Projeto · Diagnóstico e reparação de ignição/injeção a gasolina
Contexto
A oficina "MotorLab" recebe um veículo ligeiro a gasolina com queixa do cliente: "a luz do motor acende, o carro perde força e ao ralenti treme um pouco; consome mais do que o costume." És o/a técnico/a responsável e tens de diagnosticar, reparar e ensaiar o sistema de ignição/injeção, entregando um relatório de reparação que justifique cada decisão.
O projeto pode ser feito num veículo/motor de bancada da escola com uma avaria induzida pelo formador (ex.: bobina defeituosa, injetor entupido, fuga de ar simulada, sensor desligado) ou, na ausência de banca, em simulação/estudo de caso com dados fornecidos (DTC, freeze frame, live data e formas de onda). O importante é aplicar o método e documentar tudo.
Trabalhas individualmente ou a pares, com scanner OBD-II, multímetro e (se possível) osciloscópio, e entregas o veículo a funcionar mais um dossiê técnico.
Requisitos
Funcionais
- Recolha inicial: registar a queixa, ler DTC e freeze frame, capturar live data (rpm, ECT, MAF/MAP, TPS, STFT/LTFT, sonda, misfire).
- Verificação do óbvio: fusíveis, conectores, massas, fugas de ar e estado das velas.
- Hipótese e teste: formular pelo menos duas hipóteses e testar componentes com valores de referência (multímetro/osciloscópio), não por substituição às cegas.
- Reparação: substituir/reparar o(s) componente(s) e fazer adaptações/reset necessárias, com binários corretos.
- Ensaio final: confirmar contadores de misfire a 0, fuel trims em ±5%, ausência de DTC de retorno e monitores a "Ready".
- Relatório: dossiê com sintoma, medições, diagnóstico, peças e resultado do ensaio.
Não-funcionais
- Uso correto dos EPI e cumprimento das normas de segurança (combustível e alta tensão).
- Gestão de resíduos adequada (combustível/filtros/componentes).
- Medições rastreáveis: cada valor comparado com a referência do fabricante.
- Relatório claro, honesto e organizado (linguagem técnica, sem "achismos").
Fases
Fase 1 · Receção e recolha (2h) Registar a queixa. Ligar o scanner: ler e anotar DTC e freeze frame. Capturar live data em ralenti e em aceleração. Não apagar nada ainda.
Fase 2 · Verificação e hipóteses (2h) Inspeção visual (fugas de ar, conectores, massas, velas). Cruzar sintoma + código + dados e formular duas hipóteses priorizadas.
Fase 3 · Testes dirigidos (3h) Testar os componentes suspeitos com multímetro/osciloscópio e valores de referência (resistência de injetores, sinal do CKP, secundário da ignição, sonda, pressão de combustível). Confirmar ou descartar cada hipótese.
Fase 4 · Reparação (2h) Substituir/reparar o componente. Apertar aos binários. Fazer adaptações/reset. Voltar a montar com cuidado.
Fase 5 · Ensaio e relatório (3h) Apagar DTC, ensaiar (ralenti + prova). Confirmar misfire a 0, fuel trims em ±5%, sem DTC de retorno. Fechar o relatório de reparação.
Critérios de avaliação
| Critério | O que se avalia | Ponderação |
|---|---|---|
| Recolha e leitura OBD | DTC, freeze frame e live data corretamente registados | 15% |
| Método de diagnóstico | hipóteses fundamentadas e testes dirigidos (não à sorte) | 25% |
| Execução da reparação | técnica, binários, adaptações, segurança | 20% |
| Ensaio de funcionamento | prova com valores de referência e ausência de DTC | 20% |
| Segurança e ambiente | EPI, combustível/alta tensão, resíduos | 10% |
| Relatório técnico | clareza, rastreabilidade das medições, honestidade | 10% |
| Total | 100% |
Erros comuns
- Apagar os DTC logo no início, perdendo o freeze frame.
- Substituir peças à sorte sem testar com valores de referência.
- Diagnosticar só pelo código, sem confirmar se o misfire é de um ou vários cilindros.
- Confundir sintoma e causa nos fuel trims (LTFT alto é sintoma, não a avaria).
- Não ensaiar no fim nem confirmar os monitores.
- Esquecer a despressurização da rampa e a gestão de resíduos.
Bónus (opcional)
- Capturar e anexar formas de onda (injetor, CKP, secundário da ignição) ao relatório.
- Registar o caso numa ficha de avaria reutilizável (sintoma → testes → causa → solução), criando uma pequena base de conhecimento da oficina.
- Calcular o impacto no consumo/emissões antes e depois da reparação, se houver dados.
Reflexão
No fim, responde por escrito: Qual foi a hipótese que confirmaste e como a distinguiste das outras? Que medição foi decisiva? O que farias diferente para chegar ao diagnóstico mais depressa? Como garantiste que a avaria não vai voltar?