Mini-Projecto · Plano e dossiê de manutenção de um Forwarder
Contexto
A empresa florestal "Serra Alta, Exploração e Rechega, Lda." tem um Forwarder na sua frota, essencial ao ciclo de exploração das suas parcelas. A empresa quer normalizar a manutenção da máquina, hoje feita de forma pouco sistemática, e contratou-te (a ti e à tua equipa) como técnico de manutenção para construir um dossiê de manutenção completo: da ficha técnica da máquina ao plano de intervenções, passando pelo check list diário e pelo procedimento de resposta a uma avaria simulada.
Trabalhas individualmente ou em pequeno grupo, com o manual técnico de um modelo de Forwarder à tua escolha (ou fornecido pelo formador) como base, e entregas o dossiê completo mais uma demonstração prática de uma intervenção simulada.
Requisitos
Funcionais
- Ficha técnica da máquina escolhida: modelo, capacidade de carga, potência, número de bogies, alcance e capacidade da grua.
- Plano geral de manutenção, organizado por periodicidade (diária, curta, média, longa), com base no manual do modelo escolhido.
- Check list operacional diário, em formato de ficha própria, cobrindo níveis, pneus, dispositivos de segurança e teste funcional dos comandos.
- Mapa de pontos de lubrificação da máquina (grua, articulação, bogies), com o tipo de lubrificante e a periodicidade de cada ponto.
- Procedimento de segurança documentado (consignação e bloqueio de energias) para pelo menos duas intervenções diferentes.
- Simulação de diagnóstico: um cenário de avaria (fornecido pelo formador ou construído pelo grupo), com o percurso de deteção, diagnóstico e decisão (resolver no local ou reportar).
- Ficha de registo de avaria preenchida com o cenário simulado.
Não-funcionais
- Todos os valores técnicos (binários, pressões, intervalos) remetidos ao manual do fabricante, nunca inventados.
- Terminologia técnica correta e consistente em todo o dossiê.
- Documentos organizados, com identificação clara da máquina, da data e dos autores.
- Uso demonstrável de EPI adequado na parte prática da simulação.
Fases
Fase 1 · Escolha da máquina e recolha do manual (2h) Escolher o modelo de Forwarder, obter ou receber o manual técnico, e levantar a ficha técnica: capacidade, potência, bogies, alcance e capacidade da grua.
Fase 2 · Constituição e segurança (3h) Identificar e documentar os componentes mecânicos, hidráulicos e elétricos principais, os dispositivos de segurança e de proteção, e os pontos de segurança da máquina. Definir o EPI necessário para as intervenções previstas.
Fase 3 · Plano geral de manutenção (4h) Construir o plano geral de manutenção por periodicidade, a partir do manual escolhido, incluindo o mapa de pontos de lubrificação e os procedimentos de limpeza de filtros.
Fase 4 · Check list e verificações diárias (3h) Criar o check list operacional diário e testar a sua aplicação: verificação de níveis, calibragem da pressão dos pneus, inspeção visual do estado dos pneus e rodados.
Fase 5 · Procedimentos de segurança na prática (3h) Documentar e demonstrar, para duas intervenções à escolha (ex.: substituição de um filtro, lubrificação da grua), o procedimento completo de consignação e bloqueio de energias, com EPI.
Fase 6 · Simulação de avaria e registo (3h) Trabalhar o cenário de avaria simulada: observar sintomas, diagnosticar a causa provável, decidir entre resolver no local ou reportar, e preencher a ficha de registo de avaria correspondente.
Fase 7 · Apresentação do dossiê (2h) Apresentar o dossiê completo à turma, explicando as decisões tomadas em cada fase e demonstrando o check list e o procedimento de segurança escolhidos.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Ficha técnica e identificação correta da máquina | 10% |
| Constituição, segurança e EPI corretamente identificados | 20% |
| Plano geral de manutenção e pontos de lubrificação | 20% |
| Check list operacional e verificações diárias | 15% |
| Procedimentos de segurança (consignação e bloqueio) | 15% |
| Diagnóstico da avaria simulada e ficha de registo | 15% |
| Dossiê e apresentação | 5% |
Erros comuns
- Copiar valores técnicos de um manual diferente do modelo escolhido, em vez de manter a consistência com um único manual ao longo do dossiê.
- Check list genérico, sem espaço para registo de anomalias nem assinatura.
- Esquecer o procedimento de consignação e bloqueio de energias na demonstração prática, tratando-o como um detalhe teórico.
- Ficha de registo de avaria preenchida de forma vaga, sem sintoma, horímetro ou diagnóstico claros.
- Confundir manutenção preventiva (programada) com manutenção corretiva (depois da avaria) no plano geral.
- Inventar um valor de binário, pressão ou intervalo por não ter encontrado o dado no manual, em vez de assinalar "consultar manual do fabricante".
Bónus (opcional)
- Construir uma app ou folha de cálculo simples que, a partir do horímetro introduzido, indique quais as intervenções do plano geral já devidas.
- Preparar um pequeno vídeo demonstrativo do check list operacional a ser aplicado.
- Comparar o plano de manutenção de dois modelos de Forwarder de fabricantes diferentes e discutir as diferenças encontradas.
- Propor um indicador simples (ex.: número de avarias reportadas por 100 horas de trabalho) para acompanhar a fiabilidade da máquina ao longo do tempo.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que um plano de manutenção genérico, sem referência ao manual do modelo concreto, é um risco para a empresa? E que duas decisões tomadas durante o projeto mostram o equilíbrio entre autonomia técnica e prudência, isto é, entre resolver um problema no local e saber quando reportar?