Mini-Projeto · Guia de balcão para aconselhamento de MNSRM
Contexto
A Farmácia Central, uma farmácia comunitária de bairro, quer melhorar a consistência do aconselhamento de MNSRM feito pela sua equipa de Técnicos Auxiliares de Farmácia. O farmacêutico responsável pediu-te, como TAF em formação, para construíres um guia de balcão: um documento prático, para consulta rápida, que ajude qualquer colega a aplicar sempre o mesmo protocolo, saber que perguntas fazer e reconhecer os sinais de alarme, para as afeções mais comuns que aparecem ao balcão.
Trabalhas individualmente ou a pares. O resultado final é o guia escrito, mais uma simulação de atendimento apresentada à turma, aplicando o guia a um caso concreto.
Requisitos
Funcionais
- Ficha do protocolo geral: as quatro etapas do atendimento e as seis perguntas-chave de recolha de informação.
- Tabela de sinais de alarme transversais (idade, gravidez, sinais de gravidade, interações, entre outros).
- Fichas de aconselhamento para, no mínimo, 6 afeções do referencial, escolhidas de blocos diferentes (por exemplo, uma digestiva, uma respiratória, uma de dor, uma de pele), cada uma com: MNSRM habitual (em DCI), medidas não farmacológicas, e critérios específicos de referenciação.
- Guião de simulação: um caso de atendimento escrito como diálogo, aplicando o protocolo do início ao fim.
- Apresentação/simulação à turma de um dos casos, com um colega no papel de utente.
Não-funcionais
- Todos os medicamentos referidos pela DCI, nunca por nome comercial.
- Linguagem simples e direta, adequada a ser consultada em segundos, a meio de um atendimento real.
- Coerência total com os limites de atuação do TAF: nada no guia pode sugerir diagnóstico ou substituição do farmacêutico.
- Organização visual clara (tabelas, listas curtas), pensada para consulta rápida, não para leitura corrida.
Fases
Fase 1 · O protocolo geral (2h) Escrever a ficha do protocolo (quatro etapas) e a lista das seis perguntas-chave, mais a tabela de sinais de alarme transversais.
Fase 2 · Escolher e organizar as afeções (2h) Selecionar as 6 afeções, distribuídas por pelo menos 3 blocos diferentes do referencial, e organizar a estrutura de cada ficha.
Fase 3 · Escrever as fichas de aconselhamento (6h) Para cada afeção: MNSRM habitual (DCI), medidas não farmacológicas, e critérios específicos de referenciação, coerentes com a sebenta.
Fase 4 · Guião de simulação (3h) Escrever, em formato de diálogo, um atendimento completo de balcão que aplique o protocolo a uma das seis afeções escolhidas, incluindo pelo menos uma decisão (aconselhar ou referenciar) justificada.
Fase 5 · Ensaio e apresentação (3h) Ensaiar a simulação em par, com um colega no papel de utente, e apresentar à turma, explicando as escolhas feitas no guia.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Protocolo geral e sinais de alarme transversais, completos e corretos | 20% |
| Fichas de aconselhamento (6 afeções, DCI, medidas não farmacológicas, referenciação) | 35% |
| Guião de simulação, coerente com o protocolo | 20% |
| Apresentação e simulação à turma | 15% |
| Clareza, organização e rigor do documento final | 10% |
Erros comuns
- Escrever fichas de aconselhamento que soam a diagnóstico ("o utente tem candidíase") em vez de descrever critérios de decisão.
- Esquecer as medidas não farmacológicas e focar-se só no MNSRM.
- Usar nomes comerciais em vez da DCI.
- Escolher seis afeções do mesmo bloco, perdendo a diversidade pedida.
- Um guião de simulação sem nenhuma decisão explícita de aconselhar ou referenciar.
- Fichas longas de mais para uma consulta rápida ao balcão.
Bónus (opcional)
- Acrescentar uma sétima ficha para uma afeção sensível (contraceção de emergência ou hemorroidas), com atenção especial à comunicação e à privacidade.
- Traduzir uma das fichas num cartaz de bolso, formato reduzido, para testar na prática a rapidez de consulta.
- Gravar a simulação em vídeo curto para revisão em grupo.
Reflexão
No final, responde por escrito: qual das seis afeções escolhidas tem a linha mais ténue entre aconselhar e referenciar, e porquê? E identifica uma pergunta-chave que, na tua experiência ao construir o guião, mais frequentemente muda a decisão entre aconselhar e referenciar.