano de inspeção e ensaio: inspeção visual definida + pelo menos 1 ensaio destrutivo e 1 ensaio não destrutivo justificados para este lote.
- Diagrama de Ishikawa para o defeito mais provável identificado, e diagrama de Pareto com dados simulados de não conformidades.
- Carta de controlo simples (média, LSC, LIC) construída a partir dos dados simulados, com identificação de pontos fora de controlo, se existirem.
- Pelo menos 1 ação corretiva e 1 ação preventiva propostas a partir da análise.
Não-funcionais
- Documentação organizada segundo os níveis: manual/procedimentos/especificações/registos.
- Linguagem técnica rigorosa e coerente com a EN 1090 e a metrologia estudada.
- Dossiê apresentável, com tabelas legíveis e cálculos explicados passo a passo.
Fases
Fase 1 · Análise de requisitos e especificações (2h) Definir a peça (cantoneira), a cota principal com tolerância, e justificar a classe de execução EN 1090 aplicável ao contexto (risco da estrutura final).
Fase 2 · Plano de medição (3h) Elaborar a tabela de plano de medição: elementos a controlar, instrumento (paquímetro, micrómetro, calibre, mesa de seno) e frequência.
Fase 3 · Registo de leituras metrológicas (3h) Simular ou recolher (se houver instrumentos disponíveis) leituras de 10 peças, aplicando as regras de leitura de paquímetro/micrómetro, e classificar cada uma como aceite/rejeitada face à tolerância.
Fase 4 · Inspeção e ensaios (3h) Definir os critérios de inspeção visual e escolher, com justificação técnica, um ensaio destrutivo e um ensaio não destrutivo adequados ao lote.
Fase 5 · Ferramentas da qualidade (4h) Construir o diagrama de Ishikawa (6M) para o defeito mais provável e o diagrama de Pareto com dados simulados de não conformidades do lote.
Fase 6 · Carta de controlo e ações (3h) Construir a carta de controlo com os dados das 10 peças (ou dados simulados adicionais), calcular média/LSC/LIC, e propor as ações corretiva e preventiva.
Fase 7 · Apresentação do dossiê (2h) Apresentar o plano de controlo da qualidade completo à turma, justificando cada decisão técnica tomada.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Análise de requisitos e justificação da EN 1090 | 15% |
| Plano de medição e correção da metrologia aplicada | 20% |
| Inspeção e ensaios (destrutivo + não destrutivo) justificados | 15% |
| Ishikawa, Pareto e carta de controlo corretamente construídos | 25% |
| Ações corretivas e preventivas coerentes com a análise | 15% |
| Dossiê e apresentação | 10% |
Erros comuns
- Definir a classe de execução EN 1090 sem justificar o risco real da estrutura.
- Esquecer de indicar a frequência (100% ou amostragem) no plano de medição.
- Ler mal a escala do paquímetro ou do micrómetro nas simulações de leitura.
- Escolher um ensaio não destrutivo incompatível com o material (ex.: partículas magnéticas em alumínio).
- Preencher o Ishikawa só numa ou duas categorias das seis.
- Construir a carta de controlo sem calcular corretamente o desvio padrão dos dados.
- Propor uma ação corretiva que na verdade é só uma correção pontual, sem eliminar a causa.
Bónus (opcional)
- Calcular o desvio padrão manualmente, passo a passo, além da média.
- Propor um segundo ciclo PDCA completo a partir das ações corretivas implementadas.
- Elaborar uma ficha de registo (impresso) pronta a usar na oficina.
- Comparar o plano de controlo deste lote com um lote de classe de execução EXC4 (mais exigente).
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que a classe de execução da EN 1090 muda as exigências de controlo da qualidade de uma peça para outra? E, olhando para a tua carta de controlo, que decisão tomarias se um segundo ponto aparecesse fora dos limites na próxima produção?