Mini-Projeto · Conjunto de acionamento de um agitador industrial
Contexto
A Metalúrgica Vale do Sousa, Lda. vai fabricar um pequeno conjunto de acionamento de um agitador para uma cuba de mistura industrial. O conjunto tem três peças: um veio agitador (torneado), uma bucha de bronze de guiamento (torneada, alojada na tampa da cuba) e uma tampa/suporte (fresada), onde a bucha é prensada.
Foste contratado/a como estagiário/a de desenho técnico para produzir o desenho de fabrico completo deste conjunto: os croquis, os três desenhos de definição com cotagem de fabrico e tolerâncias, e o desenho de conjunto com balões e lista de peças. O operador do torno e da fresadora só tem o teu desenho para trabalhar, sem mais nenhuma explicação.
Requisitos
Funcionais
- Croqui à mão livre de cada uma das três peças, com vistas normalizadas, cotas essenciais e nota de material.
- Desenho de definição de cada peça, com o número mínimo de vistas, cortes ou secções adequados à geometria.
- Cotagem de fabrico completa: referências de maquinação identificadas, cada cota indicada uma só vez, sem cotagem em cadeia nas cotas críticas.
- Toleranciamento ISO 286 em, pelo menos, dois ajustamentos: um com folga (veio agitador na bucha) e um com aperto (bucha na tampa), com os cálculos de folga/aperto máximo e mínimo refeitos e corretos.
- Acabamento superficial (Ra, ISO 1302) especificado nas superfícies funcionais, e estado das arestas definido em pelo menos duas zonas críticas.
- Desenho de conjunto com balões numerados, ligados a uma lista de peças completa (item, designação, quantidade, material, observações), e cartouche em cada folha.
Não-funcionais
- Símbolos e anotações consistentes com a norma em todas as folhas (não misturar convenções entre desenhos).
- Nenhuma cota copiada "à mão" sem verificação: todos os cálculos de tolerância refeitos e conferidos.
- Memória descritiva curta com a sequência operatória proposta para o veio.
- Referência explícita às normas de segurança aplicáveis à maquinação das três peças.
Fases
Fase 1 · Planeamento e croquis (3h) Definir as dimensões gerais das três peças e desenhar o croqui de cada uma, à mão livre, com vistas normalizadas.
Fase 2 · Vistas, cortes e secções (3h) Passar os croquis a desenho rigoroso: escolher o número mínimo de vistas por peça e o tipo de corte ou secção adequado a cada uma.
Fase 3 · Cotagem de fabrico (3h) Identificar as referências de maquinação de cada peça e cotar por operação, sem cotagem em cadeia nas cotas críticas.
Fase 4 · Toleranciamento e ajustamentos (4h) Escolher e calcular, com a tabela ISO 286, os ajustamentos do veio na bucha (folga) e da bucha na tampa (aperto). Refazer as contas em detalhe.
Fase 5 · Acabamento e simbologia (3h) Especificar o Ra nas superfícies funcionais, o estado das arestas nas zonas críticas, e as notas de tratamento e processo necessárias.
Fase 6 · Desenho de conjunto (3h) Montar o desenho de conjunto com balões, lista de peças e cartouche completo em todas as folhas.
Fase 7 · Memória descritiva e apresentação (1h) Escrever a sequência operatória do veio e apresentar o conjunto de desenhos à turma, justificando as decisões de cotagem e tolerância.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Croquis à mão livre (vistas, cotas, material) | 10% |
| Desenho de definição (vistas, cortes, secções) | 20% |
| Cotagem de fabrico (referências, sem cotagem em cadeia) | 20% |
| Toleranciamento e ajustamentos (cálculos corretos) | 20% |
| Acabamento, arestas e simbologia | 15% |
| Desenho de conjunto (balões, lista de peças, cartouche) | 10% |
| Memória descritiva e apresentação | 5% |
Erros comuns
- Escolher aperto (p6) onde a peça precisa de rodar continuamente (deveria ser folga, f7), gripando o conjunto.
- Cotar em cadeia a zona de guiamento do veio a partir da ponta errada.
- Esquecer o chanfro de entrada no furo da bucha, arriscando riscar o veio ao montar.
- Especificar Ra apertado em toda a peça "por segurança", em vez de só nas superfícies funcionais.
- Números de balão sem corresponder à lista de peças, ou lista incompleta sem material.
- Misturar sistemas de projeção (1º e 3º diedro) entre as folhas do mesmo conjunto.
Bónus (opcional)
- Propor uma variante do conjunto com um segundo casquilho de guiamento no topo do veio, e recalcular o ajustamento para um diâmetro diferente.
- Especificar um tratamento térmico (têmpera por indução) na zona de guiamento do veio e justificar a dureza escolhida.
- Desenhar a folha de instruções de fabrico (sequência operatória detalhada) para a bucha de bronze.
Reflexão
No relatório final, responde: porque é que o ajustamento do veio na bucha tem de ter folga, e o da bucha na tampa tem de ter aperto garantido, se ambos usam a mesma norma ISO 286 e o mesmo furo-base H7? E identifica duas decisões de cotagem que, se erradas, obrigariam a refazer a peça inteira em vez de só ajustar uma cota.