Mini-Projecto · Plano de controlo da qualidade da água de um balneário termal
Contexto
As "Termas da Serra Verde", um pequeno estabelecimento termal com água sulfúrea de origem granítica, vão reforçar o seu sistema de controlo da qualidade da água depois de uma visita de fiscalização ter recomendado melhorias na documentação. Foste contratado/a, como técnico/a de termalismo, para construir o plano de controlo de qualidade da água do estabelecimento: da caracterização da origem até ao plano de amostragem, passando pela interpretação de boletins e pela definição de medidas preventivas.
Trabalhas individualmente ou a pares, e entregas um dossiê técnico completo, pronto a apresentar à direção do estabelecimento.
Requisitos
Funcionais
- Ficha de caracterização da origem: tipo de aquífero, classificação hidroquímica e pela temperatura de emergência, com justificação.
- Enquadramento legal: identificação do regime jurídico do termalismo e das entidades com tutela sobre o recurso e sobre a saúde.
- Mapa do circuito da água, da captação ao ponto de uso final, com identificação de, no mínimo, 4 pontos críticos.
- Plano de amostragem, com pontos, frequência e parâmetros, para todos os pontos críticos identificados.
- Interpretação de, no mínimo, 2 boletins de análise simulados, um conforme e um não conforme, com decisão fundamentada sobre o uso da água em cada caso.
- Lista de medidas preventivas, associadas aos riscos identificados no circuito.
Não-funcionais
- Linguagem técnica, clara e sem inventar valores legais que não domines com segurança.
- Documento organizado, com tabelas e esquemas onde ajudarem a leitura.
- Registo da calibração dos instrumentos usados, com data e responsável fictícios mas plausíveis.
Fases
Fase 1 · Caracterização da origem (2h) Definir o tipo de aquífero, a classificação química e pela temperatura de emergência da água das "Termas da Serra Verde", com justificação técnica.
Fase 2 · Enquadramento legal (1h) Identificar o regime jurídico do termalismo e as entidades com tutela sobre o recurso geológico e sobre a saúde pública.
Fase 3 · Mapear o circuito e os pontos críticos (2h) Desenhar (em esquema ou texto estruturado) o circuito da água, da captação ao uso final, e identificar os pontos de maior risco de perda de qualidade.
Fase 4 · Construir o plano de amostragem (3h) Definir, para cada ponto crítico, o parâmetro, a frequência e o método de recolha e conservação da amostra.
Fase 5 · Simular e interpretar boletins de análise (3h) Criar dois boletins simulados (um conforme, um não conforme) e justificar a decisão sobre o uso da água em cada caso.
Fase 6 · Medidas preventivas e registo de calibração (2h) Listar as medidas preventivas para os riscos identificados e preparar um modelo de registo de calibração dos instrumentos.
Fase 7 · Apresentação (2h) Apresentar o dossiê à turma, justificando as decisões técnicas tomadas.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Caracterização da origem e classificação da água | 15% |
| Enquadramento legal correto e completo | 10% |
| Mapa do circuito e pontos críticos bem justificados | 15% |
| Plano de amostragem completo e proporcional ao risco | 25% |
| Interpretação correta dos boletins simulados | 20% |
| Medidas preventivas e registo de calibração | 10% |
| Dossiê e apresentação | 5% |
Erros comuns
- Inventar um valor-limite legal sem ter a certeza, em vez de descrever o parâmetro sem citar um número que não se domina.
- Amostrar só a captação e esquecer os pontos de uso final, onde o risco de recontaminação é maior.
- Não justificar a classificação da água (tipo de aquífero, classe química, classe de temperatura), apresentando-a sem explicação técnica.
- Confundir a tutela da DGEG com a da DGS, ou ignorar o regime jurídico próprio do termalismo.
- Construir um plano de amostragem genérico, igual para todos os pontos, sem o ajustar ao risco de cada um.
- Declarar uma água "conforme" apesar de um parâmetro fora da referência, ignorando a regra de que basta um parâmetro não conforme para suspender o uso.
Bónus (opcional)
- Construir um gráfico simples com uma série temporal fictícia de um parâmetro (por exemplo, condutividade ao longo de 6 meses) e comentar a tendência.
- Propor um modelo de ficha de registo de calibração, pronto a imprimir.
- Pesquisar e apresentar um exemplo real de água termal portuguesa, com a sua classificação química e temperatura de emergência.
Reflexão
No dossiê final, responde: qual foi o ponto crítico que consideraste de maior risco no circuito das "Termas da Serra Verde", e porquê? E: se um dos boletins simulados desse não conforme em pleno funcionamento do balneário, que sequência de decisões tomarias, do momento em que recebes o resultado até à reabertura do ponto de uso?