Mini-Projecto · Programa de atividade física inclusiva para um grupo com necessidades diferenciadas
Contexto
Um município vai abrir, no pavilhão desportivo municipal, um programa de atividade física inclusiva com sessões duas vezes por semana, durante dez semanas. O grupo inicial tem oito pessoas com perfis diferentes:
- Beatriz, 16 anos, paralisia cerebral, usa cadeira de rodas manual, tem fadiga fácil e quer experimentar um desporto de equipa.
- Rafael, 24 anos, cego de nascença, autónomo nas deslocações, quer jogar e melhorar a condição física.
- Carolina, 11 anos, surda, utiliza Língua Gestual Portuguesa, adora jogos de bola.
- Duarte, 19 anos, trissomia 21, aprende melhor com demonstração e repetição, muito sociável.
- Leonor, 9 anos, perturbação do espetro do autismo, sensível a ruídos fortes, precisa de rotinas previsíveis.
- Sr. António, 71 anos, hipertenso (com medicação), com queixas de equilíbrio e uma queda no último ano.
- Marta, 38 anos, diabetes tipo 2 e IMC de 32, sedentária.
- Helena, 29 anos, grávida de 20 semanas, saudável, com autorização da equipa de saúde.
Foste destacado/a como Técnico/a de Desporto responsável pelo programa. Tens de avaliar o grupo, desenhar e planear o programa, preparar as adaptações e conduzir (em simulação ou numa sessão real) uma sessão inclusiva, incluindo uma introdução a uma das modalidades de desporto adaptado do referencial (Goalball, voleibol sentado, futebol para cegos ou Boccia). Trabalhas individualmente ou em pequeno grupo e entregas um dossiê com todos os documentos.
Requisitos
Funcionais
- Elaborar uma ficha de avaliação inicial com rastreio de risco, informação de saúde, competências-base, necessidades e expectativas, e aplicá-la, em simulação, a pelo menos três dos praticantes.
- Fazer a estratificação de risco do grupo, indicando quem pode iniciar, quem precisa de autorização médica e que sinais exigem encaminhamento.
- Selecionar pelo menos quatro instrumentos de avaliação da condição física adequados aos perfis, justificando as adaptações.
- Definir objetivos gerais do programa e objetivos individuais mensuráveis para pelo menos quatro praticantes.
- Elaborar a prescrição em FITT-VP para pelo menos três praticantes de populações diferentes.
- Planear um mesociclo de seis semanas (microciclo tipo e progressão) e duas sessões completas, com parte inicial, fundamental e final.
- Aplicar o modelo STEP e o espetro de inclusão às atividades, indicando produtos de apoio, materiais e equipamentos.
- Preparar uma introdução a uma modalidade de desporto adaptado (regras essenciais, terminologia, progressão de ensino).
- Definir estratégias de comunicação e de feedback adaptadas a cada perfil.
- Elaborar um plano de segurança e de emergência que preveja pelo menos quatro situações críticas.
- Fazer a avaliação do treino: instrumentos, indicadores e critérios de ajuste.
Não-funcionais
- Linguagem respeitosa, centrada na pessoa, sem termos pejorativos nem rótulos.
- Confidencialidade dos dados de saúde: documentos identificados por código ou nome próprio apenas, sem informação desnecessária.
- Documentos claros e organizados, com nomenclatura consistente.
- Demonstração de liderança (conduzir o grupo, distribuir papéis), de autonomia no âmbito das funções (decidir dentro dos limites do técnico e encaminhar o resto) e de empenho e persistência (testar alternativas de adaptação perante a dificuldade de um praticante).
- Respeito pelas normas de segurança, pelas regras da instalação e pelos limites de atuação do técnico, com encaminhamento sempre que necessário.
- Referência correta ao enquadramento legal aplicável (Constituição, Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, legislação desportiva), indicando a fonte consultada e a redação em vigor.
