Mini-Projecto · Do sintoma à caixa ensaiada
Contexto
A oficina "Auto Precisão" recebe um veículo ligeiro com caixa automática cuja condutora se queixa de trepidação a velocidade constante na autoestrada e, por vezes, de um solavanco na passagem para a relação seguinte a quente. A luz de anomalia da caixa acendeu uma vez e apagou. O teu papel, como técnico/a de mecatrónica automóvel, é diagnosticar, planear e documentar a reparação e definir os ensaios que a validam.
Trabalhas individualmente ou a pares. Como nem sempre há uma caixa real disponível para desmontar por completo, o projeto assenta na metodologia: recolha de sintomas, diagnóstico com equipamento (real ou simulado com dados fornecidos pelo formador), plano de reparação fundamentado no manual do fabricante, e um protocolo de ensaios. Entregas um dossiê técnico completo mais a OR (ordem de reparação) preenchida.
Se dispuseres de bancada/veículo e caixa didática, executa as fases práticas (serviço de fluido, desmontagem de valve body/embraiagem) sob supervisão; caso contrário, documenta o procedimento com base no manual e nos dados fornecidos.
Requisitos
Funcionais
- Identificação do veículo e do tipo de caixa (AT, DCT/DSG, AMT ou CVT) e justificação.
- Recolha de sintomas estruturada (quando, a que velocidade/relação, frio/quente, luz).
- Leitura de diagnóstico: lista de DTC e captura/registo de live data relevante (rotações de entrada/saída, temperatura, pressão, deslize, lock-up).
- Hipóteses de causa ordenadas (da mais provável/barata à mais invasiva) e árvore de diagnóstico para as validar.
- Plano de reparação com peças/fluidos (especificação exata), binários e sequências, e passos de reset/adaptação.
- Protocolo de ensaios com critérios de aceitação (estático, stall, pressão, estrada).
- OR preenchida e registo no sistema informático (simulado num modelo/folha).
Não-funcionais
- Todas as decisões fundamentadas no manual/ficha técnica do modelo (citar a fonte).
- Segurança (EPI, imobilização, óleo quente) e gestão de resíduos documentadas.
- Dossiê claro, organizado e com esquemas (fluxo de diagnóstico, esquema de montagem quando aplicável).
- Uso correto da terminologia técnica.
Fases
Fase 1 · Receção e sintomas (2h) Identificar veículo e caixa; entrevistar "cliente" (guião); preencher o cabeçalho da OR e a descrição do sintoma.
Fase 2 · Inspeção e fluido (2h) Verificar nível e estado do ATF/fluido (cor, cheiro), fugas e ligações. Registar. Decidir se o serviço de fluido é o primeiro passo.
Fase 3 · Diagnóstico eletrónico (3h) Ler DTC e capturar live data (reais ou fornecidos). Interpretar à luz do manual; formular e ordenar hipóteses.
Fase 4 · Testes dirigidos (3h) Planear/executar stall test, pressão de linha e prova de estrada com registo. Confirmar ou eliminar hipóteses.
Fase 5 · Plano de reparação (4h) Definir a intervenção (ex.: serviço de fluido + solenoide TCC, ou embraiagem, ou valve body): peças/fluidos, binários, sequências, vedantes novos e reset/adaptação.
Fase 6 · Protocolo de ensaios e aceitação (3h) Escrever o protocolo de ensaios com critérios de aceitação e a folha de verificação final (sem DTC ativos, sem fugas/ruídos, temperaturas normais).
Fase 7 · Dossiê, OR e apresentação (3h) Fechar o dossiê técnico e a OR; registar no sistema (modelo); apresentar o caso (5–8 min) explicando o raciocínio de diagnóstico.
Critérios de avaliação
| Critério | Ponderação |
|---|---|
| Identificação da caixa e recolha de sintomas | 10% |
| Diagnóstico eletrónico (DTC + live data bem interpretados) | 20% |
| Hipóteses ordenadas e árvore de diagnóstico | 15% |
| Plano de reparação fundamentado no manual (peças, binários, adaptação) | 20% |
| Protocolo de ensaios e critérios de aceitação | 15% |
| Segurança, EPI e gestão de resíduos | 10% |
| Dossiê/OR, terminologia e apresentação | 10% |
| Total | 100% |
Erros comuns
- Saltar para a substituição da caixa a partir de um único DTC.
- Verificar o nível do fluido a frio quando o manual exige temperatura definida.
- Não fazer reset/adaptação após a intervenção.
- Esquecer binários e vedantes novos, provocando fugas/folgas.
- Não documentar segurança nem a gestão de resíduos.
- Usar fluido genérico em vez da especificação do fabricante.
Bónus (opcional)
- Comparar o mesmo sintoma em três tipos de caixa (AT, DCT, CVT) e mostrar como o diagnóstico difere.
- Construir um fluxograma de diagnóstico reutilizável para "trepidação a velocidade constante".
- Estimar tempo e custo da reparação em dois cenários (serviço de fluido vs. reparação interna).
Reflexão
- Que hipótese descartaste com dados e porquê?
- Onde é que o manual do fabricante mudou a tua decisão?
- Se tivesses de explicar à cliente por que começaste pelo serviço de fluido, o que dirias?