Projeto · Diagnóstico e reparação de sistemas de conforto e segurança
Contexto
A oficina "Auto Rigor" recebeu três viaturas com reclamações diferentes na área do conforto e da segurança:
- Viatura A — "O ar condicionado deixou de arrefecer."
- Viatura B — "Acende a luz do airbag no painel."
- Viatura C — "A luz do ABS acende e às vezes trava estranho."
Trabalhas na oficina (individualmente ou a pares) e o teu objetivo é, para cada viatura, diagnosticar a causa com método, repará-la em segurança e provar com ensaios que ficou operacional — documentando tudo numa folha de obra. Onde não houver viatura real disponível, o professor fornece um cenário com dados de diagnóstico (DTC, pressões, medições) para trabalhares o raciocínio e o procedimento.
Requisitos
Funcionais
- Para cada viatura: verificar o estado do sistema e reproduzir a avaria.
- Ligar a máquina de diagnóstico, ler DTC e valores em direto.
- Consultar o esquema elétrico e os valores de referência do fabricante.
- Medir no ponto certo (multímetro/estação de AC conforme o caso) e comparar com a tolerância.
- Identificar a causa (não só o sintoma) e executar a reparação/substituição.
- Realizar os ensaios de funcionamento e as calibrações/adaptações exigidas.
- Preencher uma folha de obra por viatura (identificação, reclamação, diagnóstico, intervenção, peças/produtos, ensaios).
Não-funcionais
- Cumprir as normas de segurança e saúde no trabalho e usar EPI adequado a cada sistema.
- Seguir as normas técnicas do fabricante e os protocolos internos (sequência correta).
- Gerir corretamente os resíduos (gás recuperado, componentes pirotécnicos).
- Registo claro e rastreável; decisões justificadas com valores medidos.
Fases
Fase 1 · Preparação e segurança (2h) Rever os riscos de cada sistema; preparar EPI, equipamentos e ferramentas; abrir a folha de obra de cada viatura com identificação e reclamação.
Fase 2 · Diagnóstico da Viatura A — AC (3h) Reproduzir a avaria; ler DTC; ler pressões com a estação de AC; procurar fugas (UV/detetor); comparar com a tabela e identificar a causa.
Fase 3 · Diagnóstico da Viatura B — SRS (3h) Aplicar o procedimento de segurança (bateria + tempo de espera); ler DTC; consultar esquema; inspecionar conectores/fita de contacto; identificar a causa sem medir os detonadores.
Fase 4 · Diagnóstico da Viatura C — ABS/ESP (3h) Ler DTC e valores em direto (rotação por roda); verificar sensor de roda, entreferro e roda fónica; inspecionar cablagem; identificar a causa.
Fase 5 · Reparação (5h) Executar a reparação/substituição em cada viatura seguindo a norma do fabricante (AC: recuperar/vácuo/carga; SRS: reparar contacto; ABS: sensor/roda fónica). Registar peças e produtos.
Fase 6 · Ensaios e calibrações (2h) Apagar DTC, executar calibrações/adaptações necessárias, testar a função real e fazer test-drive; confirmar que nenhuma luz de aviso fica acesa.
Fase 7 · Entrega e apresentação (2h) Fechar as folhas de obra; apresentar à turma o diagnóstico, a causa e a reparação de cada viatura, justificando as decisões com os valores medidos.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Segurança, EPI e cumprimento de procedimentos | 20% |
| Método de diagnóstico (DTC + esquema + medição) | 25% |
| Reparação correta e conforme a norma | 20% |
| Ensaios e calibrações finais | 15% |
| Folha de obra e registo (rastreabilidade) | 10% |
| Apresentação e justificação das decisões | 10% |
Erros comuns
- Substituir a peça que o código nomeia sem confirmar a causa por medição.
- Mexer no SRS sem desligar a bateria e sem aguardar o tempo indicado.
- Medir os detonadores do airbag (risco de disparo).
- Libertar refrigerante em vez de o recuperar; não fazer vácuo antes de carregar.
- Ignorar o esquema e os valores de referência.
- Esquecer as calibrações/adaptações (ESP, ADAS) após a reparação.
- Não ensaiar e não registar na folha de obra.
Bónus (opcional)
- Diagnosticar uma quarta viatura de conforto elétrico (vidro/fecho central) até à causa.
- Elaborar um checklist de segurança próprio para intervenções em SRS e AC.
- Documentar a intervenção com fotografias dos pontos de medição e valores.
- Investigar um boletim técnico (TSB) real de um dos sistemas trabalhados.
Reflexão
No relatório final responde: porque é que ler um código de avaria não é o mesmo que encontrar a causa? Dá um exemplo do teu projeto em que a medição mudou a conclusão a que chegarias só pelo DTC. E indica duas regras de segurança que consideras inegociáveis nestes sistemas, justificando.