Mini-Projeto · Inventário florestal de uma parcela
Contexto
A Associação Florestal do Vale Verde precisa de um levantamento rápido de uma parcela de povoamento antes de decidir se avança com um corte parcial. Foste contratado/a, como técnico/a de máquinas florestais, para efetuar o inventário florestal dessa parcela: medir árvores, amostrar o povoamento, calcular volumes e entregar um relatório com as quantidades de madeira e o peso estimado, prontos para apoiar a decisão da associação.
Trabalhas individualmente ou em equipas de dois, num povoamento real (se a escola tiver acesso a um talhão) ou num povoamento simulado em contexto de sala, com dados de campo fornecidos pelo formador. Entregas os dados recolhidos, os cálculos e um relatório final.
Requisitos
Funcionais
- Medição de, no mínimo, 15 árvores dentro de uma ou mais parcelas de amostragem (DAP com casca e sem casca, altura).
- Cálculo da densidade e do compasso médio do povoamento a partir da amostragem.
- Cálculo da área basal do povoamento, por parcela de área fixa e, se disponível o instrumento, também por relascópio, para comparação.
- Determinação da idade de pelo menos 2 árvores da amostra (por verruma de Pressler ou contagem de anéis, consoante o contexto disponível).
- Cálculo do volume de pelo menos 3 árvores por fórmula geométrica (Huber ou Smalian) e do volume de toda a amostra por tabela de volume (simples ou dupla entrada, fornecida pelo formador).
- Cálculo do volume mercantil, descontando cepo e bicada, para as árvores medidas.
- Se aplicável ao contexto (madeira já processada disponível), cálculo do volume real de uma pilha empilhada, a partir do volume aparente e do coeficiente de empilhamento.
- Conversão final para volume por hectare (m³/ha) e peso por hectare (ton/ha), usando a densidade de referência da espécie.
Não-funcionais
- Todos os dados recolhidos em ficha de campo, organizada e legível, com identificação de cada árvore e de cada parcela.
- Cálculos apresentados passo a passo, com fórmulas explícitas, não apenas o resultado final.
- Relatório final claro, dirigido a um leitor não técnico (a direção da associação), com conclusões e recomendação.
- Respeito pelas normas de segurança e saúde no trabalho durante toda a saída de campo.
Fases
Fase 1 · Planeamento (1h) Definir a área e o número de parcelas de amostragem; preparar as fichas de campo; reunir e verificar os instrumentos (suta ou fita, hipsómetro, verruma, relascópio se disponível).
Fase 2 · Medição de árvores individuais (3h) Medir DAP (com e sem casca), altura e, numa sub-amostra, a idade, de pelo menos 15 árvores, registando tudo em ficha de campo.
Fase 3 · Amostragem do povoamento (2h) Marcar e medir a ou as parcelas de área fixa; se disponível, repetir com o relascópio em pontos adicionais, para comparação dos dois métodos.
Fase 4 · Cálculo de densidade, compasso e área basal (2h) A partir dos dados de campo, calcular a densidade (árvores/ha), o compasso médio e a área basal do povoamento (m²/ha), por ambos os métodos usados.
Fase 5 · Cálculo de volumes (2h) Calcular o volume de árvores individuais por fórmula geométrica; consultar a tabela de volume fornecida para o volume das restantes árvores da amostra; calcular o volume mercantil descontando cepo e bicada.
Fase 6 · Quantificação final e relatório (2h) Converter os resultados para volume por hectare e peso por hectare; redigir o relatório final com conclusões e recomendação para a associação.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Rigor da medição de campo (DAP, altura, idade) | 20% |
| Amostragem correta (parcela e/ou relascópio) e cálculo de densidade/área basal | 20% |
| Cálculo de volumes (fórmula geométrica e tabela de volume) | 20% |
| Volume mercantil e quantificação por peso | 15% |
| Organização da ficha de campo e dos cálculos | 10% |
| Relatório final: clareza, conclusões e recomendação | 15% |
Erros comuns
- Não marcar o ponto de 1,30 m antes de medir o DAP, com medições inconsistentes entre árvores.
- Misturar diâmetros com e sem casca no mesmo cálculo de volume.
- Esquecer o fator de expansão ao passar da parcela para o hectare.
- Confundir volume aparente (estere) com volume real ao quantificar madeira empilhada.
- Aplicar uma tabela de volume ou uma densidade de madeira de espécie diferente da medida.
- Apresentar só números no relatório final, sem uma conclusão clara para quem vai decidir.
Bónus (opcional)
- Repetir a amostragem por relascópio em vários pontos e comparar estatisticamente com o resultado das parcelas de área fixa.
- Calcular o acréscimo de volume anual, comparando com uma medição anterior da mesma parcela, se existir.
- Estimar o volume e o peso de biomassa florestal (ramos e sobrantes) para além da madeira principal.
- Propor um mapa simples da parcela com a localização das árvores amostradas e das parcelas de amostragem.
Reflexão
No relatório final, responde: porque é que a amostragem (parcelas ou relascópio) é preferível a medir todas as árvores do povoamento? E que duas decisões de gestão florestal poderiam mudar, dependendo do volume por hectare que o teu inventário encontrou?