Mini-Projecto · Preparar o fabrico de um guarda-corpos metálico
Contexto
A oficina "Metalurgia Ferreira" foi contratada para fabricar 4 guarda-corpos metálicos iguais, para o terraço exterior de um pequeno edifício de habitação. Cada guarda-corpos é composto por prumos verticais em perfil, um travessão superior e uma chapa de base para fixação ao pavimento, ligados por soldadura.
És o técnico responsável por organizar o trabalho: analisar a documentação fornecida pelo cliente, montar o dossier e a ficha de fabrico, escolher materiais e instrumentos de medição, definir a sequência de operações, preparar o posto de trabalho e garantir a segurança, antes de qualquer corte ou soldadura.
Trabalhas individualmente ou em pequeno grupo, com o desenho técnico fornecido pelo professor (ou um desenho simplificado que a turma valide em conjunto), e entregas um dossier de preparação do trabalho mais a peça (ou a simulação documentada do fabrico, se a oficina da escola não permitir executar as 4 unidades).
Requisitos
Funcionais
- Análise da documentação: leitura do desenho técnico, identificação de vistas, cotas, simbologia de soldadura e lista de materiais.
- Dossier de fabrico organizado: desenho, especificações, normas aplicáveis (classe do aço), registos de controlo.
- Ficha de fabrico por peça, com sequência de operações, ferramentas previstas e critérios de controlo.
- Classificação do material: designação normalizada do aço (norma EN 10025) e justificação da escolha para uso exterior.
- Plano de medição: instrumentos escolhidos para cada cota crítica, com tolerâncias.
- Sequência de fabrico definida: corte, furação, soldadura, verificação, tratamento de superfície, montagem.
- Estimativa de tempos por operação, para as 4 unidades.
Não-funcionais
- Peça piloto verificada antes de produzir as restantes 3 unidades.
- Organização e ergonomia do posto de trabalho documentadas (disposição de ferramentas e materiais).
- Identificação de riscos e EPI para cada operação prevista.
- Dossier claro, com linguagem técnica correta e rastreável do desenho até à peça final.
Fases
Fase 1 · Análise da documentação (3h) Ler o desenho técnico fornecido: vistas, cotas, simbologia de soldadura, lista de materiais. Registar dúvidas e confirmá-las com o professor (a fazer o papel de cliente/engenharia).
Fase 2 · Classificar o material e caracterizar o produto (2h) Escolher e justificar a designação do aço (norma EN 10025) para uso exterior. Caracterizar o tipo de produção (série pequena, 4 unidades) e o produto (função de proteção, classe de execução aplicável).
Fase 3 · Montar o dossier e a ficha de fabrico (3h) Reunir desenho, especificações e normas no dossier. Elaborar a ficha de fabrico de um prumo: sequência de operações, ferramentas previstas e critérios de controlo.
Fase 4 · Plano de medição e estimativa de tempos (3h) Definir os instrumentos de medição para cada cota crítica (comprimento, ângulo, furo). Estimar o tempo de cada operação para as 4 unidades, distinguindo tempo padrão e margem de segurança.
Fase 5 · Preparar o posto de trabalho (3h) Selecionar ferramentas, dispositivos e equipamentos. Organizar o posto (disposição, ergonomia). Identificar riscos por operação e o EPI correspondente.
Fase 6 · Executar e verificar a peça piloto (4h) Cortar, furar e (se aplicável na escola) soldar a primeira peça. Verificar as cotas críticas com os instrumentos definidos. Registar o resultado na ficha de fabrico e ajustar antes de repetir para as restantes 3 unidades.
Fase 7 · Apresentação (2h) Apresentar o dossier de preparação e a peça piloto à turma, explicando as decisões tomadas em cada fase.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Análise correta da documentação e simbologia | 15% |
| Classificação do material e caracterização do produto | 15% |
| Dossier e ficha de fabrico completos e coerentes | 20% |
| Plano de medição e estimativa de tempos | 15% |
| Organização do posto de trabalho, riscos e EPI | 15% |
| Execução e verificação da peça piloto | 15% |
| Apresentação e justificação das decisões | 5% |
Erros comuns
- Começar a cortar sem confirmar todas as cotas do desenho.
- Escolher um aço sem justificar a classe para uso exterior.
- Ficha de fabrico sem sequência clara de operações.
- Não definir instrumentos de medição para as cotas críticas antes de fabricar.
- Fabricar as 4 unidades sem verificar a peça piloto primeiro.
- Esquecer o EPI específico de cada operação (tratar soldadura e corte como o mesmo risco).
Bónus (opcional)
- Propor um gabari de soldadura para alinhar prumo e travessão nas 4 unidades.
- Calcular o binário de aperto se a fixação da chapa de base fosse aparafusada em vez de soldada.
- Elaborar a folha de tratamento de superfície (decapagem + primário + pintura) para uso exterior.
- Comparar o custo/tempo entre soldar em MIG/MAG e em elétrodo revestido para este trabalho.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que se verifica sempre a peça piloto antes de produzir o lote inteiro? E identifica duas decisões deste projecto que mudariam se o pedido fosse de 40 guarda-corpos em vez de 4.