Mini-Projecto · Plano de aprovisionamento e controlo de stocks
Contexto
A "ArmazémCentro Distribuição, Lda" é uma pequena distribuidora de material de escritório e papelaria, que fornece escritórios e escolas da região a partir de um armazém próprio com cerca de 40 referências em stock. Hoje as encomendas são feitas "a olho", sem qualquer indicador: há ruturas frequentes em alguns produtos e excesso de outros, parados há meses no armazém.
A gerência contratou o grupo (enquanto técnicos/as de vendas e marketing em formação) para desenhar um plano de aprovisionamento e controlo de stocks para uma amostra de 5 a 8 produtos do catálogo, que sirva de modelo para o resto do armazém.
Trabalhas em grupo, com dados reais ou realistas de consumo, custo e prazos de entrega, e entregas um dossiê com todos os cálculos e um plano de ação.
Requisitos
Funcionais
- Escolher 5 a 8 produtos representativos do catálogo (por exemplo: resmas de papel, tinteiros, canetas, dossiers, agrafadores).
- Elaborar uma ficha de stock por produto (ver o modelo preenchido na sebenta, capítulo 11): data, documento, entradas, saídas, existências, custo unitário e valor em stock, atualizados a cada movimento.
- Calcular, para cada produto, a rotação e a cobertura de stocks.
- Calcular o ponto de encomenda e o stock de segurança de cada produto, a partir de um consumo médio diário, um consumo máximo diário e um prazo de entrega definidos pelo grupo.
- Aplicar o modelo de Wilson a, pelo menos, 2 produtos, determinando a QEE, o número de encomendas por ano e o intervalo entre encomendas.
- Valorizar as saídas de, pelo menos, 1 produto pelos métodos FIFO e custo médio ponderado, com um mínimo de 3 lotes de entrada a preços diferentes.
- Realizar uma análise ABC ao conjunto de produtos escolhidos, com tabela e classificação justificada.
- Propor um plano de inventariação: frequência de contagem por classe ABC, procedimento de contagem física, documentos usados.
Não-funcionais
- Todos os cálculos verificáveis: mostrar as fórmulas e as unidades usadas, não só o resultado final.
- Consistência entre as diferentes tabelas: os mesmos produtos, os mesmos períodos, os mesmos pressupostos.
- Respeito pelas normas de segurança, qualidade e ambiente no plano de armazenagem proposto.
- Apresentação organizada, com tabelas e um resumo executivo de uma página.
Fases
Fase 1 · Levantamento (2h) Escolher a empresa/produtos (fictícios ou baseados numa loja real) e definir os dados de partida: consumo, custo de aquisição, custo de posse, custo de encomenda e prazos de entrega de cada produto.
Fase 2 · Fichas de stock (3h) Elaborar a ficha de stock de cada produto: existência inicial, entradas, saídas e existência final do período escolhido.
Fase 3 · Indicadores (3h) Calcular a rotação e a cobertura de cada produto; identificar quais têm rotação alta e quais têm rotação baixa, e o que isso implica para a gestão de cada um.
Fase 4 · Ponto de encomenda e Wilson (4h) Calcular o ponto de encomenda e o stock de segurança de todos os produtos; aplicar o modelo de Wilson a 2 produtos, com verificação do ponto ótimo.
Fase 5 · Valorização e ABC (4h) Valorizar as saídas de 1 produto por FIFO e por custo médio ponderado; realizar a análise ABC ao conjunto de produtos escolhidos.
Fase 6 · Plano de armazenagem e inventário (2h) Definir procedimentos de receção e expedição, o plano de inventariação (por produto, por valor e por dias) e as normas de segurança, EPI e ambiente aplicáveis.
Fase 7 · Apresentação (2h) Apresentar o plano à turma, defendendo as decisões tomadas e os cálculos que as sustentam.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Fichas de stock e dados corretos | 15% |
| Rotação e cobertura calculadas e interpretadas | 15% |
| Ponto de encomenda, stock de segurança e modelo de Wilson | 25% |
| Valorização FIFO e custo médio ponderado corretas | 15% |
| Análise ABC e plano de inventariação | 20% |
| Apresentação e rigor documental | 10% |
Erros comuns
- Calcular a rotação com o stock final em vez do stock médio.
- Misturar rotação em valor com rotação em quantidade no mesmo raciocínio.
- Esquecer que o stock médio entre encomendas é QEE/2, não a QEE inteira.
- Aplicar o LIFO como se fosse aceite na contabilidade oficial portuguesa.
- Inventariar todos os produtos com a mesma frequência, ignorando a classe ABC.
- Apresentar resultados sem mostrar as fórmulas nem as unidades usadas.
Bónus (opcional)
- Acrescentar um 9.º produto sazonal (por exemplo, material escolar) e propor uma política de aprovisionamento diferente para o pico de setembro.
- Comparar o custo total anual de valorização por FIFO, custo médio ponderado e LIFO para o produto escolhido, e discutir o impacto no resultado da empresa.
- Construir uma folha de cálculo simples que recalcule automaticamente a rotação, a cobertura e o ponto de encomenda quando se alteram os dados de entrada.
Reflexão
No dossiê final, responde: de todos os indicadores calculados (rotação, cobertura, ponto de encomenda, stock de segurança, QEE), qual consideras mais útil para o dia a dia de um técnico de vendas e marketing, e porquê? Com base nesse indicador, que decisão concreta tomarias hoje na "ArmazémCentro Distribuição, Lda"?