Mini-Projecto · Dossiê de apoio à consulta de periodontologia
Contexto
A clínica dentária "Sorriso Certo" está a rever os seus protocolos de apoio às consultas de periodontologia e pediu à turma de Técnico/a Assistente Dentário para preparar, em grupo, um dossiê completo de apoio a uma consulta de periodontologia, a partir de um caso clínico fictício fornecido pelo professor.
Trabalhas em grupos de três a quatro elementos. O grupo não diagnostica nem decide o tratamento (isso é sempre simulado como decisão do "médico dentista" do caso), mas prepara todo o material de apoio que um TAD prepararia na vida real: registo do periodontograma, ficha de preparação de material, protocolo de reprocessamento e ficha de segurança.
O caso clínico fornecido pelo professor descreve, no mínimo, a identificação do utente, os dentes observados, os valores de sondagem e hemorragia recolhidos pelo médico dentista, e uma breve nota sobre fatores de risco locais ou sistémicos relevantes (por exemplo, tabagismo ou diabetes). O grupo trabalha exclusivamente com os dados fornecidos, sem acrescentar informação clínica que o caso não contenha.
Requisitos
Funcionais
- Ficha de anatomia: identificação das estruturas do periodonto relevantes para o caso.
- Periodontograma preenchido a partir dos valores fornecidos no caso clínico (mínimo 4 dentes, 6 pontos por dente).
- Classificação do quadro (gengivite ou periodontite) com justificação baseada nos critérios estudados, redigida como "hipótese a confirmar pelo médico dentista".
- Ficha de preparação de material para o tratamento indicado no caso (destartarização, RAR ou cirurgia).
- Protocolo de reprocessamento do instrumental usado, com as etapas do ciclo completo.
- Ficha de segurança com o EPI necessário e o procedimento em caso de acidente com picada.
Não-funcionais
- Linguagem rigorosa, sem inventar valores de referência que não constem do caso fornecido ou da sebenta.
- Documento organizado e navegável, com títulos e tabelas claras.
- Identificação explícita, em cada ponto, do que é competência do TAD e do que é decisão do médico dentista.
Fases
Fase 1 · Análise do caso clínico (2h) Leitura do caso fornecido pelo professor; identificação das estruturas anatómicas e dos sinais descritos.
Fase 2 · Periodontograma (3h) Preenchimento do periodontograma com os valores do caso; identificação dos pontos fora da referência saudável.
Fase 3 · Classificação do quadro (2h) Redação da hipótese (gengivite ou periodontite), com justificação baseada nos critérios estudados na sebenta.
Fase 4 · Preparação do tratamento (3h) Ficha de material necessário para o tratamento indicado no caso, e sequência de preparação da sala.
Fase 5 · Protocolo de reprocessamento (3h) Descrição do ciclo completo de limpeza e esterilização do instrumental usado no caso.
Fase 6 · Ficha de segurança (1h) EPI necessário e procedimento em caso de acidente com picada ou corte.
Fase 7 · Apresentação (2h) Apresentação do dossiê à turma, explicando as decisões tomadas em cada ficha.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Ficha de anatomia correta e completa | 10% |
| Periodontograma bem preenchido | 20% |
| Classificação do quadro e justificação | 20% |
| Ficha de preparação de material | 20% |
| Protocolo de reprocessamento | 15% |
| Ficha de segurança | 10% |
| Apresentação e dossiê | 5% |
Erros comuns
- Diagnosticar o caso em vez de apresentar uma hipótese a confirmar pelo médico dentista.
- Periodontograma incompleto, faltando pontos ou dentes pedidos no caso.
- Inventar valores de referência que não constam do caso nem da sebenta.
- Confundir destartarização com raspagem e alisamento radicular na ficha de preparação de material.
- Esquecer o registo de rastreabilidade no protocolo de reprocessamento.
- Ficha de segurança genérica, sem ligação ao caso concreto do grupo.
Bónus (opcional)
- Preparar também a ficha de preparação de material para um cenário alternativo de agravamento do caso (por exemplo, aparecimento de um abcesso).
- Propor uma melhoria ao protocolo interno de reprocessamento da clínica fictícia, com justificação.
- Elaborar um pequeno guião de comunicação ao utente com as instruções de higiene oral relevantes para o caso.
- Incluir na ficha de segurança uma tabela de classificação dos instrumentos do caso segundo a classificação de Spaulding (críticos, semicríticos, não críticos).
Reflexão
No dossiê final, responde: por que razão o TAD nunca deve escrever "diagnóstico" no periodontograma, mesmo quando os sinais parecem óbvios? E identifica duas situações deste projecto em que um erro de registo do TAD poderia comprometer a segurança do utente.
Discute ainda, em grupo, o seguinte cenário: se, ao preencherem o periodontograma, encontrarem um valor que parece incompatível com os restantes (por exemplo, muito mais alto do que todos os outros pontos do mesmo dente), qual é a atitude correta, corrigir o valor por parecer um erro de transcrição, ou registá-lo tal como está e sinalizar a dúvida? Justifica a resposta com base no papel do TAD descrito na sebenta.