Mini-Projecto · Simulacro de emergência no posto de trabalho
Contexto
O teu local de estágio, seja uma farmácia, um estabelecimento termal, um consultório dentário ou uma unidade de saúde, pediu-te para preparares um plano de contingência para emergências de saúde e para o testares num simulacro com os colegas. O objetivo é simples de enunciar e exigente de executar: se amanhã alguém desmaiar, engasgar-se ou entrar em paragem cardiorrespiratória no teu posto de trabalho, a equipa sabe exatamente o que fazer, sem hesitar.
Trabalhas em grupos de 3 a 4 pessoas, cada grupo escolhe um contexto de saúde diferente (farmácia, termas, consultório dentário ou unidade de saúde auxiliar), e entrega um dossiê de contingência mais uma simulação avaliada perante a turma.
Requisitos
Funcionais
- Escolha de um contexto real ou verosímil (nome do espaço, tipo de público, layout aproximado) e identificação de três riscos concretos desse local.
- Mapa dos recursos: onde fica o saco de primeiros socorros, a máscara de bolso, o DAE (se existir) e o telefone mais próximo.
- Plano de contingência escrito: quem avalia a vítima, quem liga 112, quem vai buscar material, quem recebe a equipa de emergência à entrada.
- Cenário de emergência definido pelo grupo, escolhido entre: paragem cardiorrespiratória do adulto, obstrução da via aérea, ou doença súbita (síncope, convulsão, hipoglicemia ou suspeita de AVC).
- Simulação de 5 a 8 minutos, com um colega a fazer de vítima, aplicando corretamente o algoritmo correspondente ao cenário escolhido (avaliação, chamada 112, SBV/DAE, OVA ou cuidados de doença súbita, consoante o caso).
- Chamada 112 simulada, com um elemento do grupo a fazer de operador do CODU.
Não-funcionais
- Comunicação clara durante a simulação: instruções dirigidas a pessoas concretas, não a "toda a gente".
- Controlo emocional visível: ritmo calmo, voz audível, sem gritos desorganizados.
- Sigilo: o dossiê não usa nomes reais de pessoas, apenas papéis ("vítima", "colega A", "responsável de turno").
- Dossiê organizado, com secções identificadas e linguagem técnica correta.
Fases
Fase 1 · Escolha do contexto e riscos (1h) Define o local de trabalho simulado, os três riscos concretos e os elementos do grupo por papel (quem avalia, quem liga, quem vai buscar material).
Fase 2 · Mapa de recursos e plano de contingência (1h30) Desenha (em texto ou esquema) onde fica o material de socorrismo e escreve o plano de contingência passo a passo.
Fase 3 · Escolha e preparação do cenário (1h30) Escolhe o cenário de emergência (paragem cardiorrespiratória, OVA ou doença súbita), define os papéis da simulação e ensaia o algoritmo correspondente.
Fase 4 · Ensaio da chamada 112 e da comunicação (1h) Treina a chamada 112 (com um colega a fazer de operador do CODU) e as instruções dirigidas aos restantes elementos da equipa.
Fase 5 · Simulação avaliada e apresentação (2h) Cada grupo apresenta o dossiê em 3 minutos e realiza a simulação de 5 a 8 minutos perante a turma, que observa com uma grelha de verificação simples.
Fase 6 · Reflexão final (1h) Cada grupo regista o que correu bem, o que falhou e o que mudaria, com base no que observou nas outras simulações.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Plano de contingência e mapa de recursos | 15% |
| Correção técnica do algoritmo aplicado (SBV/DAE, OVA ou doença súbita) | 30% |
| Segurança da cena e uso correto de EPI | 15% |
| Comunicação, controlo emocional e chamada 112 | 20% |
| Dossiê escrito e apresentação | 10% |
| Reflexão final | 10% |
Erros comuns
- Escolher um cenário sem definir claramente os papéis de cada elemento do grupo antes de ensaiar.
- Esquecer a segurança da cena e avançar direto para a técnica.
- Simulação tecnicamente correta mas sem comunicação clara: os colegas não sabem quem faz o quê.
- Chamada 112 incompleta, sem morada precisa ou sem manter a chamada em aberto.
- Dossiê genérico, sem riscos concretos do contexto escolhido.
- Esquecer de retomar as compressões logo após o choque do DAE, na simulação.
Bónus (opcional)
- Incluir no simulacro uma segunda vítima (por exemplo, um colega que também precisa de ajuda), obrigando o grupo a priorizar.
- Adaptar o mesmo dossiê a um cenário pediátrico, com as diferenças do SBV Pediátrico devidamente assinaladas.
- Gravar a simulação em vídeo e usar a gravação para a reflexão final, comparando o plano escrito com o que realmente aconteceu.
Reflexão
No dossiê final, responde: qual foi o momento da simulação em que a equipa hesitou mais, e o que no plano de contingência poderia ter evitado essa hesitação? E, olhando para o teu contexto de trabalho real (ou de estágio), que três alterações concretas farias hoje ao plano de contingência existente, se é que existe um?