Mini-Projeto · Guia de aconselhamento de suplementos alimentares para a farmácia
Contexto
A Farmácia Boa Saúde, uma farmácia comunitária de bairro, quer reforçar a qualidade do aconselhamento de suplementos alimentares dado pela sua equipa de apoio. Foste desafiado/a, enquanto técnico/a auxiliar em formação, a construir um dossiê de apoio ao balcão: um guia prático, organizado por categorias funcionais, com um guião de perguntas ao utente, critérios claros de encaminhamento para o farmacêutico e um modelo de registo de reações adversas.
Trabalhas individualmente ou em pequeno grupo, sempre em contexto farmacêutico, usando como referência os conhecimentos, as aptidões e os critérios de desempenho desta UC.
Requisitos
Funcionais
- Ficha de cinco categorias funcionais de suplementos (por exemplo: imunidade, cansaço e fadiga, saúde óssea, saúde digestiva, gravidez), cada uma com os grupos funcionais associados e as principais indicações, sem qualquer nome comercial.
- Guião de perguntas estruturado a colocar ao utente antes de qualquer aconselhamento.
- Tabela de critérios de encaminhamento para o farmacêutico, com pelo menos seis situações concretas.
- Modelo de registo de suspeita de reação adversa ou efeito indesejável, com todos os campos necessários.
- Três casos práticos resolvidos, cobrindo pelo menos uma interação medicamentosa bem estabelecida e uma população de risco.
Não-funcionais
- Linguagem clara, adequada a ser usada por toda a equipa da farmácia, sem jargão desnecessário.
- Rigor legal: distinção correta entre suplemento alimentar e medicamento, e entre DGAV e INFARMED.
- Nenhuma alegação de saúde inventada; apenas o que está sustentado pela evidência e pelas alegações autorizadas.
- Documento organizado, com índice e secções bem identificadas.
Fases
Fase 1 · Levantamento do referencial (2h) Rever os conhecimentos e aptidões da UC; listar as categorias funcionais e os grupos funcionais a incluir no dossiê.
Fase 2 · Fichas por categoria funcional (5h) Redigir as cinco fichas de categoria, com os grupos funcionais, a ação no organismo e os cuidados de segurança de cada um.
Fase 3 · Guião de perguntas e comunicação (3h) Construir o guião estruturado de perguntas ao utente e um conjunto de boas práticas de comunicação verbal e não verbal assertiva.
Fase 4 · Critérios de encaminhamento (3h) Elaborar a tabela de sinais de alarme, populações de risco e interações que exigem encaminhamento para o farmacêutico.
Fase 5 · Modelo de registo de reações adversas (3h) Desenhar o modelo de registo de suspeita de reação adversa ou efeito indesejável, coerente com o regime da DGAV para suplementos alimentares.
Fase 6 · Casos práticos (2h) Redigir três casos práticos resolvidos, aplicando o guião de perguntas, os critérios de encaminhamento e, quando aplicável, o registo de reação adversa.
Fase 7 · Revisão e apresentação (2h) Rever o dossiê completo e apresentá-lo à turma, explicando as decisões tomadas em cada secção.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Fichas de categorias funcionais, corretas e sem nomes comerciais | 25% |
| Guião de perguntas e boas práticas de comunicação | 15% |
| Critérios de encaminhamento para o farmacêutico | 20% |
| Modelo de registo de reações adversas | 15% |
| Casos práticos resolvidos, coerentes com a sebenta | 15% |
| Organização do dossiê e apresentação | 10% |
Erros comuns
- Incluir nomes comerciais nas fichas de categoria, em texto ou em imagem.
- Escrever alegações de saúde inventadas em vez de alegações sustentadas pela evidência.
- Confundir o regime de notificação da DGAV com o Portal RAM do INFARMED.
- Um guião de perguntas incompleto, sem a pergunta sobre medicação habitual.
- Critérios de encaminhamento vagos, sem situações concretas e verificáveis.
- Casos práticos que "resolvem tudo no balcão", sem nunca encaminhar para o farmacêutico.
Bónus (opcional)
- Acrescentar uma sexta categoria funcional, à escolha, com justificação.
- Preparar uma versão resumida do guião de perguntas em formato de cartão de bolso para a equipa.
- Propor um pequeno indicador interno (por exemplo, número de encaminhamentos por mês) para acompanhar a qualidade do aconselhamento.
Reflexão
No final do dossiê, responde: porque é que a distinção entre suplemento alimentar e medicamento condiciona tudo o resto do aconselhamento? E identifica duas situações do teu dossiê em que, mesmo com boa vontade, o técnico auxiliar não deve decidir sozinho.