Mini-Projecto · Orçamento analítico do molde MX-330
Contexto
A oficina de moldes MoldTec Ibérica recebeu uma encomenda de um cliente: o molde MX-330, de 4 cavidades, canal frio, para uma caixa de um leitor de cartões em ABS. Foste destacado/a como orçamentista para produzir o orçamento analítico completo, seguindo o método e a tabela oficial de preços da sebenta (capítulo 6). Todos os dados técnicos vêm já fornecidos; não precisas de desenhar nem modelar a peça, só de orçamentar.
Dados fornecidos pelo departamento de projeto:
Catálogo de blocos padrão (aço 1.2738 pré-temperado) disponíveis no fornecedor habitual: 300 × 200 × 80 mm; 380 × 250 × 100 mm; 450 × 300 × 120 mm.
- Placa de cavidades: dimensões necessárias 380 × 250 × 100 mm.
- Placa de núcleos: dimensões necessárias 380 × 250 × 80 mm.
- Postiços (aço 1.2344): 8 unidades (4 de cavidade + 4 de macho), 0,55 dm³ cada.
- Componentes normalizados: 1 jogo de colunas-guia, 1 jogo de casquilhos-guia, 1 bucha de injeção, 1 anel de centragem, 16 extratores cilíndricos (as 4 cavidades exigem mais pontos de extração do que um molde de cavidade única).
- Relatório de simulação de maquinação (tempos por área, já discriminados em produtivo e improdutivo):
| Área | Total | Produtivo | Improdutivo |
|---|---|---|---|
| Projeto / CAD-CAM | 30 h | 30 h | 0 h |
| Maquinação CNC | 70 h | 58 h | 12 h |
| Eletroerosão | 22 h | 18 h | 4 h |
| Retificação | 14 h | 11 h | 3 h |
| Ajustagem / bancada (montagem) | 38 h | 30 h | 8 h |
| Ensaios na injetora (ensaio) | 10 h | 8 h | 2 h |
- Tratamento térmico dos postiços (nitruração): a MoldTec Ibérica não tem forno próprio, é sempre subcontratado. Orçamento fixo do fornecedor: €520,00.
- Operação especial: um furo de refrigeração em ângulo, fora do relatório de simulação acima. Pode ser feito internamente (6 h de maquinação CNC, ao preço de mão de obra e de hora-máquina da tabela oficial), em 2 dias, ou subcontratado por um valor fixo de €430,00, em 5 dias. O calendário do projeto tem 6 dias de folga até à entrega ao cliente.
Requisitos
Funcionais
- Identificar, para cada placa (cavidades e núcleos), se as dimensões pedidas coincidem com um bloco do catálogo padrão. Quando não coincidem, comparar em euros a opção de bloco de catálogo mais desbaste CNC com a opção de corte à medida, incluindo as horas de maquinação extra, e aplicar a mais vantajosa.
- Construir a BOM completa do MX-330: matéria-prima, componentes normalizados e ferramentas de corte e consumíveis.
- Calcular massas, volumes e custos de matéria-prima com a densidade e os preços da tabela oficial.
- A partir do relatório de simulação, calcular o custo de mão de obra e de hora-máquina por área, incluindo montagem e ensaio.
- Decidir e justificar, com base no prazo disponível, se a operação especial é feita internamente ou subcontratada.
- Aplicar o orçamento fixo do tratamento térmico dos postiços.
- Calcular o custo direto total, os custos indiretos (15%) e os imprevistos (8%).
- Calcular o custo total (CT), a margem (markup de 20% sobre o custo), o preço de venda sem IVA, o IVA (23%) e o preço de venda final.
- Entregar um único documento de orçamento, auditável, com todas as rubricas justificadas.
Não-funcionais
- Todos os cálculos em folha de cálculo (Excel ou LibreOffice Calc), com fórmulas visíveis, nunca valores fixos escritos à mão.
- Arredondamento a duas casas decimais em cada rubrica, aplicado só no fim de cada cálculo, nunca a meio.
- Uma única tabela de preços em todo o documento, a da sebenta; nenhum valor inventado ou vindo de outra fonte.
- Documento revisto por um colega antes da entrega, com registo escrito de que rubrica foi verificada.
