Mini-Projeto · Dossiê de aprovisionamento e stocks de uma farmácia
Contexto
A Farmácia da Ribeira, uma farmácia comunitária, quer organizar e documentar o seu processo de aprovisionamento, armazenagem e gestão de stocks, depois de um episódio em que um medicamento essencial esteve fora de stock durante três dias. Foste contratado/a, como técnico/a auxiliar de farmácia, para construir um dossiê de gestão de stocks que sirva de referência prática para toda a equipa.
Trabalhas individualmente ou a pares. Vais definir produtos fictícios, calcular pontos de encomenda, aplicar a classificação ABC e a regra FEFO, simular procedimentos de entrada e saída, montar um pequeno inventário e fechar com um relatório de avaliação organizacional.
Requisitos
Funcionais
- Criar uma lista de pelo menos 8 produtos fictícios (medicamentos e outros produtos de farmácia), cada um com consumo médio diário, prazo de entrega do fornecedor e stock de segurança.
- Calcular o ponto de encomenda de cada produto e classificá-los em A, B ou C pelo método ABC, justificando a classificação.
- Simular, para pelo menos 2 produtos, um cenário de dois lotes com validades diferentes e aplicar a regra FEFO, explicando qual sai primeiro.
- Documentar o procedimento de receção de uma encomenda simulada, incluindo uma guia de remessa fictícia e uma situação de discrepância (quantidade recebida diferente da faturada).
- Registar, num pequeno mapa de movimentos, exemplos de saída por venda, por quebra e por transferência, e explicar o efeito de cada uma no stock.
- Elaborar um relatório de avaliação organizacional simples, com pelo menos três indicadores (por exemplo, taxa de rutura, taxa de quebra, desvio de inventário) calculados a partir de dados fictícios de um mês.
Não-funcionais
- Linguagem rigorosa, em português europeu, sem inventar legislação, artigos ou números de decretos.
- O técnico auxiliar não decide sobre a terapêutica nem substitui o farmacêutico; o dossiê reflete apenas tarefas de aprovisionamento, logística e stocks.
- Apresentação organizada, com secções numeradas e claramente identificadas.
- Pelo menos um dos produtos fictícios deve ser termolábil, com referência à cadeia de frio.
Fases
Fase 1 · Lista de produtos e cálculo do ponto de encomenda (3h) Definir os 8 produtos fictícios, consumo médio, prazo de entrega e stock de segurança. Calcular o ponto de encomenda de cada um.
Fase 2 · Classificação ABC (2h) Classificar os 8 produtos em A, B ou C, com justificação baseada no valor e frequência de consumo estimados.
Fase 3 · FEFO e cadeia de frio (2h) Simular dois lotes com validades diferentes para 2 produtos, aplicar a FEFO, e descrever os cuidados de cadeia de frio do produto termolábil escolhido.
Fase 4 · Receção e discrepância (3h) Criar uma guia de remessa fictícia, descrever o procedimento de receção passo a passo, e simular uma discrepância com o respetivo registo.
Fase 5 · Saídas e mapa de movimentos (2h) Registar exemplos de saída por venda, quebra e transferência, explicando o efeito de cada tipo no stock informático.
Fase 6 · Relatório de avaliação organizacional (2h) Calcular os indicadores escolhidos a partir de dados fictícios de um mês e redigir um pequeno relatório com conclusões e recomendações.
Fase 7 · Dossiê final e apresentação (2h) Reunir todos os documentos num dossiê organizado, com um índice, e apresentar as decisões tomadas à turma.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Produtos, ponto de encomenda e classificação ABC corretos | 20% |
| Aplicação correta de FEFO e cuidados de cadeia de frio | 15% |
| Procedimento de receção e discrepância bem documentados | 20% |
| Registo de saídas e efeito correto no stock | 15% |
| Relatório de avaliação organizacional coerente | 20% |
| Dossiê final e apresentação | 10% |
Erros comuns
- Usar o mesmo ponto de encomenda para todos os produtos, ignorando diferenças de consumo.
- Classificar em ABC apenas pelo preço unitário, em vez do valor total movimentado.
- Aplicar FIFO em vez de FEFO num produto de farmácia, ignorando a validade.
- Registar a entrada da encomenda antes de a conferir fisicamente, sem detetar a discrepância.
- Esquecer de registar quebras e devoluções, deixando o stock informático desatualizado.
- Apresentar indicadores de um único mês sem qualquer comparação temporal.
- Sugerir, no dossiê, uma decisão terapêutica ou clínica, que não é competência do técnico auxiliar de farmácia.
Bónus (opcional)
- Simular um inventário físico cíclico apenas dos produtos de classe A, comparando com o stock informático.
- Propor uma checklist de receção própria para produtos termolábeis, com campo de registo de temperatura.
- Desenhar um pequeno gráfico (em texto ou tabela) da evolução da taxa de rutura ao longo de três meses fictícios.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que a farmácia deve seguir a regra FEFO em vez da FIFO, mesmo sendo a FIFO mais simples de aplicar? E identifica três atitudes profissionais (do referencial desta UC) que aplicaste ao longo do projeto, explicando como.