Mini-Projecto · Preparar o terreno de um jardim de bairro
Contexto
A junta de freguesia de uma pequena localidade quer transformar um terreno municipal de 1.200 m², atualmente terra ao abandono e vegetação espontânea, num jardim de bairro com relvado, maciços arbustivos e algumas árvores de sombra. Foste contratado/a, como técnico/a de jardinagem, para preparar o terreno antes da equipa de plantação entrar em ação.
O trabalho não é plantar, é deixar o terreno pronto: caracterizado, corrigido, fertilizado, mobilizado e sem risco de erosão. Trabalhas individualmente ou em grupo de dois ou três, e entregas um dossiê técnico com todas as decisões justificadas, mais o registo do trabalho de campo realizado (real ou simulado, conforme os recursos da escola).
Requisitos
Funcionais
- Plano de amostragem do terreno, com pelo menos duas zonas distintas e o percurso de recolha.
- Interpretação de um boletim de análise (fornecido pelo professor ou construído em conjunto com valores plausíveis) e decisão de correção e fertilização.
- Plano de operações, com sequência, prazos e recursos, para as três zonas previstas (relvado, maciço arbustivo, árvores).
- Escolha do equipamento para cada operação de mobilização, com justificação técnica.
- Medidas de conservação do solo contra a erosão, adequadas à inclinação do terreno.
- Um cálculo de adubação completo, com memória de cálculo.
Não-funcionais
- Identificação clara dos EPI necessários para cada operação.
- Referência às normas legais aplicáveis (DGAV, Lei n.º 26/2013, gestão de resíduos).
- Dossiê organizado, com linguagem técnica precisa e cronograma legível.
- Registo fotográfico ou esquemático das operações (se houver trabalho de campo real).
Fases
Fase 1 · Reconhecimento e plano de amostragem (2h) Visitar o terreno (ou analisar a planta fornecida), dividir em zonas homogéneas, definir os pontos de amostragem em zig-zag para cada zona.
Fase 2 · Recolha e interpretação da análise (3h) Recolher as amostras compostas (ou usar os boletins fornecidos), etiquetar corretamente, interpretar os resultados de pH, matéria orgânica, fósforo e potássio.
Fase 3 · Correção e fertilização (3h) Decidir os corretivos necessários por zona, calcular a dose de fertilização de fundo com memória de cálculo, justificando cada escolha com base no boletim.
Fase 4 · Plano de operações e equipamento (3h) Definir a sequência de mobilização (primária, correção, secundária, nivelamento) por zona, escolher o equipamento e justificar tecnicamente cada escolha.
Fase 5 · Segurança, legislação e conservação do solo (3h) Listar os EPI por operação, identificar a legislação aplicável, propor medidas de conservação do solo contra a erosão.
Fase 6 · Execução e monitorização (4h) Executar (ou simular, com registo detalhado) as operações planeadas, registando o que correu conforme o previsto e o que teve de se ajustar no terreno.
Fase 7 · Dossiê final e apresentação (2h) Compilar o dossiê técnico completo e apresentar à turma as decisões tomadas, com justificação técnica de cada uma.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Plano de amostragem e interpretação da análise | 20% |
| Correção e fertilização, com cálculo correto | 20% |
| Plano de operações e escolha de equipamento | 20% |
| Segurança, legislação e conservação do solo | 15% |
| Execução e monitorização (ou simulação fundamentada) | 15% |
| Dossiê e apresentação | 10% |
Erros comuns
- Planear a fertilização antes de decidir a correção de pH, desperdiçando parte do efeito do adubo.
- Escolher um único plano para o terreno todo, ignorando que zonas diferentes podem ter solos diferentes.
- Esquecer o tempo de reação dos corretivos ao construir o cronograma.
- Apresentar EPI de forma genérica, sem associar cada equipamento a um risco concreto de cada operação.
- Deixar de fora a conservação do solo entre a mobilização e a plantação definitiva.
- Copiar doses de correção de outra situação, sem justificar com o boletim próprio do terreno.
Bónus (opcional)
- Propor um plano de rega de apoio à instalação inicial das espécies.
- Investigar se o terreno tem histórico de uso que justifique análise a parâmetros adicionais, por exemplo condutividade elétrica.
- Desenhar o sitemap do jardim de bairro, cruzando as zonas de solo com a disposição final das espécies.
- Estimar o custo aproximado dos corretivos e fertilizantes necessários para as três zonas.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que dividir o terreno em zonas de amostragem separadas foi importante neste caso, em vez de tratar os 1.200 m² como um só? E que duas decisões tomaste que só foram possíveis por teres seguido a lei do mínimo e não uma fertilização genérica?