Mini-Projecto · Conjunto de acionamento de uma corrediça de molde
Contexto
A oficina de moldes "MoldTec Ibérica, Lda." está a preparar um molde de injeção com uma corrediça lateral. Precisa do desenho de fabrico completo de duas peças e do respetivo desenho de conjunto: a placa de fixação (liga o molde à prensa, com um padrão de quatro furos de fixação) e o veio de comando (roda dentro de um casquilho guia, aciona a corrediça).
Foste destacado/a para produzir este desenho de fabrico, pronto a entregar à secção de maquinação. O trabalho não se limita a cotar: exige aplicar toleranciamento dimensional e geométrico, escolher ajustamentos, especificar acabamento de superfície e completar toda a informação auxiliar (cartouche, balões, lista de peças, anotações), sempre com segurança como parte do trabalho, não como um extra.
Trabalhas individualmente ou a pares.
Requisitos
Funcionais
- Placa de fixação: vista de frente em corte total pelo furo central, vista de topo com os quatro furos de fixação. Furo central Ø26 (cotagem à medida real, independentemente da escala usada). Face de encosto na prensa como referência A; eixo do furo central como referência B.
- Furos de fixação (Ø13 +0,2/0, quatro, em padrão retangular) com tolerância de posição Ø0,3 Ⓜ referida a A e B.
- Veio de comando: secção Ø20 k6 que monta no casquilho guia (ajustamento de transição com o furo Ø20 H7 do casquilho), com exigência de envolvente (Ⓔ) nessa secção.
- Tolerância de perpendicularidade (0,02 mm) da face do colar do veio em relação ao eixo Ø20 k6 (referência A do veio).
- Tolerância de batimento circular (0,03 mm) da face de encosto do colar, referida ao mesmo eixo.
- Acabamento de superfície: Ra especificado nas superfícies funcionais (face de encosto da placa, secção Ø20 k6 do veio); indicação de onde se usaria Rz em vez de Ra, e porquê, para uma superfície de vedação hipotética.
- Cotagem sem acumulação nas cotas críticas de montagem (usar cotagem em paralelo onde a função o exigir).
- Desenho de conjunto com a placa, o veio e o casquilho guia montados, balões numerados e lista de peças.
Não-funcionais
- Cartouche completo em cada desenho: título, escala, projeção, material, tolerância geral (ISO 2768-mK), autor e data.
- Nenhuma cota repetida; nenhuma cota cotada pela medida do papel.
- Anotações de tratamento térmico coerentes com a função de cada peça.
- Relatório curto (meia página) a justificar as escolhas de ajustamento, toleranciamento geométrico e acabamento.
Fases
Fase 1 · Vistas e referências (2h) Escolher o número mínimo de vistas e cortes de cada peça. Definir as referências A e B da placa e a referência do veio.
Fase 2 · Cotagem de fabrico (3h) Cotar cada peça a partir das referências funcionais, sem repetições, à medida real. Identificar onde a cotagem em paralelo é obrigatória.
Fase 3 · Tolerância dimensional e ajustamento (4h) Definir tolerância geral e individual. Calcular o ajustamento Ø20 H7/k6 (veio/casquilho) e a tolerância dimensional dos furos de fixação Ø13 +0,2/0.
Fase 4 · Toleranciamento geométrico (5h) Aplicar a tolerância de posição Ø0,3 Ⓜ aos quatro furos de fixação, a exigência de envolvente Ⓔ na secção Ø20 k6, e as tolerâncias de perpendicularidade e batimento do veio.
Fase 5 · Acabamento e anotações (3h) Especificar Ra por superfície funcional, justificar onde Rz seria preferível, e completar as anotações e notas de tratamento térmico.
Fase 6 · Desenho de conjunto, balões e cartouche (2h) Montar o desenho de conjunto, numerar os balões, construir a lista de peças e completar o cartouche de cada desenho.
Fase 7 · Apresentação (1h) Apresentar o conjunto à turma, explicando as escolhas de ajustamento, toleranciamento geométrico e acabamento, e as regras de segurança relevantes para a maquinação das peças.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Vistas, cortes e cotagem de fabrico corretas | 15% |
| Tolerância dimensional e ajustamento (furo normal) | 20% |
| Toleranciamento geométrico (posição, envolvente, perpendicularidade, batimento) | 25% |
| Acabamento de superfície (Ra/Rz) e anotações | 15% |
| Desenho de conjunto, balões, lista de peças e cartouche | 15% |
| Relatório e apresentação | 10% |
Erros comuns
- Cotar os furos de fixação em cadeia, acumulando tolerância numa cota que devia ser direta e crítica.
- Trocar MMC com LMC ao calcular o bónus de tolerância de posição (para um furo, o MMC é a cota mínima).
- Esquecer a exigência de envolvente (Ⓔ) numa secção de ajustamento apertado, deixando a forma sem controlo ligado ao tamanho.
- Especificar Ra apertado em superfícies sem função de contacto, encarecendo sem ganho funcional.
- Numerar balões sem corresponder à lista de peças, ou omitir a tolerância geral do cartouche.
- Ignorar as regras de segurança na apresentação, tratando-as como um comentário final em vez de parte do trabalho.
Bónus (opcional)
- Adicionar tolerância projetada (Ⓟ) a um furo roscado hipotético que recebesse um perno prisioneiro saliente.
- Calcular a acumulação de tolerâncias de uma cadeia alternativa de cotagem da placa, e comparar com a cotagem em paralelo escolhida.
- Propor uma versão do veio com batimento total, em vez de batimento circular, e justificar quando essa exigência adicional se justificaria.
Reflexão
No relatório final, responde: porque é que a tolerância dimensional, por si só, não garante que duas peças encaixem sempre? E qual das duas peças do conjunto, a placa ou o veio, exigiu mais decisões de toleranciamento geométrico, e porquê?