Mini-Projecto · Protocolo completo de um tratamento de crenoterapia
Contexto
As Termas da Serra Alta vão receber um novo grupo de utentes num programa de reabilitação articular, com sessões de peloterapia local. A direção clínica pediu à equipa de técnicos de termalismo (a tua turma) que preparasse, para cada utente do grupo, um protocolo completo e documentado: desde o acolhimento até ao registo da sessão, incluindo o plano de resposta a eventuais ocorrências.
Trabalhas individualmente ou a pares. O produto final é um dossiê de protocolo para um utente simulado (caso fictício que constróis), pronto a apresentar à direção clínica, mais a simulação prática desse protocolo em sala de aula.
Requisitos
Funcionais
- Caso de utente simulado, com prescrição médica fictícia completa (tipo de lama, zona, temperatura, tempo, número de sessões).
- Ficha de acolhimento e dados pessoais do utente simulado.
- Checklist de preparação do espaço e do equipamento, antes da chegada do utente.
- Protocolo de instalação descrito passo a passo, com posição e resguardo adequados à zona prescrita.
- Guião de comunicação com o utente (o que dizer antes, durante e depois da sessão).
- Plano de avaliação do utente nos três momentos: antes, durante e depois.
- Plano de resposta a pelo menos uma reação adversa e a um sinal de alarme, com a sequência de ação.
- Modelo de ficha de registo da sessão, preenchido com o caso simulado.
Não-funcionais
- Linguagem clara, rigorosa e coerente com o referencial da UC.
- Documento organizado, com secções bem identificadas, fácil de seguir por outro técnico.
- Respeito pela confidencialidade: o caso é fictício, mas tratado como se fosse real (sem dados de pessoas reais).
- Coerência entre a prescrição definida e todos os passos seguintes do protocolo.
Fases
Fase 1 · Definir o caso (2h) Criar o utente simulado: idade, contexto clínico geral, prescrição médica fictícia (tipo de lama, zona, temperatura, tempo, número de sessões), sem contraindicações não resolvidas.
Fase 2 · Preparação e equipamento (2h) Elaborar a checklist de preparação do espaço e a verificação dos quatro pontos da prescrição no equipamento (tipo de lama, temperatura, tempo, zona).
Fase 3 · Acolhimento e instalação (2h) Escrever a ficha de dados pessoais do utente simulado e descrever o protocolo de instalação (posição, resguardo, conforto) adequado à zona prescrita.
Fase 4 · Comunicação (2h) Escrever o guião de comunicação: o que dizer no acolhimento, durante a aplicação e no fecho da sessão, incluindo uma versão adaptada a um utente estrangeiro.
Fase 5 · Avaliação e resposta a ocorrências (3h) Construir o plano de avaliação (antes/durante/depois) e o plano de resposta a uma reação adversa ligeira e a um sinal de alarme grave.
Fase 6 · Registo (2h) Preencher o modelo de ficha de registo da sessão com todos os dados do caso simulado, incluindo pelo menos uma ocorrência (mesmo ligeira).
Fase 7 · Simulação e apresentação (2h) Simular o protocolo completo em sala de aula (role-play com um colega como utente) e apresentar o dossiê à turma.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Caso e prescrição bem definidos e coerentes | 10% |
| Preparação do espaço e verificação do equipamento | 15% |
| Acolhimento, instalação e comunicação | 20% |
| Avaliação e resposta a ocorrências/sinais de alarme | 25% |
| Registo da sessão, completo e correto | 15% |
| Simulação prática e apresentação | 15% |
Erros comuns
- Definir uma prescrição incoerente com o resto do protocolo (ex.: zona referida no acolhimento diferente da prescrição).
- Saltar a checklist de verificação do equipamento antes da aplicação.
- Escrever um guião de comunicação demasiado técnico, difícil de perceber para um utente comum.
- Preparar um plano de avaliação só para o "durante", esquecendo o antes e o depois.
- Descrever a resposta a um sinal de alarme de forma vaga, sem sequência clara de ação.
- Entregar uma ficha de registo incompleta, sem data, hora ou parâmetros do tratamento.
- Não simular realmente o protocolo, apresentando só o documento sem o role-play.
Bónus (opcional)
- Preparar uma segunda versão do guião de comunicação, adaptada a uma criança ou a um utente idoso com défice auditivo.
- Simular um segundo caso com uma contraindicação identificada durante o acolhimento (ex.: febre não referida na prescrição), e descrever a decisão correta de não aplicar e comunicar.
- Criar uma checklist visual (cartaz ou tabela) para afixar na sala de tratamentos, com os passos essenciais de preparação e segurança.
Reflexão
No dossiê final, responde: em que momento do protocolo sentiste maior risco de errar, e que verificação concreta reduz esse risco? E porque é que "executar com autonomia" não significa "decidir os parâmetros do tratamento"?