Fases
Fase 1 · Análise dos perfis e avaliação (3h) Ler os perfis, identificar barreiras e potencialidades de cada pessoa à luz da CIF; construir a ficha de avaliação inicial e o rastreio; aplicar a três praticantes (em simulação) e registar os resultados.
Fase 2 · Estratificação de risco e instrumentos (3h) Estratificar o risco; escolher e adaptar os instrumentos de avaliação (por exemplo, levantar da cadeira, Timed Up and Go, ergómetro de braços, perceção de esforço); definir o que exige autorização médica.
Fase 3 · Objetivos e prescrição (3h) Definir objetivos gerais e individuais; prescrever em FITT-VP para três praticantes de populações diferentes; indicar cuidados específicos.
Fase 4 · Planeamento do mesociclo e das sessões (4h) Planear o mesociclo de seis semanas; desenhar duas sessões completas; aplicar STEP e espetro de inclusão; listar produtos de apoio e materiais.
Fase 5 · Desporto adaptado (2h) Preparar a introdução à modalidade escolhida: regras essenciais, terminologia, progressão de ensino e adaptações para o grupo.
Fase 6 · Comunicação, segurança e emergência (2h) Definir estratégias de comunicação e feedback por perfil; elaborar o plano de segurança e de emergência.
Fase 7 · Aplicação, avaliação e apresentação (3h) Conduzir uma sessão (real ou simulada) ou apresentá-la em demonstração; recolher feedback; propor ajustes; apresentar o dossiê à turma.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Avaliação inicial, rastreio e estratificação de risco | 15% |
| Instrumentos de avaliação e objetivos | 10% |
| Prescrição em FITT-VP adequada a cada população | 20% |
| Planeamento, sessões, adaptação e inclusão (STEP, espetro, produtos de apoio) | 20% |
| Desporto adaptado: regras, terminologia e progressão | 10% |
| Comunicação, segurança e plano de emergência | 15% |
| Dossiê, linguagem e apresentação | 10% |
Erros comuns
- Escolher atividades e testes iguais para todos os praticantes, sem individualizar.
- Começar a prescrição sem rastreio nem estratificação de risco.
- Usar a fórmula de frequência cardíaca máxima em quem toma bloqueadores beta.
- Esquecer a medicação, a glicemia e os sinais de alerta na gravidez.
- Adaptar só o equipamento e esquecer o espaço, a tarefa e as pessoas (STEP).
- Separar permanentemente quem tem deficiência, sem razão técnica, em vez de incluir.
- Falar com o acompanhante e não com o praticante, ou ajudar sem perguntar.
- Usar sinais sonoros como única comunicação com a Carolina, ou sinais só visuais com o Rafael.
- Não descrever as regras essenciais da modalidade de forma rigorosa (por exemplo, a regra do contacto com o chão no voleibol sentado ou o papel do assistente no Boccia).
- Esquecer o plano de emergência e o DAE.
- Ultrapassar o âmbito profissional: diagnosticar ou alterar medicação.
- Divulgar dados de saúde ou imagens sem autorização.
Bónus (opcional)
- Elaborar um guia ilustrado de uma página para os praticantes, com a estrutura da sessão em imagens.
- Propor um evento de desporto unificado de final de programa, com famílias e voluntários.
- Construir um registo de progresso simples, com gráficos legíveis para os praticantes.
- Desenhar uma sessão de formação de 30 minutos para voluntários sobre como apoiar sem fazer pelo outro.
- Propor um circuito inclusivo que possa ser repetido em casa, com materiais do dia a dia.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que a avaliação inicial e o rastreio vêm antes da prescrição? E descreve uma decisão de adaptação que tomaste (por exemplo, trocar um sinal sonoro por um visual, ou reduzir o impacto para a Marta) e como verificaste que a pessoa participava e se sentia segura. Indica ainda uma situação em que tiveste de insistir noutra alternativa de adaptação e outra em que encaminhaste um assunto que excedia as tuas funções.