Mini-Projeto · Plano e diário de manutenção de uma frota florestal
Contexto
A "Serrado Verde, Lda.", uma empresa de exploração florestal na região Centro, tem uma pequena frota de três máquinas: um harvester, uma escavadora com cabeça processadora e um feller buncher de disco. A empresa acabou de contratar-te como técnico/a de manutenção, e o encarregado pede-te um dossiê completo: um plano de manutenção, uma checklist de manutenção diária, o diagnóstico de uma avaria simulada e um registo de intervenções, prontos a usar no dia a dia das três máquinas.
Trabalhas individualmente ou a pares, sempre remetendo os valores concretos de binário, pressão e intervalo ao manual do fabricante que a empresa te fornece para cada máquina (podes assumir valores didáticos razoáveis, desde que os identifiques claramente como exemplo).
Requisitos
Funcionais
- Ficha de constituição das três máquinas: componentes elétricos, hidráulicos e mecânicos principais de cada uma.
- Plano geral de manutenção por horímetro, com pelo menos três níveis de intervenção (diária, periódica curta, periódica média ou longa), para cada uma das três máquinas.
- Cálculo do número de intervenções por ano para, pelo menos, uma das três máquinas, com os passos do cálculo explícitos.
- Checklist de manutenção diária, aplicável às três máquinas, com pelo menos 7 itens e a ação a tomar em caso de irregularidade.
- Procedimento de manutenção do órgão de corte (afiação, tensão ou substituição, consoante o órgão de cada máquina).
- Diagnóstico de uma avaria simulada (à escolha, uma por máquina ou uma comum), com os quatro passos da metodologia de deteção.
- Ficha de registo de intervenções, com os campos a preencher em cada intervenção.
- Procedimento de consignação de energias, com os cinco passos, e o EPI adequado a pelo menos duas intervenções distintas.
Não-funcionais
- Valores de binário, pressão e intervalos identificados como exemplo didático, nunca apresentados como norma oficial de um modelo real.
- Linguagem técnica correta e consistente com a sebenta e os slides da UC.
- Dossiê organizado, com tabelas legíveis e cálculos completos, não apenas o resultado final.
- Segurança presente em todas as fases que envolvam intervenção física, nunca tratada como um capítulo à parte.
Fases
Fase 1 · Constituição e sistemas (3h) Levantar e organizar a ficha de constituição das três máquinas por domínio (elétrico, hidráulico, mecânico), incluindo a grua, a cabeça e o órgão de corte de cada uma.
Fase 2 · Plano geral de manutenção (4h) Definir os níveis de intervenção por horímetro para cada máquina, e calcular o número de intervenções por ano para pelo menos uma delas, com os quatro passos do cálculo.
Fase 3 · Checklist e manutenção preventiva (3h) Construir a checklist de manutenção diária e descrever os procedimentos de lubrificação, níveis, filtros e calibragens do plano preventivo.
Fase 4 · Manutenção do órgão de corte (3h) Descrever o procedimento de afiação, tensão ou substituição do órgão de corte de cada máquina, incluindo os critérios de substituição.
Fase 5 · Diagnóstico de avaria simulada (3h) Escolher um sintoma plausível numa das três máquinas e aplicar os quatro passos da metodologia de deteção até à decisão de resolver no terreno ou encaminhar para reparação.
Fase 6 · Registo e segurança (2h) Construir a ficha de registo de intervenções e descrever o procedimento de consignação de energias e o EPI adequado às intervenções escolhidas.
Fase 7 · Apresentação (2h) Apresentar o dossiê à turma, explicando as escolhas feitas em cada fase e respondendo a perguntas sobre o diagnóstico da avaria simulada.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Ficha de constituição das três máquinas | 15% |
| Plano geral de manutenção e cálculo de intervenções | 20% |
| Checklist e manutenção preventiva | 15% |
| Manutenção do órgão de corte | 15% |
| Diagnóstico da avaria simulada | 15% |
| Registo de intervenções e segurança (consignação, EPI) | 15% |
| Dossiê e apresentação | 5% |
Erros comuns
- Copiar valores de binário ou pressão de um manual genérico e apresentá-los como se fossem normativos para qualquer máquina.
- Esquecer o arredondamento por excesso no cálculo de intervenções por horímetro.
- Descrever a checklist sem a ação de correção, deixando o "e se estiver irregular?" por responder.
- Tratar a segurança como um capítulo isolado no fim, em vez de a integrar em cada procedimento de intervenção.
- Diagnosticar a avaria saltando direto para a conclusão, sem passar pelos quatro passos (observar, situar, verificar, decidir).
- Ficha de registo sem horímetro, que é a referência de todo o plano de manutenção.
Bónus (opcional)
- Calcular também o custo comparado entre manutenção preventiva e uma paragem não planeada, como no exercício da ficha 2.
- Propor um diagrama de carga simplificado para a grua de uma das máquinas, com dois pontos alcance/capacidade.
- Desenhar um fluxograma de decisão "resolver no terreno vs encaminhar para oficina" para as avarias mais comuns da frota.
- Incluir uma checklist específica de segurança para dias de perigo de incêndio elevado a máximo.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que o horímetro, e não o calendário, é a referência correta de um plano de manutenção? E descreve uma situação concreta em que, na tua experiência ou na pesquisa feita para este projeto, saltar um passo de consignação de energias poderia ter causado um acidente.