Mini-Projeto · Plano de gestão de pragas para um viveiro e armazém agrícola
Contexto
A Viveiros Flor do Campo, uma empresa de produção e venda de plantas e material de jardinagem, tem um viveiro exterior, uma loja com sementes e adubos embalados e um pequeno armazém de apoio. Nos últimos meses surgiram sinais de atividade de roedores junto ao armazém, insetos em sacos de sementes na loja e formigueiros junto às estufas.
Foste contratado/a, a título individual ou em equipa de dois, para elaborar e apresentar um plano de gestão de pragas completo para a empresa, cumprindo os requisitos legais e os princípios da proteção integrada, e entregas o dossiê pronto para implementação.
Requisitos
Funcionais
- Diagnóstico por zona (viveiro exterior, loja de sementes, armazém), com identificação do grupo-alvo em cada uma.
- Identificação das espécies não-alvo presentes (ex.: polinizadores nas estufas, animal doméstico do responsável da loja) e dos cuidados a ter com elas.
- Plano de prevenção com pelo menos 3 medidas concretas, associadas à causa identificada em cada zona.
- Plano de controlo com pelo menos 2 métodos não químicos e 1 método químico, cada um justificado, incluindo a dose do produto químico proposto (cálculo de diluição para caldas; número de estações e gramas de isco por estação para iscos prontos a usar).
- Ficha de EPI por produto proposto, com base num rótulo e FDS reais ou verosímeis.
- Modelo de relatório de intervenção preenchido para uma visita fictícia.
- Cronograma de implementação e monitorização para os primeiros 3 meses.
Não-funcionais
- Linguagem técnica e rigorosa, sem inventar dados fora do enunciado.
- Referência às entidades reguladoras relevantes (DGS, DGAV, ICNF), ao Regulamento (UE) n.º 528/2012, ao Decreto-Lei n.º 140/2017 e à norma NP EN 16636:2015.
- Documento organizado, com tabelas e secções claras, pronto a apresentar ao cliente.
Fases
Fase 1 · Diagnóstico (3h) Visita simulada às três zonas; identificação dos grupos-alvo, das espécies não-alvo e das causas prováveis em cada zona.
Fase 2 · Enquadramento legal (2h) Levantamento das entidades, diplomas e normas aplicáveis (DGS, DGAV, ICNF, Regulamento (UE) n.º 528/2012, Decreto-Lei n.º 140/2017, NP EN 16636:2015), do regime contraordenacional e dos cuidados de proteção animal a respeitar.
Fase 3 · Plano de prevenção (3h) Definição das medidas preventivas por zona, associadas à causa identificada em cada caso.
Fase 4 · Plano de controlo e biocidas (5h) Seleção dos métodos de controlo (físico-mecânico, biotecnológico e químico), escolha do produto químico, leitura de rótulo e FDS, cálculo de dose e definição do EPI.
Fase 5 · Implementação, registo e cronograma (4h) Elaboração do modelo de relatório de intervenção, preenchimento para uma visita fictícia e definição do cronograma de 3 meses.
Fase 6 · Apresentação ao cliente (3h) Apresentação do plano à turma (papel do cliente), com justificação técnica de cada medida proposta.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Diagnóstico por zona e identificação de espécies não-alvo | 20% |
| Enquadramento legal e proteção animal | 10% |
| Plano de prevenção | 15% |
| Plano de controlo, cálculo de dose e EPI | 25% |
| Relatório de intervenção e cronograma | 15% |
| Apresentação e justificação ao cliente | 15% |
Erros comuns
- Propor logo um biocida sem apresentar o diagnóstico e a causa de cada zona.
- Esquecer as espécies não-alvo (polinizadores, animal doméstico) na escolha dos métodos.
- Calcular a dose sem indicar as unidades ou trocar a fórmula.
- Não justificar o EPI escolhido com base num rótulo ou FDS concretos.
- Apresentar um cronograma genérico, sem ligação às zonas e causas identificadas no diagnóstico.
- Esquecer o destino dos resíduos (embalagens vazias, restos de calda) no plano.
Bónus (opcional)
- Desenhar um modelo simples de estação de isco segura, com indicação dos materiais.
- Propor um indicador visual (ex.: gráfico simples) para acompanhar a análise de tendências ao longo dos 3 meses.
- Pesquisar, num rótulo real de um produto biocida, o princípio ativo, o tipo de produto (TP) e o tempo de reentrada, e incluir no dossiê.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que o diagnóstico e a análise da causa têm de vir sempre antes da escolha de qualquer método de controlo? E qual foi a decisão mais difícil de justificar tecnicamente ao "cliente" na apresentação, e porquê?