Mini-Projecto · Executar uma consola de ângulo em SER, nas três posições
Contexto
A Serralharia Ferreira & Filhos, oficina de fabrico de estruturas metálicas, recebeu uma encomenda de consolas de suporte em ângulo (junta em T) para uma estante industrial. Foste destacado/a como soldador/a para executar os provetes de qualificação antes da produção em série: três juntas em T, uma em cada posição exigida pela encomenda, PA, PB e PF, soldadas por SER (processo 111) segundo a EPS fornecida pelo gabinete técnico.
Trabalhas individualmente, no posto de soldadura da oficina, com elétrodos revestidos, e entregas os três provetes soldados mais um dossiê de acompanhamento com a análise da EPS, o plano de trabalho e o registo de inspeção visual.
Requisitos
Funcionais
- Analisar a EPS fornecida e registar, por escrito, processo, elétrodo, diâmetro, corrente/polaridade e posição para cada provete.
- Elaborar um plano de trabalho com a sequência de operações no posto (preparação, ponteamento, soldadura, escorificação, inspeção).
- Preparar corretamente três juntas em T, alinhadas, esquadrejadas e ponteadas.
- Executar um cordão de ângulo em PA, um em PB e um em PF, com o mesmo elétrodo e diâmetro, um deles em multipasse.
- Realizar a escorificação completa entre passes no provete multipasse.
- Fazer a inspeção visual final dos três provetes e registar os resultados face aos níveis da EN ISO 5817.
Não-funcionais
- Cumprir a estufagem correta do elétrodo, se este for básico.
- Usar corretamente o EPI (máscara/viseira, luvas, avental de cabedal, botas) durante toda a execução.
- Manter o posto de trabalho organizado: cabos sem enrolar mal, rebarbadora e martelo de picar acessíveis, elétrodos na carcaça isotérmica.
- Entregar o dossiê com rigor e clareza, sem inventar valores que não foram medidos.
Fases
Fase 1 · Analisar a EPS e planear (2h) Ler a EPS fornecida, registar os parâmetros de cada provete e elaborar o plano de trabalho, incluindo estimativa de elétrodos e tempos.
Fase 2 · Preparar as juntas (2h) Cortar/receber as chapas, limpar, alinhar, esquadrejar e pontear as três juntas em T.
Fase 3 · Soldar em PA (3h) Estufar o elétrodo se necessário, parametrizar a fonte, soldar o cordão em PA e escorificar.
Fase 4 · Soldar em PB (3h) Ajustar ângulo e intensidade para a posição, soldar o cordão em PB e escorificar.
Fase 5 · Soldar em PF, multipasse (4h) Reduzir intensidade e encurtar o arco, soldar o passe de raiz, escorificar, e soldar o passe de acabamento em técnica de tecelagem.
Fase 6 · Inspeção visual e dossiê (2h) Inspecionar visualmente os três provetes, registar defeitos encontrados face à EN ISO 5817, e fechar o dossiê de acompanhamento.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Análise da EPS e plano de trabalho | 15% |
| Preparação das juntas em T | 10% |
| Qualidade do cordão em PA | 15% |
| Qualidade do cordão em PB | 15% |
| Qualidade do cordão em PF (multipasse + escorificação) | 20% |
| Inspeção visual, registo e critérios de aceitação | 15% |
| EPI, organização do posto e segurança | 10% |
Erros comuns
- Não confirmar a polaridade indicada na EPS antes de ligar a fonte.
- Soldar sem pontear primeiro, deixando a junta distorcer com o calor.
- Manter o mesmo ângulo e intensidade de PA ao mudar para PB ou PF.
- Saltar a escorificação no provete PF por pressa, entre o passe de raiz e o de acabamento.
- Entregar o dossiê com valores de intensidade "de memória", sem corresponder ao que foi realmente usado no posto.
- Tirar o EPI (viseira, luvas) antes do cordão arrefecer completamente.
Bónus (opcional)
- Soldar um quarto provete com elétrodo rutilo nas mesmas três posições e comparar o resultado com o elétrodo básico.
- Seccionar um dos provetes (corte simples) e observar a fusão na raiz do cordão.
- Calcular a taxa de deposição real obtida em cada provete, a partir do tempo de arco aberto e do peso de elétrodos consumidos.
- Propor, por escrito, uma melhoria ao layout do posto de trabalho para reduzir o tempo entre passes no provete multipasse.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que a mesma junta em T exige três técnicas diferentes consoante a posição de soldadura? E, olhando para o provete que correu pior, qual foi a variável de processo (intensidade, ângulo, comprimento de arco ou escorificação) que mais contribuiu para o resultado, e o que farias de forma diferente da próxima vez?