Mini-Projeto · Plano de gestão do stock de alimentos de uma instalação equestre
Contexto
Uma escola de equitação tem 18 cavalos (10 de escola, 5 de desporto e 3 póneis) e acaba de mudar de responsável de armazém. A direção pede-te um plano de gestão do stock de alimentos: organizar o armazém, definir os registos, calcular consumos e pontos de encomenda, simular uma receção e um inventário e preparar o relatório de reposição para o superior hierárquico.
Trabalhas individualmente ou a pares. Recebes do professor uma planta do armazém com falhas propositadas, fichas em branco e os dados abaixo (valores ilustrativos). Entregas um dossiê com todas as decisões justificadas.
Plano alimentar diário (por animal)
| Grupo | Nº animais | Feno (kg) | Ração (kg) |
|---|---|---|---|
| Escola | 10 | 7 | 3 |
| Desporto | 5 | 9 | 4 |
| Póneis | 3 | 4 | 1 |
Dados de compra e de stock
- Feno em fardos de 20 kg (0,40 m × 0,35 m × 0,70 m); ração em sacos de 20 kg.
- Ração: prazo de entrega de 5 dias, 3 dias de segurança, stock máximo de 20 dias de consumo.
- Feno: prazo de entrega de 4 dias, 6 dias de segurança, stock máximo de 158 fardos.
- Dois fornecedores de ração, ambos com prazo de 5 dias: o fornecedor 1 vende sacos de 20 kg a 9,80 €, com transporte incluído; o fornecedor 2 vende sacos de 25 kg a 11,75 €, mais 15,00 € de transporte por entrega.
- Registos de uma semana de saídas de ração (kg): 55, 57, 54, 58, 56, 55 e 56.
- Receção a simular: 44 sacos de ração pedidos, 44 contados, 3 com humidade na base.
- Inventário a simular: stock inicial de 240 kg de ração, entradas de 880 kg e 16 dias de consumo; contagem física de 13 sacos de 20 kg e um saco aberto com 7 kg; ração a 0,48 €/kg.
- Armazenamento do feno: pilhas até 2 m de altura, mais 25 % de área para corredores e ventilação.
Requisitos
Funcionais
- Diagnosticar o armazém fornecido: identificar, no mínimo, 6 falhas (higiene, parâmetros, pragas, arrumação, segurança) e propor a correção de cada uma.
- Definir a organização do armazém: zonas, etiquetas de lote e data, regra de rotação FIFO ou FEFO com exemplo.
- Definir o protocolo de distribuição: medidas calibradas, refeições, registo da saída e esquema de mudança gradual de ração, caso o produto habitual falte.
- Calcular os consumos diário, semanal e mensal de feno e de ração a partir do plano alimentar.
- Calcular, para cada um dos dois alimentos, o consumo durante o prazo de entrega, o stock de segurança, o ponto de encomenda, o stock máximo e a quantidade a encomendar, com todas as fórmulas definidas.
- Preencher fichas de entrada, saída, temperatura e humidade e inventário, e calcular a diferença de inventário.
- Simular uma receção com pelo menos uma não conformidade e registar a decisão.
- Fazer a rastreabilidade de um lote suspeito (da entrada ao uso).
- Redigir o relatório ao superior com a necessidade de encomenda, a comparação de fornecedores por preço por quilo e a proposta de ação.
- Indicar a gestão de resíduos do armazém, o EPI necessário para cada tarefa e as medidas de segurança e saúde no trabalho (levantamento de sacos, risco de incêndio do feno).
Não-funcionais
- Registos legíveis, datados e identificados, com unidades sempre explícitas e vírgula decimal portuguesa.
- Referência à legislação sem números de artigos de memória, remetendo para a redação em vigor e indicando o papel da DGAV com rigor.
- Cumprimento das normas de segurança e saúde no trabalho, de bem-estar animal, ambientais, de biossegurança e da qualidade.
- Contas refeitas e verificadas; o resultado de cada cálculo tem de sair dos números dados.
Fases
Fase 1 · Diagnóstico do armazém (2h) Analisar a planta e a visita (ou fotografias) ao armazém, listar as falhas, classificar o risco e propor correções.
Fase 2 · Organização e protocolo (2h) Definir zonas, etiquetas, rotação FIFO ou FEFO, plano de limpeza, controlo de pragas, protocolo de distribuição e rotina diária, semanal e mensal.
Fase 3 · Consumos (1h) Calcular os consumos diário, semanal e mensal de feno e de ração e comparar com uma semana de registos fornecida.
Fase 4 · Stocks e encomendas (3h) Calcular consumo durante o prazo de entrega, stock de segurança, ponto de encomenda, stock máximo, quantidade a encomendar e cobertura, para feno e ração; verificar o espaço.
Fase 5 · Receção, registos e inventário (2h) Simular a receção de uma encomenda com não conformidade, preencher as fichas de entrada e de saída, fazer um inventário e calcular a diferença.
Fase 6 · Rastreabilidade e resíduos (1h) Seguir um lote suspeito, propor as ações e definir a gestão de resíduos e o EPI de cada tarefa.
Fase 7 · Relatório e apresentação (1h) Redigir o relatório ao superior, com comparação de fornecedores e proposta de ação, e apresentar o dossiê à turma.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Diagnóstico do armazém e correções propostas | 15% |
| Organização, lotes, rotação e protocolo de higiene | 15% |
| Consumos e cálculos de stock (segurança, ponto de encomenda, quantidade) | 25% |
| Receção, registos, inventário e rastreabilidade | 20% |
| Resíduos, segurança, EPI, bem-estar animal e legislação | 10% |
| Relatório ao superior e comparação de fornecedores | 10% |
| Dossiê, rigor e apresentação | 5% |
Erros comuns
- Calcular o ponto de encomenda como o dobro do consumo, ou confundir stock de segurança com consumo durante o prazo de entrega.
- Esquecer o prazo de entrega ou o espaço ao definir a quantidade a encomendar.
- Arredondar a encomenda para cima e ultrapassar o stock máximo ou a validade.
- Comparar fornecedores só pelo preço do saco, sem dividir pelo peso e somar o transporte.
- Não contar os sacos abertos no inventário.
- Misturar lotes sem identificação e perder a rastreabilidade.
- Assinar a guia sem conferir quantidade, lote, estado e rótulo.
- Atribuir à DGAV competências que não tem, ou citar números de artigos sem os confirmar.
- Esquecer o EPI e as regras de segurança nas tarefas com pó.
- Propor mudanças bruscas de alimento perante uma rutura, em vez de uma transição gradual.
Bónus (opcional)
- Construir uma folha de cálculo com alertas automáticos de ponto de encomenda e de validade.
- Desenhar a planta do armazém com os pontos de monitorização de pragas numerados.
- Calcular o custo diário de alimentação por cavalo e propor uma poupança sem prejudicar o bem-estar.
- Preparar um exercício de retirada simulada de um lote e cronometrar o tempo necessário.
Reflexão
No dossiê final, responde: qual foi a decisão do plano em que um erro de cálculo ou de registo teria o maior impacto nos cavalos, e porquê? Se o prazo de entrega do fornecedor passasse para o dobro, que valores do plano mudariam e que medidas tomarias?