Mini-Projecto · Setup completo de uma peça em torno CNC
Contexto
A oficina "Metalúrgica do Vale" recebeu uma encomenda de uma pequena série de casquilhos cilíndricos com furo passante, em aço, com uma tolerância apertada num dos diâmetros exteriores (Ø25 h7) e um comprimento entre faces controlado. Foste destacado/a para preparar e executar o setup completo desta peça no torno CNC, da bancada até ao corte de teste validado, e para entregar um dossiê de setup que qualquer colega da equipa consiga seguir num turno seguinte.
Trabalhas individualmente ou a pares, com acesso ao desenho técnico da peça, ao torno CNC (ou simulador), a instrumentos de metrologia e a um jogo de mordentes moles disponível para maquinar.
Requisitos
Funcionais
- Leitura e interpretação do desenho técnico da peça, com identificação das cotas críticas e das tolerâncias.
- Escolha justificada do dispositivo de aperto, com preparação e montagem na bancada e na máquina.
- Alinhamento documentado, com valor de TIR medido e comparado com a tolerância exigida.
- Preparação, montagem e calibração de, no mínimo, duas ferramentas de corte (uma de desbaste, uma de acabamento), com medição manual ou por pré-setter.
- Configuração da tabela de ferramentas e da tabela de pontos de referência no controlador (ou no simulador).
- Obtenção, validação, marcação e memorização do zero-peça, com corrida de teste em modo bloco a bloco antes do modo automático.
- Corte de teste final, medido e comparado com a cota do desenho.
Não-funcionais
- Registo completo na ficha de fabrico: valores de ferramentas, zero-peça, data e responsável.
- Cumprimento das normas de segurança e saúde no trabalho e uso correto dos EPI ao longo de todo o setup.
- Posto de trabalho e bancada organizados durante e no fim do trabalho.
- Dossiê final claro, que outro colega consiga seguir sem perguntas adicionais.
Fases
Fase 1 · Leitura do desenho e planeamento (1h) Interpretar o desenho técnico, identificar cotas críticas e tolerâncias, e escolher o dispositivo de aperto e as ferramentas a usar, justificando cada escolha.
Fase 2 · Preparação na bancada (2h) Preparar o dispositivo de aperto (limpeza, verificação) e as ferramentas de corte (seleção, montagem da pastilha no suporte). Se aplicável, preparar mordentes moles a maquinar.
Fase 3 · Montagem e alinhamento (3h) Montar o dispositivo de aperto na máquina. Se se optar por mordentes moles, maquiná-los com a bucha fechada. Alinhar com o comparador e registar o TIR obtido.
Fase 4 · Ferramentas e configuração do controlador (2h) Montar as ferramentas na torreta, medir e ajustar (manual ou pré-setter), e configurar a tabela de ferramentas e a tabela de pontos de referência.
Fase 5 · Zero-peça e validação (2h) Obter o zero-peça, validar em modo de teste bloco a bloco, marcar e memorizar no registo de referência.
Fase 6 · Corte de teste e dossiê (2h) Executar o corte de teste, medir e comparar com o desenho, corrigir se necessário, e fechar o dossiê de setup completo.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Leitura do desenho e escolha justificada do dispositivo/ferramentas | 15% |
| Preparação e montagem do dispositivo de aperto | 15% |
| Alinhamento correto e TIR dentro da tolerância | 15% |
| Montagem, medição e configuração das ferramentas na tabela | 20% |
| Obtenção, validação, marcação e memorização do zero-peça | 20% |
| Segurança, organização e dossiê final | 15% |
Erros comuns
- Escolher o dispositivo de aperto antes de identificar a cota crítica no desenho.
- Maquinar os mordentes moles com a bucha aberta, perdendo a concentricidade pretendida.
- Corrigir o offset geométrico em vez do desgaste depois do corte de teste.
- Gravar o zero-peça no registo errado (ex.: G55 em vez de G54).
- Saltar o modo de teste antes de passar ao modo automático.
- Entregar um dossiê incompleto que obriga o próximo colega a refazer medições já feitas.
Bónus (opcional)
- Repetir o setup medindo as ferramentas por método manual (touch off) em vez de pré-setter, e comparar o tempo gasto com o do pré-setter.
- Propor uma modificação ao dispositivo de aperto que reduza o tempo de setup interno numa próxima série da mesma peça.
- Documentar o setup com fotografias comentadas de cada fase, para servir de guia visual à equipa.
Reflexão
No dossiê final, responde: que tarefas deste setup conseguirias antecipar como setup externo, numa próxima série da mesma peça? E: porque é que validar o zero-peça em modo bloco a bloco não é uma perda de tempo, mesmo quando já se confia no setup feito?