Mini-Projecto · Intervenção completa nos sistemas de segurança
Contexto
A oficina "AutoSeguro" recebe um veículo com várias queixas relacionadas com segurança: a luz do ABS acende intermitentemente, o pedal de travão está esponjoso, e o cliente informa que o carro substituiu recentemente o para-brisas noutro sítio. Além disso, o para-choques dianteiro foi reparado após um pequeno toque.
Foste designado/a para conduzir a intervenção completa: verificar o estado dos sistemas de segurança ativa e passiva, diagnosticar as avarias, planear e executar a reparação (em bancada didática/veículo-escola), e realizar os ensaios de funcionamento. Entregas o veículo pronto mais um dossiê técnico com o diagnóstico, as decisões, as calibrações e os resultados dos ensaios.
Trabalhas individualmente ou a pares, sempre sob supervisão e cumprindo os protocolos de segurança (em especial os do SRS).
Requisitos
Funcionais
- Verificação inicial do estado dos sistemas de segurança ativa e passiva (checklist).
- Leitura de DTC e análise dos dados em tempo real com o equipamento de diagnóstico.
- Diagnóstico documentado de, no mínimo, dois problemas (ex.: sensor/anel de ABS e ar no circuito de travões).
- Sangria correta do circuito de travagem e/ou substituição de líquido.
- Reparação/substituição de, pelo menos, um componente, com binário correto.
- Calibração obrigatória: sensor de ângulo de volante e calibração ADAS (câmara do para-brisas), justificadas.
- Ensaio estático (atuadores, testemunhas, sangria) e ensaio dinâmico (travagem/ABS em piso seguro).
- Registo completo da atividade numa ficha de intervenção.
Não-funcionais
- Cumprimento integral do protocolo de segurança do SRS (descarga antes de intervir).
- Uso de EPI e correta gestão de resíduos (líquido, peças).
- Todos os valores confirmados nas normas do fabricante (referência citada no dossiê).
- Dossiê claro, com fotos/esquemas e decisões justificadas.
Fases
Fase 1 · Verificação e recolha de sintomas (1,5h) Inspeção visual e checklist do estado dos sistemas (travões, ABS/ESP, SRS, ADAS). Registar sintomas do cliente e testemunhas do painel.
Fase 2 · Diagnóstico eletrónico (2h) Ler DTC, analisar o relatório e os dados em tempo real. Isolar as causas (distinguir causa de sintoma). Consultar valores de referência do fabricante.
Fase 3 · Preparação e reparação (2,5h) Preparar ferramentas e equipamentos. Sangrar/substituir líquido de travões. Substituir/reparar o(s) componente(s) com o binário correto, seguindo o protocolo (SRS descarregado quando aplicável).
Fase 4 · Calibração e adaptação (1,5h) Recalibrar o sensor de ângulo de volante e calibrar o sistema ADAS (câmara). Apagar DTC. Confirmar testemunhas apagadas.
Fase 5 · Ensaios e entrega (2,5h) Ensaio estático (atuadores, sangria) e ensaio dinâmico em piso seguro. Confirmar ausência de DTC. Preencher a ficha de intervenção e o dossiê. Gestão de resíduos.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Verificação inicial + recolha de sintomas | 10% |
| Diagnóstico eletrónico correto (DTC + dados reais) | 20% |
| Reparação/sangria com método e binário corretos | 20% |
| Calibração (ângulo de volante + ADAS) justificada | 15% |
| Cumprimento do protocolo de segurança SRS + EPI + resíduos | 15% |
| Ensaios (estático + dinâmico) e ausência de DTC | 10% |
| Dossiê e ficha de intervenção | 10% |
Erros comuns
- Intervir no SRS sem descarregar o sistema.
- Trocar o sensor de roda sem verificar anel fónico/cablagem (causa vs. sintoma).
- Entregar o carro sem calibrar o ADAS após o para-brisas.
- Sangria mal feita → pedal continua esponjoso.
- Esquecer a recalibração do ângulo de volante.
- Validar só na bancada, sem ensaio em estrada.
- Não registar valores e calibrações no dossiê.
Bónus (opcional)
- Medir o sensor de roda com osciloscópio e anexar a forma de onda ao dossiê.
- Comparar o comportamento do ESP antes/depois num piso de baixa aderência controlado.
- Elaborar uma checklist de entrega reutilizável para intervenções de segurança.
- Documentar o procedimento de gestão de resíduos de líquido de travões da oficina.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que trocar apenas o sensor de roda muitas vezes não resolve o DTC? E por que motivo a substituição de um para-brisas obriga a calibrar o ADAS, mesmo que o painel não mostre avisos?