Mini-Projeto · Ler, verificar e comunicar o projeto de um centro comunitário
Contexto
Uma associação local vai abrir um centro comunitário de um piso, o edifício C1, e pediu à empresa de segurança onde trabalhas uma revisão dos desenhos antes do início da obra. O projetista enviou as peças desenhadas em formato descritivo (tabelas de cotas), em vez de plantas em papel. A tua missão é interpretar o projeto, redesenhar a planta à escala, verificar áreas, vãos e alturas, analisar a segurança (queda, sinalização, evacuação, acessibilidades) e entregar um relatório de desvios com recomendações.
Trabalhas individualmente ou a pares, com papel quadriculado (ou CAD), esquadros, escalímetro e calculadora, e entregas um dossiê com todos os cálculos, desenhos e conclusões.
Dados do projeto (edifício C1)
Legenda do desenho: «Centro comunitário, edifício C1, planta do piso 0, escala 1:100, formato A3, revisão B». Cotas em metros. Paredes exteriores de 0,30 m e interiores de 0,15 m. Interior total de 18,00 × 12,00 m (exterior de 18,60 × 12,60 m).
Disposição (de sul para norte, três faixas separadas por paredes de 0,15 m):
| Faixa | Profundidade livre | Compartimentos, de oeste para este (larguras livres) |
|---|---|---|
| Sul | 6,00 | sala polivalente 10,00; secretaria 3,60; arrumos 4,10 (paredes de 0,15 entre eles) |
| Central | 1,40 | corredor de 18,00 |
| Norte | 4,30 | balneário M 3,00; balneário F 3,00; WC acessível 2,40; sala de apoio 9,15 (paredes de 0,15 entre eles) |
Cadeia de cotas da fachada sul (parciais): 0,30; 10,00; 0,15; 3,60; 0,15; 4,10; 0,30. Cota total escrita: 18,70.
Sistema de eixos da planta: origem na face exterior do canto sudoeste; x cresce de oeste para este e y de sul para norte (em metros). Paredes exteriores de 0,30 e interiores de 0,15. As posições dos vãos indicam o intervalo ocupado ao longo da parede, medido nesse sistema.
| Elemento | Intervalo ocupado (m) |
|---|---|
| Faixa sul (profundidade livre 6,00) | y de 0,30 a 6,30 |
| Parede entre a faixa sul e o corredor | y de 6,30 a 6,45 |
| Corredor (profundidade livre 1,40) | y de 6,45 a 7,85 |
| Parede entre o corredor e a faixa norte | y de 7,85 a 8,00 |
| Faixa norte (profundidade livre 4,30) | y de 8,00 a 12,30 |
| Sala polivalente | x de 0,30 a 10,30 |
| Secretaria | x de 10,45 a 14,05 |
| Arrumos | x de 14,20 a 18,30 |
| Balneário M | x de 0,30 a 3,30 |
| Balneário F | x de 3,45 a 6,45 |
| WC acessível | x de 6,60 a 9,00 |
| Sala de apoio | x de 9,15 a 18,30 |
Mapa de vãos:
| Vão | Localização | Posição (m) | Dimensões (m) | Observações |
|---|---|---|---|---|
| PE1 | entrada principal, parede sul da sala | x de 5,00 a 6,60 | 1,60 × 2,10 | duas folhas, abre para o exterior |
| PE2 | saída lateral, parede oeste da sala | y de 2,40 a 3,60 | 1,20 × 2,10 | abre para o exterior |
| PS3 | saída do corredor, parede este | y de 6,55 a 7,75 | 1,20 × 2,10 | abre para o interior |
| P2 | sala para corredor | x de 8,00 a 9,20 | 1,20 × 2,10 | (nenhuma) |
| P3 | secretaria, parede entre a faixa sul e o corredor | x de 11,80 a 12,70 | 0,90 × 2,10 | (nenhuma) |
| P4 | arrumos, parede entre a faixa sul e o corredor | x de 15,80 a 16,70 | 0,90 × 2,10 | (nenhuma) |
| P5 | balneário M, parede entre o corredor e a faixa norte | x de 1,35 a 2,25 | 0,90 × 2,10 | (nenhuma) |
| P6 | balneário F, parede entre o corredor e a faixa norte | x de 4,50 a 5,40 | 0,90 × 2,10 | (nenhuma) |
| P7 | WC acessível, parede entre o corredor e a faixa norte | x de 7,40 a 8,10 | 0,70 × 2,10 | (nenhuma) |
| P8 | sala de apoio, parede entre o corredor e a faixa norte | x de 12,00 a 12,90 | 0,90 × 2,10 | (nenhuma) |
| J1 | sala polivalente, parede sul | x de 1,00 a 2,50 | 1,50 × 1,20, peitoril 0,90 | (nenhuma) |
| J2 | sala polivalente, parede sul | x de 3,00 a 4,50 | 1,50 × 1,20, peitoril 0,90 | (nenhuma) |
| J3 | sala polivalente, parede sul | x de 7,50 a 9,00 | 1,50 × 1,20, peitoril 0,90 | (nenhuma) |
| J4 | secretaria, parede sul | x de 11,55 a 12,75 | 1,20 × 1,20, peitoril 0,90 | (nenhuma) |
| J5 | sala de apoio, parede norte | x de 10,00 a 11,50 | 1,50 × 1,20, peitoril 0,90 | (nenhuma) |
| J6 | sala de apoio, parede norte | x de 13,00 a 14,50 | 1,50 × 1,20, peitoril 0,90 | (nenhuma) |
| J7 | sala de apoio, parede norte | x de 16,00 a 17,50 | 1,50 × 1,20, peitoril 0,90 | (nenhuma) |
| J8 | balneário M, parede norte | x de 1,50 a 2,10 | 0,60 × 0,60, peitoril 1,60 | (nenhuma) |
| J9 | balneário F, parede norte | x de 4,65 a 5,25 | 0,60 × 0,60, peitoril 1,60 | (nenhuma) |
| J10 | WC acessível, parede norte | x de 7,50 a 8,10 | 0,60 × 0,60, peitoril 1,60 | (nenhuma) |
Corte AA (transversal): pavimento acabado +0,00; pé-direito 3,00; laje de cobertura com 0,30; platibanda com 0,50 acima da laje; cobertura plana, com acesso para manutenção.
