Mini-Projecto · Orçamento do carro de transporte de moldes
Contexto
A TransLog Automação encomendou à Metalomecânica Ferreira & Sousa, Lda. um lote de carros de transporte de moldes: um carrinho metálico com rodízios, para movimentar moldes de injeção entre a oficina de maquinação e a linha de montagem.
Foste destacado/a como técnico/a de desenho e projeto para orçamentar o carro, a partir do desenho de conjunto e da lista de peças fornecida. O gerente só decide aceitar a encomenda depois de veres o preço final por unidade e para o lote completo de 10 unidades.
Trabalhas individualmente ou a pares, com uma folha de cálculo (Bloco 16 da apresentação) onde cada parcela do custo é uma fórmula, não um valor fixo.
Requisitos
Funcionais
- Árvore de produto completa do carro, com todos os níveis e quantidades.
- Cálculo do material em bruto, massa e custo de matéria-prima dos 4 veios de rodízio (Ø20mm final, 60mm de comprimento útil).
- Cálculo da matéria-prima e do corte 2D da chapa de base (500×400mm, espessura 6mm, 4 furos Ø12mm).
- Cálculo do material de perfil e do cordão de soldadura do chassis tubular (40×40×3mm).
- Cálculo do custo hora-máquina de, pelo menos, dois equipamentos usados (torno, laser ou soldadura), com origem declarada.
- Cálculo do custo de mão-de-obra por hora de, pelo menos, um trabalhador envolvido.
- Custo de elementos normalizados (rodízios, parafusos, porcas, anilhas).
- Custo de tratamento superficial (pintura epóxi) do chassis e da chapa.
- Orçamento final por unidade e para o lote de 10, com markup de 35% sobre o custo e IVA de 23%.
Não-funcionais
- Todas as fórmulas na folha de cálculo, sem valores fixos escritos por cima de uma célula de total.
- Cada parcela do orçamento tem de bater certo com a soma das suas partes (nenhum total "arredondado" à mão).
- Nenhuma percentagem (markup, rendimento de deposição, fator de utilização) sem origem explicada no dossiê.
Fases
Fase 1 · Planeamento (3h) Ler o desenho de conjunto e a lista de peças fornecida; construir a árvore de produto do carro, separando itens fabricados de itens comprados.
Fase 2 · Material em bruto e massas (3h) Definir o material em bruto dos 4 veios (diâmetro e comprimento em bruto); calcular volumes e massas dos veios e da chapa de base.
Fase 3 · Corte 2D e otimização (4h) Calcular o perímetro de corte e o custo de corte da chapa de base; calcular o material de perfil necessário para o chassis, com otimização do corte de barras.
Fase 4 · Soldadura do chassis (3h) Calcular a área de secção, o volume, a massa de arame e o tempo do cordão de soldadura do chassis; calcular o custo total da soldadura.
Fase 5 · Custo hora-máquina e mão-de-obra (4h) Construir o custo hora-máquina do torno (ou da soldadura) e o custo de mão-de-obra do(s) trabalhador(es) envolvidos, com todas as componentes declaradas.
Fase 6 · Elementos normalizados e tratamento superficial (3h) Listar e orçamentar os elementos normalizados (rodízios, parafusos, porcas, anilhas); calcular a área e o custo do tratamento superficial.
Fase 7 · Orçamento final e apresentação (5h) Somar todas as parcelas na folha de cálculo; aplicar o markup de 35% e o IVA de 23%; calcular o preço por unidade e para o lote de 10; apresentar o dossiê à turma.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Lista de peças e árvore de produto corretas | 10% |
| Massas, volumes e custo de matéria-prima (veios e chapa) | 20% |
| Corte 2D e otimização do corte de chapa e de perfis | 20% |
| Soldadura do chassis (cordão, tempo, custo) | 15% |
| Custo hora-máquina e custo de mão-de-obra, com origem declarada | 15% |
| Elementos normalizados e tratamento superficial | 10% |
| Orçamento final (markup, IVA, folha de cálculo) e apresentação | 10% |
Erros comuns
- Orçamentar os rodízios comprados como se fossem fabricados (calcular-lhes massa e tempo de máquina).
- Esquecer o kerf ao calcular quantas barras de perfil são necessárias para o chassis.
- Confundir a área em bruto da chapa com o perímetro de corte ao escolher a fórmula certa.
- Aplicar o markup só a algumas parcelas do custo, esquecendo os elementos normalizados ou o tratamento superficial.
- Somar o IVA ao custo total, antes do markup, em vez de o acrescentar por último ao preço de venda.
- Chamar "lucro" ao valor do IVA na fatura final.
Bónus (opcional)
- Recalcular o orçamento para um lote de 50 unidades, considerando o número de chapas e de barras necessárias para todo o lote (não peça a peça).
- Propor um layout de nesting da chapa de base para vários carros numa só chapa comercial maior, e calcular o aproveitamento.
- Construir a folha de cálculo com uma célula de "quantidade" que recalcule automaticamente o orçamento para qualquer tamanho de lote.
Reflexão
No dossiê final, responde: se o preço do aço em varão subisse 20%, que parcelas do orçamento mudavam, e o preço final subia também 20%? E explica, com números do teu próprio orçamento, porque o valor do IVA que aparece na fatura final não pode ser contado como lucro da empresa.