Mini-Projecto · Planear a revisão programada de um automóvel ligeiro
Contexto
A oficina "Auto Ligeiros da Praça" recebe um cliente para a revisão programada do seu automóvel ligeiro. O responsável pediu-te para planear e documentar toda a intervenção como se fosse real: partir do plano do fabricante, abrir e preencher a folha de obra, definir a check list e o tempário, registar o diagnóstico, calcular o orçamento, e deixar o circuito documental e a gestão de resíduos tratados — tudo com segurança e rigor.
Trabalhas individualmente ou a pares. O veículo pode ser real (na oficina-escola) ou um caso fornecido (ficha técnica + quilometragem). Entregas um dossiê de manutenção completo e defende-lo perante a turma.
Requisitos
Funcionais
- Identificação do veículo por matrícula e VIN, com ficha técnica (motorização, ano).
- Plano de manutenção do fabricante aplicável, com o intervalo a executar justificado (km ou tempo).
- Folha de obra (OR) preenchida com todos os elementos: cliente, veículo, km de entrada, motivo, diagnóstico, trabalho, peças, mão-de-obra, observações.
- Check list da revisão preenchida (mínimo 12 pontos), com resultado por ponto (OK / Substituir / Vigiar).
- Diagnóstico documentado: pelo menos uma anomalia detetada, com a ferramenta usada e a decisão (incluindo o procedimento de trabalho extra e autorização do cliente).
- Tempário aplicado a cada operação e orçamento (peças + mão-de-obra) com total.
- Registo final: histórico atualizado, próxima revisão (km/data) e recomendações.
- Plano de gestão de resíduos da intervenção (destino de cada resíduo).
Não-funcionais
- Uso correto do VIN e da documentação do fabricante (nada "de cabeça").
- Especificações reais: óleo (viscosidade + aprovação + quantidade) e binários relevantes.
- Referências de peças e cálculos corretos e verificáveis.
- EPI e regras de segurança identificados para as tarefas.
- Dossiê claro, organizado e com linguagem técnica rigorosa.
Fases
Fase 1 · Identificação e plano (2h) Identificar o veículo (matrícula, VIN, motorização, ano) e a quilometragem. Localizar o plano de manutenção do fabricante e justificar qual a revisão a executar (critério km/tempo).
Fase 2 · Especificações técnicas (2h) Retirar do manual: óleo (viscosidade, aprovação, quantidade), filtros do intervalo, binários do bujão e das rodas, e outras substituições previstas (ex.: líquido de travões, velas).
Fase 3 · Abrir a folha de obra (2h) Criar a OR (no sistema de gestão ou em modelo) com cabeçalho, cliente, veículo, km de entrada e motivo/pedido.
Fase 4 · Diagnóstico (3h) Executar/simular o diagnóstico: leitura OBD (DTC), inspeções e medições (pastilhas, pneus, líquido de travões, luzes). Registar as anomalias, a ferramenta usada e a decisão. Tratar o caso de trabalho extra (contacto e autorização do cliente).
Fase 5 · Check list e tempário (3h) Preencher a check list (≥ 12 pontos) com resultado por ponto. Associar o tempário a cada operação e montar o orçamento (peças + mão-de-obra + total).
Fase 6 · Registo, ambiente e segurança (2h) Fechar a OR: histórico, próxima revisão, recomendações. Definir o plano de gestão de resíduos e identificar EPI/regras de segurança das tarefas.
Fase 7 · Apresentação (2h) Defender o dossiê perante a turma, explicando as decisões: porque esta revisão, que anomalia foi detetada e como foi tratada, e como se garantiu segurança e ambiente.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Identificação (VIN) e plano justificado | 15% |
| Especificações técnicas corretas (óleo, binários, filtros) | 15% |
| Folha de obra completa e rigorosa | 20% |
| Diagnóstico documentado + tratamento do trabalho extra | 20% |
| Check list + tempário + orçamento corretos | 15% |
| Registo, ambiente/segurança | 10% |
| Dossiê e apresentação | 5% |
Erros comuns
- Escolher a revisão sem justificar o critério km/tempo.
- Não confirmar pelo VIN → óleo/peça errados.
- Folha de obra sem a quilometragem de entrada.
- Substituir as pastilhas sem autorização do cliente (trabalho extra).
- Faturar pelo tempo real em vez do tempário.
- Esquecer o reset do indicador de serviço e a calibração (TPMS).
- Não definir o destino dos resíduos.
- Cálculos de orçamento por conferir.
Bónus (opcional)
- Incluir o plano das próximas 3 revisões (o que muda em cada intervalo).
- Simular um DTC real e documentar o diagnóstico completo até à causa.
- Preparar a folha de obra no sistema informático (DMS) da escola, não só em papel.
- Comparar o tempário do fabricante com o tempo real medido e comentar.
Reflexão
No dossiê final responde: porque é que a manutenção programada usa o critério "km ou tempo, o que ocorrer primeiro"? E três razões pelas quais o registo rigoroso na folha de obra é tão importante como o trabalho mecânico em si.