Mini-Projecto · Ficha de produtividade e custos de uma operação florestal
Contexto
A empresa "Silva & Monte, Serviços Florestais" presta serviços de abate, processamento e rechega a associações florestais e a proprietários privados. Antes de fechar uma proposta a um novo cliente, a empresa precisa de saber quanto lhe custa realmente uma hora de trabalho de cada máquina e quanto rende essa máquina em cada tipo de terreno e povoamento.
Foste contratado/a como estagiário/a técnico/a para construir a ficha de produtividade e custos de uma operação à escolha (abate e processamento mecanizado, ou rechega e extração), a partir de dados recolhidos no terreno (reais ou simulados em aula), e para apresentar uma recomendação sobre o preço a propor ao cliente.
Trabalhas individualmente ou a pares, e entregas a ficha de registo completa, os cálculos passo a passo e um pequeno relatório com a recomendação.
Requisitos
Funcionais
- Escolha e caracterização de uma operação (abate/processamento ou rechega/extração) e de uma máquina concreta (tipo, marca ou modelo fictício, capacidade).
- Identificação dos fatores de produtividade relevantes para o caso escolhido (terreno, povoamento, silvicultura, máquina, organização, produto).
- Registo de tempos de pelo menos cinco ciclos de trabalho (cronometragem, real ou simulada), com separação clara entre tempo produtivo e tempo não produtivo.
- Cálculo da produtividade (m³/h ou ton/h, conforme a operação).
- Cálculo dos encargos fixos (amortização, despesas financeiras, seguros), com dados de compra, retoma e vida útil da máquina.
- Cálculo das despesas de funcionamento, pessoal, deslocação e anexas.
- Cálculo do custo da atividade horário, diário e anual, e do custo por m³ (ou por ton).
- Comparação do resultado com um valor de referência (tabela CAOF simplificada, fornecida pelo professor, ou pesquisa própria).
Não-funcionais
- Ficha de registo organizada, com todos os campos do referencial (dias de trabalho anual, tempo de presença, trabalho produtivo, custo da atividade, produção, produtividade, custos anual/diário/horário, custo/m³).
- Cálculos apresentados passo a passo, com fórmulas explícitas, não só o resultado final.
- Relatório curto (1-2 páginas) com a recomendação de preço/hora ou de preço/m³ a propor ao cliente.
- Linguagem técnica correta e unidades sempre indicadas.
Fases
Fase 1 · Escolha da operação e caracterização (2h) Escolher a operação e a máquina; descrever o terreno, o povoamento e o tipo de silvicultura da parcela de trabalho.
Fase 2 · Registo de tempos (4h) Cronometrar (ou simular em aula) pelo menos cinco ciclos de trabalho; separar tempo produtivo de tempo não produtivo; calcular o tempo médio de ciclo.
Fase 3 · Cálculo da produtividade (3h) A partir dos tempos registados e do volume por ciclo, calcular a produtividade em m³/h ou ton/h.
Fase 4 · Encargos fixos (4h) Reunir os dados da máquina (valor de aquisição, retoma, vida útil, horas anuais) e calcular amortização, despesas financeiras e seguros, em €/h.
Fase 5 · Despesas variáveis e anexas (4h) Calcular despesas de funcionamento, pessoal e deslocação; aplicar a percentagem de despesas anexas ao subtotal; obter o custo da atividade horário.
Fase 6 · Custo por m³ e comparação (4h) Calcular custo diário, anual e por m³; comparar com um valor de referência (CAOF ou pesquisa própria) e discutir o desvio.
Fase 7 · Relatório e apresentação (4h) Redigir o relatório com a recomendação e apresentar a ficha e as conclusões à turma.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Caracterização da operação e dos fatores de produtividade | 15% |
| Registo de tempos e cálculo da produtividade | 20% |
| Cálculo dos encargos fixos | 15% |
| Cálculo das despesas variáveis, anexas e do custo da atividade | 20% |
| Custo por m³, comparação com referência e correção aritmética | 20% |
| Relatório e apresentação | 10% |
Erros comuns
- Calcular a produtividade sobre o tempo de presença, em vez de sobre o tempo produtivo.
- Esquecer o valor de retoma ao calcular a amortização.
- Dividir a amortização pelas horas de vida útil total da máquina, em vez de pelas horas de trabalho anuais.
- Aplicar as despesas anexas só sobre os encargos fixos, em vez de sobre o subtotal de todas as parcelas.
- Inverter a fórmula do custo por m³ (dividir produtividade por custo, em vez de custo por produtividade).
- Apresentar só o resultado final, sem mostrar os passos e as fórmulas usadas.
- Comparar o resultado com uma tabela de referência sem indicar de onde veio essa tabela.
Bónus (opcional)
- Repetir os cálculos para um segundo cenário (por exemplo, terreno mais declivoso ou povoamento mais denso) e comparar o efeito na produtividade e no custo/m³.
- Simular o efeito de trocar a metodologia de tempos (cronometragem vs amostragem de trabalho) no resultado final.
- Propor uma medida concreta de redução de custo ou aumento de produtividade e recalcular a ficha com essa medida aplicada.
- Relacionar o caso escolhido com um aspeto de sustentabilidade (neutralidade carbónica, digitalização ou economia circular).
Reflexão
No relatório final, responde: porque é que duas máquinas com a mesma produtividade em m³/h podem ter custos por m³ diferentes? E: que dado, entre todos os que recolheste, teria o maior impacto no custo por m³ se estivesse errado, e porquê?