Mini-Projeto · Estudo de soluções sustentáveis e informação ao cliente para uma moradia
Contexto
Uma empresa instaladora de sistemas renováveis recebeu o pedido de uma família que vive numa moradia em Torres Vedras. O casal tem um filho, a casa tem um piso, a cobertura é em telha cerâmica de duas águas (uma virada a sudeste e outra a noroeste, ambas com 30° de inclinação), existe um pátio descoberto e um quintal de 450 m² rodeado de muros, árvores e casas vizinhas. O consumo anual de eletricidade é de 6 100 kWh, com picos ao fim da tarde e à noite, e a água quente sanitária é aquecida por um termoacumulador elétrico de 200 litros. Os clientes querem baixar a fatura, perceber se vale a pena instalar painéis, um sistema solar térmico ou até uma pequena turbina no quintal, e saber que apoios existem.
És o técnico que acompanha o cliente. Tens de analisar a informação técnica, estudar as soluções, elaborar o relatório de estudo de soluções sustentáveis e esclarecer o cliente numa sessão de apresentação, alertando-o para tudo o que condiciona o funcionamento global. Trabalhas individualmente ou a pares, com a fatura de eletricidade e os dados do local fornecidos pelo professor, uma ficha técnica de módulo, de inversor e de turbina, e acesso a bases de dados de recurso solar e eólico (como o PVGIS) e aos portais oficiais da DGEG, da ADENE e do Fundo Ambiental.
Dados didáticos a usar (o professor pode substituí-los pelos da sua própria ficha técnica, e nesse caso os resultados mudam): produtividade de referência para a região, 1 450 kWh/kWp; eletricidade comprada a 0,21 €/kWh e excedente remunerado a 0,06 €/kWh; investimento no fotovoltaico, 6 000 €; no solar térmico, 2 400 €; na bomba de calor para AQS, 1 800 €. AQS: 45 L por pessoa e por dia, de 12 para 50 °C; fração solar de 65 %; bomba de calor com COP 3,2; termoacumulador com rendimento de 0,95. Fator de emissão da rede: 0,20 kg CO2/kWh (valor didático; na prática usa-se o oficial em vigor). Vento medido de 3,8 m/s a 10 m de altura, torre prevista de 18 m. Módulo de 410 Wp: Voc 37,4 V, Vmp 31,2 V, coeficiente de tensão de -0,28 %/°C. Inversor: gama MPPT de 120 a 500 V, tensão máxima de entrada de 550 V. Temperatura mínima de projeto: -2 °C. Todos os valores de preço, produtividade e apoio são valores didáticos.
Requisitos
Funcionais
- Caracterizar o consumo do cliente (anual, mensal e perfil horário) e o local (cobertura, orientação, inclinação, sombras, área útil).
- Estimar o recurso solar e o recurso eólico do local com fonte e data identificadas.
- Estudar, no mínimo, três soluções: fotovoltaica, solar térmica ou bomba de calor, e eólica (ou a justificação fundamentada de que a eólica não é viável).
- Analisar as fichas técnicas fornecidas e verificar a compatibilidade de uma fileira com o inversor, incluindo a tensão no frio e no calor.
- Calcular, para cada solução, a produção, o autoconsumo, a poupança, o retorno simples e as emissões evitadas, com pressupostos declarados.
- Apresentar o retorno com e sem apoio, sem prometer montantes, indicando onde se consulta o aviso em vigor.
- Identificar os requisitos legais aplicáveis (registo ou comunicação do autoconsumo, certificação energética, licenciamento) sem citar valores de memória.
- Elaborar um relatório de estudo de soluções sustentáveis com resumo, análise, recomendação e anexos.
- Preparar e realizar uma sessão de esclarecimento de 8 a 10 minutos, com linguagem adequada a um cliente sem formação técnica.
Não-funcionais
- Linguagem clara, com termos técnicos explicados na primeira vez e unidades sempre explícitas.
- Pressupostos e fontes sempre identificados; valores estimados apresentados como estimativas, com intervalos quando faz sentido.
- Comunicação assertiva, com escuta ativa e empatia, e postura profissional.