Acessos e valores de exercício: a entrada principal tem uma rampa que vence 0,30 m de desnível em 3,00 m de comprimento horizontal. Valores de exercício a usar: inclinação máxima de rampa 6 %; largura útil mínima das portas de WC acessível 0,80 m; largura livre mínima de corredor 1,20 m; círculo de manobra de 1,50 m de diâmetro; distância máxima a percorrer até uma saída 30,0 m; altura mínima de guarda de cobertura 1,10 m.
Percurso de evacuação medido na planta a 1:100, do ponto mais afastado do balneário M até PS3: 58 mm dentro do balneário até à porta, 165 mm no corredor e 7 mm até ao exterior.
Requisitos
Funcionais
- Preencher uma ficha de identificação do desenho (conteúdo, piso, revisão, escala, formato, versão vigente).
- Verificar que a cadeia de cotas fecha, indicando o erro quando não fechar.
- Redesenhar a planta à escala 1:100 em A3 (papel ou CAD), com paredes, vãos, designações e cotas em três níveis.
- Calcular a área útil de cada compartimento e verificar o total por duas vias.
- Elaborar o mapa de vãos com áreas parciais e totais de portas e janelas.
- Desenhar o corte AA com cotas de nível (teto, face superior da laje, topo da platibanda).
- Verificar a escala de uma cópia reduzida e converter pelo menos 3 medidas do papel para a realidade.
- Analisar a segurança: queda em altura, sinalização (categorias do Decreto-Lei 141/95), evacuação e acessibilidades.
- Esboçar a planta de emergência do piso, com legenda, posição «Está aqui» e vias de evacuação.
- Redigir o relatório de desvios com risco, recomendação e prioridade, respeitando a hierarquia de medidas de prevenção.
Não-funcionais
- Unidades sempre indicadas; cálculos escritos passo a passo e conferidos.
- Linguagem clara e precisa, com referência ao desenho, à medida e à ação em cada desvio.
- Citações legais pelo diploma e pela redação consultada, sem valores de memória.
- Organização do dossiê e cumprimento das normas de segurança e saúde no trabalho no posto de desenho.
Fases
Fase 1 · Identificação e planeamento (2h) Ler a legenda, preencher a ficha de identificação, listar os documentos e dados disponíveis e planear a ordem de trabalho.
Fase 2 · Planta, cotas e áreas (4h) Verificar a cadeia de cotas, desenhar a planta a 1:100, cotar em três níveis e calcular as áreas úteis, com a verificação por duas vias.
Fase 3 · Vãos, corte e alturas (3h) Elaborar o mapa de vãos com áreas, desenhar o corte AA com as cotas de nível e identificar os bordos e as alturas críticos.
Fase 4 · Escalas e conversões (2h) Resolver a cópia reduzida, converter medidas do papel para a realidade e justificar a escolha da escala.
Fase 5 · Análise de segurança e planta de emergência (5h) Analisar a queda em altura, a sinalização, a evacuação e as acessibilidades; esboçar a planta de emergência com legenda e vias.
Fase 6 · Relatório de desvios (3h) Registar cada desvio com evidência, avaliar o risco, recomendar a correção por ordem de prioridade e redigir a mensagem para o diretor de obra.
Fase 7 · Apresentação e reflexão (1h) Apresentar o dossiê à turma, explicando os desvios mais graves e o método de leitura.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Identificação e leitura do desenho | 10% |
| Planta, cotagem e áreas | 20% |
| Mapa de vãos, corte e alturas | 15% |
| Escalas e conversões | 10% |
| Análise de segurança (queda, sinalização, evacuação, acessibilidades) | 20% |
| Relatório de desvios e recomendações | 15% |
| Dossiê, comunicação e apresentação | 10% |
Erros comuns
- Medir no papel em vez de usar as cotas escritas e não somar as cadeias.
- Usar a escala escrita numa cópia reduzida sem a corrigir.
- Calcular a área útil por cima das paredes em vez de pelas dimensões livres.
- Tratar o vão como largura útil de passagem.
- Ler alturas na planta em vez de no corte.
- Esquecer o sentido de abertura das portas de saída.
- Citar valores legais de memória em vez de consultar a redação em vigor.
- Escrever desvios sem medida, sem local e sem ação.
Bónus (opcional)
- Fazer a perspetiva isométrica de um canto da sala polivalente, com as paredes cortadas e um vão.
- Calcular o volume de betão da laje de cobertura (234,36 m² × 0,30 m = 70,308 m³) e comparar com a sua estimativa pela planta.
- Desenhar a planta de estaleiro do edifício C1 num lote de 40,00 × 25,00 m, à escala 1:200, com grua de raio 18,0 m e ponto de reunião.
- Propor um modelo próprio de ficha de registo de desvios em formato de folha de cálculo.
Reflexão
No dossiê final, responde: qual foi o desvio cuja deteção dependeu apenas de somar números e qual dependeu de conhecer a regulamentação? E se tivesses recebido apenas uma fotocópia reduzida sem escala gráfica, como terias garantido a fiabilidade das medidas e que atitudes profissionais (rigor, ética, assertividade) foram decisivas?