Mini-Projecto · Desenho de fabrico de uma bucha de macho texturizada
Contexto
A "Metalcor, Lda.", uma oficina de moldes para injeção de plástico, precisa do desenho de fabrico completo de uma bucha de macho (a peça que forma a cavidade interior de um componente de plástico com aspeto de couro). A peça já está modelada em 3D; falta produzir o desenho 2D de fabrico que vai para o retificador, o polidor e o fornecedor de texturização.
Trabalhas individualmente ou a pares. Recebes o modelo 3D e as especificações funcionais da peça (um veio de ajustamento numa extremidade, um furo de refrigeração interno, e a cavidade a texturizar) e entregas o desenho de fabrico completo mais um pequeno dossiê de decisões.
Requisitos
Funcionais
- Desenho com vistas em projeção ortogonal (primeiro diedro) suficientes para definir a peça sem ambiguidade.
- Pelo menos um corte que mostre o furo de refrigeração interno, com hachura a 45°.
- Cotagem nominal completa da peça, incluindo o veio de ajustamento.
- Cotagem de fabrico calculada para a operação de retificação do veio, com a sobre-espessura explícita.
- Toleranciamento: uma nota de tolerância geral na legenda (ISO 2768) e um ajustamento ISO (veio, letra + grau IT) na cota funcional do veio.
- Simbologia de rugosidade ISO 21920-1 correta em, no mínimo, três superfícies distintas: o veio retificado, uma face maquinada comum, e a cavidade a texturizar.
- Anotação da textura da cavidade, com norma e grau/código concretos (VDI 3400 ou Mold-Tech).
- Legenda/cartucho preenchida com todos os campos obrigatórios.
Não-funcionais
- Desenho limpo e legível, sem símbolos inventados ou fora da norma.
- Croqui prévio à mão livre, entregue junto com o desenho final em CAD.
- Justificação escrita de cada escolha de acabamento (porque retificar, porque texturizar, e não o contrário).
Fases
Fase 1 · Análise da peça (2h) Ler as especificações funcionais e a documentação técnica; identificar a função de cada superfície (ajustamento, refrigeração, aspeto) e o acabamento que cada uma exige.
Fase 2 · Croqui (2h) Esboçar à mão livre a peça, com as vistas necessárias, cotas principais e simbologia de rugosidade das superfícies críticas.
Fase 3 · Vistas, cortes e secções (3h) Passar o croqui a CAD: projeções ortogonais e o corte do furo de refrigeração.
Fase 4 · Cotagem e toleranciamento (4h) Cotagem nominal completa, cálculo da cotagem de fabrico do veio (com sobre-espessura), nota de tolerância geral e ajustamento ISO no veio.
Fase 5 · Simbologia de rugosidade e textura (4h) Aplicar os símbolos de rugosidade corretos nas três superfícies exigidas e a anotação de textura da cavidade.
Fase 6 · Legenda e revisão (3h) Preencher o cartucho, rever o desenho contra a lista de requisitos e corrigir inconsistências.
Fase 7 · Apresentação (2h) Apresentar o desenho à turma, justificando cada escolha de acabamento e simbologia.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Vistas, cortes e secções corretos | 15% |
| Cotagem nominal e de fabrico (com sobre-espessura correta) | 20% |
| Toleranciamento (geral e ajustamento ISO) | 15% |
| Simbologia de rugosidade nas três superfícies | 20% |
| Anotação de textura (norma e grau/código) | 10% |
| Legenda, croqui e dossiê de justificação | 10% |
| Apresentação | 10% |
Erros comuns
- Cotar o veio só com a cota nominal, esquecendo de calcular e anotar a cota de fabrico com a sobre-espessura.
- Trocar o símbolo com barra e com círculo entre o veio retificado e a cavidade texturizada.
- Escrever um valor de Ra na cavidade texturizada, quando ali o critério relevante é a textura, não a rugosidade.
- Misturar, no mesmo desenho, referências a ISO 1302 e a ISO 21920-1.
- Especificar a textura de forma vaga ("aspeto de couro"), sem grau ou código de uma norma concreta.
- Esquecer a nota de tolerância geral na legenda, deixando cotas sem qualquer tolerância aplicável.
- Entregar o desenho final sem o croqui prévio, saltando a etapa de análise da peça.
Bónus (opcional)
- Acrescentar uma segunda cavidade com uma textura geométrica diferente, comparando as duas anotações no mesmo desenho.
- Propor a sequência operatória completa (desbaste, tratamento térmico, retificação, polimento, texturização) numa folha de processo anexa.
- Calcular a velocidade periférica de uma mó adequada ao diâmetro do veio, justificando a escolha do abrasivo.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que a cavidade a texturizar exige um polimento mais fino do que uma superfície que não vai ser texturizada? E explica, com as tuas próprias palavras, porque não existe um fator fixo para converter Ra em Rz.