Mini-Projecto · Kit gráfico completo para uma marca real
Contexto
A "Horta da Esquina" é uma mercearia biológica de bairro que abriu há três meses. Vive de clientes que passam a pé, tem produtos frescos de produtores locais e prepara cabazes semanais por encomenda. Até agora, a comunicação resumiu-se a uma folha A4 escrita à mão colada na montra.
A gerência quer profissionalizar a imagem e dar a conhecer o cabaz semanal aos moradores num raio de 1 km. Contratou-te para conceber e produzir o kit gráfico de comunicação física da loja e para deixar tudo pronto a entrar em gráfica.
Trabalhas individualmente ou a pares, com software vetorial (Inkscape ou Illustrator), edição de imagem (GIMP, Photopea ou Photoshop) e, opcionalmente, diagramação (Scribus ou InDesign). Entregas as artes finais em PDF, os ficheiros editáveis, um mini-manual de identidade, maquetas e um dossiê com briefing, decisões e plano de avaliação.
Alternativa: podes substituir a Horta da Esquina por uma micro-empresa real da tua zona, desde que o briefing seja igualmente completo e aprovado pelo formador.
Requisitos
Funcionais
- Briefing preenchido com as 9 perguntas (empresa, objetivo, público, mensagem, ação, suporte, restrições, orçamento, prazo) e métrica de sucesso definida.
- Identidade visual: logótipo vetorial original, em versões positiva, negativa e a uma cor; paleta com códigos CMYK + RGB + HEX (e sugestão de Pantone para a cor principal); duas famílias tipográficas.
- Mini-manual de identidade (4–6 páginas): construção, área de proteção, dimensão mínima, versões, usos incorretos ilustrados, paleta e tipografia.
- Quatro suportes físicos produzidos como arte final:
- Cartaz A2 para a montra (visto a 3–5 m);
- Flyer A5 frente e verso, com cupão destacável ou QR code;
- Cartão de visita 85 × 55 mm;
- Rótulo ou etiqueta do cabaz semanal (formato à escolha, justificado).
- Maquetas: pelo menos uma física (impressa, cortada e dobrada ou aplicada) e duas digitais em contexto.
- Plano de avaliação de impacto: métrica por peça, forma de recolha, valor-alvo e critério de desvio.
- Pré-teste dos 5 segundos aplicado ao cartaz ou ao flyer, com resultados registados.
Não-funcionais
- Todas as artes finais em CMYK, com sangria de 3 mm, marcas de corte, texto na zona segura e exportadas em PDF/X-1a.
- Imagens a 300 ppi ao tamanho final; texto de corpo a K 100.
- Fontes incorporadas ou convertidas em curvas — com o ficheiro editável guardado à parte.
- Contraste de texto ≥ 4,5:1; nenhuma informação codificada apenas por cor.
- Imagens com licença verificada e registada (ou fotografia própria).
- Ficheiros organizados e versionados (
v01,v02,final), com camadas e objetos nomeados. - Coerência entre as quatro peças: mesma paleta, mesma tipografia, mesma linguagem gráfica.
Fases
Fase 1 · Briefing e estratégia (2h) Preencher o briefing das 9 perguntas. Escrever a cascata estratégia de negócio → estratégia de comunicação → objetivo do suporte → peças. Definir a métrica de sucesso de cada peça antes de desenhar seja o que for.
Fase 2 · Pesquisa e moodboard (2h) Analisar 5 a 8 referências de mercearias, marcas bio e produtores locais: o que funciona, o que não funciona. Montar um moodboard com direção cromática, tipográfica e fotográfica. Justificar as escolhas com base no público-alvo, não no gosto pessoal.
Fase 3 · Identidade visual (4h) Esboçar à mão 10 a 15 ideias de logótipo. Escolher duas e desenvolvê-las em vetor. Testar à dimensão mínima (20 mm e 8 mm). Fechar a paleta e a tipografia. Produzir as versões positiva, negativa e a uma cor.