- Cuidado com a segurança: nenhuma subida ao telhado sem proteção coletiva ou individual contra quedas, e referência à cobertura (estado, estrutura, materiais) como condicionante.
- Rigor das contas: unidades, arredondamentos e fórmulas revistos antes de entregar.
Fases
Fase 1 · Análise do pedido, do local e do consumo (2h) Ler o pedido, a fatura e as fichas técnicas. Identificar as perguntas do cliente, os dados em falta e os pressupostos necessários. Construir a tabela de consumo mensal, estimar o perfil horário, medir a área útil, registar orientação, inclinação e sombras (com diagrama solar ou perfil de horizonte) e aplicar as curvas de penalização a cada água do telhado e, para a água a noroeste, obter o valor no PVGIS, porque a tabela não a inclui.
Fase 2 · Recurso solar e eólico (2h) Obter da base de dados a irradiação e a produtividade esperada para o local e a orientação. Obter dados de vento e estimar a velocidade à altura do cubo com a lei de potência. Calcular a potência no vento e o fator de capacidade esperado. Concluir sobre a viabilidade da eólica.
Fase 3 · Soluções e cálculos (3h) Dimensionar as soluções. Verificar a compatibilidade da fileira com o inversor (tensão no frio e no calor) e o número máximo de módulos em série. Calcular produção, autoconsumo, poupança, retorno e emissões evitadas. Comparar o termoacumulador com solar térmico e com bomba de calor.
Fase 4 · Incentivos, legislação e riscos (2h) Consultar os portais oficiais. Registar os programas de apoio potencialmente aplicáveis e as suas condições gerais, construir os cenários com e sem apoio, e listar as obrigações legais. Elaborar a lista de alertas ao cliente (sombras, cobertura, manutenção, vida útil, apagão).
Fase 5 · Relatório e sessão de esclarecimento (3h) Redigir o relatório com a estrutura de 11 secções estudada na UC, incluindo o resumo de uma página, a recomendação e os anexos. Preparar e realizar a sessão com o cliente (simulado pelo professor ou por colegas), responder a objeções e dar uma resposta a uma reclamação simulada. Entregar a reflexão final.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Análise da informação técnica e caracterização do local e do consumo | 15% |
| Recurso solar e eólico, cálculos e verificação de compatibilidade | 20% |
| Comparação das soluções, custo-benefício e impacto ambiental | 15% |
| Incentivos, enquadramento legal e alertas ao cliente | 15% |
| Relatório de estudo de soluções sustentáveis | 20% |
| Sessão de esclarecimento: comunicação verbal e não verbal assertiva | 10% |
| Rigor, organização e postura profissional | 5% |
Erros comuns
- Prometer poupanças ou apoios sem pressupostos nem o aviso em vigor.
- Calcular o retorno sem separar autoconsumo e excedente.
- Usar a potência de pico do módulo como se fosse potência média.
- Esquecer a tensão no frio e no calor na verificação da fileira.
- Propor eólica sem dados de vento à altura do cubo e sem olhar a turbulência.
- Misturar energia elétrica e energia primária sem o dizer.
- Esquecer o estado da cobertura e os condicionantes de segurança.
- Escrever um relatório com jargão e siglas por explicar.
- Citar prazos e valores legais de memória em vez de remeter para o diploma em vigor.
- Responder a uma reclamação na defensiva, em vez de ouvir e verificar os dados.
Bónus (opcional)
- Fazer uma simulação mensal da produção e do consumo e representá-la num gráfico simples para incluir no relatório.
- Estimar o efeito de uma bateria no autoconsumo e no retorno, e discutir quando faz sentido.
- Comparar a recomendação com um sistema no solo, no quintal, virado a sul, e pesar o ganho de orientação contra as sombras dos muros e das árvores.
- Preparar uma folha de uma página para o cliente com os cinco cuidados de utilização.
- Redigir o email de resumo enviado ao cliente depois da sessão.
Reflexão
No final, responde: que aspeto das tuas contas mais depende de pressupostos (e como o comunicaste ao cliente)? Em que ponto da sessão de esclarecimento sentiste maior dificuldade em ser assertivo? E se o cliente te pedisse para «arredondar» o retorno para parecer mais curto, como responderias, sem prejudicar a relação?