Fases
Fase 1 · Análise dos dados e do catálogo de blocos (1h) Ler os dados fornecidos. A placa de cavidades coincide exatamente com um bloco do catálogo, não há decisão a tomar. Para a placa de núcleos, que não tem bloco exato em catálogo, comparar em euros as duas opções: comprar o bloco de catálogo mais próximo e desbastar até à medida (custo de material mais horas extra de maquinação CNC), ou encomendar corte à medida (sem desbaste extra). Decidir com base no total, não só no preço do material.
Fase 2 · BOM e custo de matéria-prima (3h) Calcular volumes, massas e custos das duas placas e dos postiços; construir a tabela de componentes normalizados; somar as ferramentas de corte e consumíveis.
Fase 3 · Tempos produtivos e improdutivos (2h) Organizar o relatório de simulação numa tabela por área, com os totais de tempo produtivo e improdutivo.
Fase 4 · Mão de obra e hora-máquina (3h) Calcular o custo de mão de obra (horas totais de cada área) e o custo de hora-máquina (só as áreas com máquina própria).
Fase 5 · Subcontratação (2h) Aplicar o custo fixo do tratamento térmico; decidir e justificar, por escrito, a operação especial do furo de refrigeração.
Fase 6 · Custo direto, indiretos e imprevistos (2h) Somar todas as rubricas diretas; calcular os indiretos (15%) e os imprevistos (8%); chegar ao custo total (CT).
Fase 7 · Margem, IVA e preço final (2h) Aplicar o markup de 20% sobre o custo, calcular o preço de venda sem IVA, o IVA (23%) e o preço de venda final. Confirmar a margem sobre venda equivalente.
Fase 8 · Revisão, dossiê e apresentação (3h) Revisão cruzada com um colega, correção do que faltar, e apresentação do orçamento à turma com a fundamentação de cada rubrica.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| BOM e matéria-prima, com comparação numérica correta entre bloco de catálogo + desbaste CNC e corte à medida | 15% |
| Tempos produtivos e improdutivos por área | 10% |
| Mão de obra e hora-máquina | 15% |
| Decisão de subcontratação, justificada pelo prazo disponível | 10% |
| Custos indiretos, imprevistos e custo total (CT) | 15% |
| Margem, IVA e preço final, sem confundir markup com margem sobre venda | 15% |
| Documento auditável (fórmulas visíveis, uma só tabela de preços, rubricas justificadas) | 10% |
| Revisão por um colega e apresentação | 10% |
Erros comuns
- Aplicar sempre o preço de corte à medida "por segurança", sem verificar se a placa coincide com um bloco de catálogo, e inflacionar o orçamento sem necessidade; ou, no sentido inverso, escolher o bloco de catálogo só por ser mais barato por quilo, sem contar as horas de desbaste que ele pode exigir.
- Esquecer que o tempo improdutivo (afinação, trocas de ferramenta) também é pago e entra no orçamento.
- Calcular a mão de obra e esquecer a hora-máquina (ou vice-versa), subestimando o custo real de cada operação.
- Aplicar os indiretos ou os imprevistos sobre uma base errada, por exemplo sobre o custo já com indiretos incluídos.
- Escolher a opção mais barata numa decisão de subcontratação sem verificar se cumpre o prazo disponível.
- Confundir markup sobre o custo com margem sobre venda, ou calcular a margem sobre um preço que já inclui IVA.
- Entregar um documento com valores fixos em vez de fórmulas, impossível de recalcular se um dado mudar.
Bónus (opcional)
- Refazer o orçamento com canal quente em vez de canal frio e discutir, em texto, que rubricas subiriam e porquê (a tabela oficial não tem um preço próprio para canal quente, o exercício é de raciocínio, não de cálculo).
- Construir um gráfico de barras com o peso de cada rubrica (matéria-prima, mão de obra, hora-máquina, indiretos, imprevistos, margem, IVA) no preço final.
- Analisar a sensibilidade do preço final a uma subida de 10% no preço do aço 1.2738, mantendo tudo o resto igual.
- Propor, por escrito, um plano de contingência caso o fornecedor do tratamento térmico atrase a entrega.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que decidir sempre pela opção de subcontratação mais barata, sem olhar ao prazo, pode custar mais caro à empresa do que a diferença em euros entre as duas opções? E: se o preço do aço subisse 10% depois de o orçamento já ter sido aceite pelo cliente, quem suporta essa diferença, a empresa ou o cliente, e que rubrica do documento devia ter previsto este risco?