Mini-Projecto · Montar o conjunto macho de um molde de duas cavidades
Contexto
A oficina "Ferramenta Center" recebeu de um cliente os componentes maquinados do conjunto macho de um molde de injeção de duas cavidades, para uma peça de plástico técnico. As placas, colunas-guia, cavilhas, extratores e parafusos já saíram da maquinação, do tratamento térmico e da retificação, mas ainda não estão montados.
A tua equipa foi destacada para validar cada componente contra o desenho, estabelecer a sequência de montagem, executar a montagem completa e entregar o conjunto pronto a ser acoplado à cavidade e testado na máquina de injeção. O cliente exige um dossiê de montagem: registo de medições, ajustamentos usados, binários aplicados e verificação funcional.
Trabalhas em equipa de 2 a 3 elementos, com o desenho de montagem, o desenho de fabrico de cada componente, a lista de materiais e os instrumentos de medida e ferramentas da oficina.
Requisitos
Funcionais
- Analisar o desenho de montagem e a lista de materiais fornecidos, confirmando que todos os componentes estão presentes.
- Medir e validar os componentes críticos: colunas-guia (Ø20 H7/g6), cavilhas de centragem (Ø12 H7/m6) e furos de guiamento do sistema de extração, registando cada medição.
- Estabelecer e documentar a sequência de montagem, por escrito, antes de montar.
- Executar a montagem: centramento primeiro, componentes funcionais depois, fixação por último em padrão cruzado.
- Calcular e aplicar o binário de aperto correto dos parafusos de fixação (M10 e M8, classe 12.9), com chave dinamométrica.
- Verificar a cadeia de cotas da altura fechada do conjunto contra a especificação do desenho.
- Simular manualmente o ciclo (fecho, extração, abertura) e detetar e corrigir qualquer anomalia antes da entrega.
Não-funcionais
- Registo completo das medições e decisões (aceite / retrabalhado / rejeitado) para cada componente crítico.
- Uso correto do EPI e das regras de movimentação de cargas em toda a montagem.
- Acabamento das zonas de deslizamento verificado por escala de rugosidade ou rugosímetro.
- Ferramentas e instrumentos de medida devolvidos ao lugar e limpos no final.
- Cumprimento do prazo de 20 horas de equipa.
Fases
Fase 1 · Análise de requisitos e do desenho (2h) Ler o desenho de montagem, o desenho de fabrico de cada componente e a lista de materiais. Confirmar que todos os componentes da lista estão fisicamente presentes.
Fase 2 · Medição e validação dos componentes (4h) Medir as colunas-guia, cavilhas e furos críticos com o instrumento adequado a cada tolerância. Registar cada valor e decidir aceite, retrabalhado ou rejeitado.
Fase 3 · Estabelecer a sequência de montagem (2h) Documentar por escrito a ordem de montagem: centramento, componentes funcionais, fixação, verificação. Identificar riscos de segurança de cada etapa (cargas, entalamento).
Fase 4 · Montagem do centramento (3h) Montar as colunas-guia e casquilhos-guia, e as cavilhas de centragem, pela ordem definida (cavilhar antes de aparafusar).
Fase 5 · Montagem funcional e fixação (4h) Montar os componentes de extração. Calcular o binário de aperto dos parafusos M10 e M8 e apertar em padrão cruzado com chave dinamométrica.
Fase 6 · Verificação, simulação e cadeia de cotas (3h) Verificar a cadeia de cotas da altura fechada contra a especificação. Simular manualmente o ciclo completo e corrigir qualquer anomalia detetada.
Fase 7 · Segurança, dossiê e apresentação (2h) Fechar o dossiê de montagem (medições, ajustamentos, binários, verificação). Apresentar o conjunto e as decisões tomadas à turma.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Análise de requisitos e leitura do desenho | 10% |
| Medição e validação dos componentes (rigor e registo) | 20% |
| Sequência de montagem documentada | 10% |
| Montagem do centramento (ajustamentos corretos) | 20% |
| Montagem funcional e binários de aperto corretos | 20% |
| Verificação, cadeia de cotas e simulação | 10% |
| Segurança e organização | 10% |
Erros comuns
- Começar a montar sem confirmar que a lista de materiais está completa.
- Aceitar um componente "porque a diferença é pequena", sem respeitar o intervalo de tolerância.
- Aparafusar antes de cavilhar, perdendo a referência de centramento.
- Apertar parafusos sem chave dinamométrica ou fora do padrão cruzado.
- Não verificar a cadeia de cotas antes de dar o conjunto por terminado.
- Simular o ciclo uma única vez e assumir que está tudo bem.
- Limpar componentes com solvente sem ventilação ou sem o EPI adequado.
Bónus (opcional)
- Propor uma melhoria concreta ao sistema de extração com base numa anomalia detetada na simulação.
- Calcular o binário de aperto para uma classe de parafuso diferente (ex.: 10.9) e comparar com a classe 12.9 usada.
- Elaborar uma escala de verificação de rugosidade própria da equipa, com amostras reais tocadas e comparadas.
- Filmar a simulação do ciclo completo para o dossiê de entrega ao cliente.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que a cavilha de centragem se monta sempre antes dos parafusos de fixação, e não depois? E identifica uma decisão de segurança concreta que a tua equipa tomou durante a montagem, explicando o risco que evitou.