Fase 4 · Mini-manual de identidade (2h) Documentar grelha de construção, área de proteção, dimensão mínima, versões, usos incorretos (com exemplos ilustrados) e todos os códigos de cor e tipografia.
Fase 5 · Conceção das quatro peças (5h) Desenhar cartaz, flyer, cartão e rótulo sobre uma grelha, com hierarquia clara. Aplicar a regra da distância ao cartaz. Cortar texto até ao essencial no flyer. Manter linguagem coerente entre as quatro peças.
Fase 6 · Pré-impressão e artes finais (2h) Aplicar a checklist de 10 pontos a cada peça: CMYK, 300 ppi, sangria de 3 mm, zona segura, fontes, K 100, traços ≥ 0,25 pt, revisão ortográfica por outra pessoa, marcas de corte e exportação em PDF/X-1a.
Fase 7 · Maquetas e pré-teste (2h) Imprimir provas, cortar e montar a maqueta física. Produzir duas maquetas digitais em contexto. Aplicar o teste dos 5 segundos a 5–10 pessoas do público-alvo e registar as respostas.
Fase 8 · Apresentação e plano de avaliação (1h) Apresentar o kit ao "cliente" (turma e formador) em 10 minutos, justificando cada decisão a partir do briefing. Entregar o plano de avaliação de impacto e um orçamento estimado de produção (tiragem, papel, método de impressão, acabamentos).
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Briefing, estratégia e métricas definidas antes do design | 10% |
| Identidade visual: originalidade, coerência e versões corretas | 20% |
| Qualidade do design das quatro peças (cor, tipografia, layout, hierarquia) | 25% |
| Correção técnica das artes finais (CMYK, sangria, 300 ppi, K 100, PDF/X) | 20% |
| Mini-manual de identidade e organização/versionamento dos ficheiros | 10% |
| Maquetas, pré-teste dos 5 segundos e plano de avaliação de impacto | 10% |
| Apresentação: justificação das decisões e orçamento de produção | 5% |
Erros comuns
- Começar a desenhar antes de fechar o briefing e a métrica.
- Logótipo desenhado em raster ou com detalhe que desaparece aos 8 mm.
- Quatro peças que parecem de quatro marcas diferentes — sem paleta nem tipografia comuns.
- Encher o cartaz de texto: no fim, nada é lido a 5 metros.
- Esquecer a sangria ou encostar o texto ao corte.
- Imagens tiradas do Google, sem licença registada.
- Exportar em RGB e "converter depois" — as cores mudam e a surpresa chega tarde.
- Converter o texto em curvas sem guardar o editável; depois não se corrige a gralha.
- Entregar o mini-manual sem a página de usos incorretos (é a que evita 90% dos disparates futuros).
- Apresentar dez propostas ao cliente em vez de duas ou três bem justificadas.
- Definir a métrica depois da campanha — a essa altura já não há como medir.
Bónus (opcional)
- Desenhar um desdobrável A4 em 3 partes com o calendário sazonal dos produtos.
- Criar a embalagem do cabaz (caixa em cartão kraft) com planificação, vincos e maqueta física montada.
- Produzir uma versão a uma só cor de todas as peças e comparar o orçamento com a versão 4/4.
- Acrescentar um roll-up para a feira de produtores do mercado municipal.
- Fazer o estudo de acessibilidade: verificar todos os contrastes e simular daltonismo nas quatro peças.
- Calcular a pegada ambiental da tiragem e propor uma alternativa com papel FSC e tintas vegetais.
Reflexão
No final, responde por escrito: o que muda no teu processo de trabalho pelo facto de a peça ser física e não digital? Identifica a decisão do projeto que, se estivesse errada, teria custado mais dinheiro — e explica em que fase é que ela deveria ter sido detetada. Por fim: se só pudesses manter uma das quatro peças, qual manterias, e com que argumento a defenderias perante o cliente?