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aulify · Mini-Projecto
UC UC02724 · T. Marketing/RP, T. Vendas e Marketing
Versão · Aluno

Mini-Projecto · Plano de marketing completo para uma organização real

Do diagnóstico à implementação — auditoria do existente, análise do contexto e da concorrência, SWOT cruzada, STP, marketing mix, estratégia de desenvolvimento, plano de ação com donos e prazos, orçamento validado, plano de contingência, integração de IA e defesa perante a direção
⏱ Duração estimada: 20 horas (≈ 12 aulas) ↗ Referencial SNQ
Índice

Contexto

A Quinta do Esteiro — ou a organização real que escolheres — chegou a um ponto em que já não consegue decidir por instinto.

O caso concreto: é uma pequena produtora de vinho e azeite a 12 km do Montijo, com 8 hectares, três trabalhadores permanentes e um enoturismo que abriu há dois anos e nunca arrancou. A faturação está estagnada em torno dos 190 000 €, dos quais 71% vêm de dois distribuidores que pagam a 90 dias e apertam a margem todos os anos. As visitas ao enoturismo são cerca de 40 por ano, quase todas de conhecidos. A loja no local abre "quando alguém está" e vende 6 000 € por ano. Existe um site que ninguém atualiza desde 2024 e uma página de Instagram com 900 seguidores e três publicações nos últimos seis meses.

A gerência reúne-se há dois anos sobre o mesmo assunto e sai sempre sem decisão, porque cada pessoa argumenta com a sua intuição:

  1. Apostar no enoturismo — provas, visitas guiadas, refeições, eventos de empresa.
  2. Vender diretamente ao consumidor — loja online, clube de subscrição, mercados e feiras.
  3. Crescer no canal profissional — restaurantes, garrafeiras, hotelaria, exportação.
  4. Continuar como está e limitar-se a reduzir custos.

Existem 18 000 € para investir em marketing nos próximos 12 meses e uma pessoa (a filha dos proprietários, que entrou há um ano) com meio-tempo para executar.

A tua função é conceber o plano de marketing que sustenta esta decisão e o primeiro ano de execução — não escolher a hipótese de que gostas mais. Trabalhas individualmente ou em grupos de dois a três, e entregas um plano completo: auditoria do que existe, diagnóstico externo e interno, análise da concorrência, SWOT cruzada, fatores críticos, objetivos SMART, segmentação e posicionamento, marketing mix nos 7P, estratégia de desenvolvimento, plano de ação com donos e prazos, orçamento validado por CLV/CAC, plano de contingência com gatilhos, integração fundamentada de IA, sistema de controlo, e defesa perante a "direção" (o formador e a turma).

Alternativa: podes substituir a Quinta do Esteiro por qualquer organização real da tua zona — uma associação, uma IPSS, um comércio local, uma coletividade, uma microempresa, um profissional independente — desde que (i) tenhas acesso a alguém que te explique o contexto e te mostre números, (ii) exista uma decisão concreta de investimento ou de reorientação em aberto, e (iii) consigas observar a concorrência no terreno. Não é aceitável uma organização inventada: metade da aprendizagem está em lidar com dados incompletos, com uma decisão que interessa mesmo a alguém e com pessoas que têm opinião formada.

A pergunta que o teu plano tem de conseguir responder no fim: "E então — em que é que investimos os 18 000 €, o que muda no meu trabalho na próxima segunda-feira, e como sei daqui a três meses se está a resultar?" Um plano que apresenta análises e não responde a isto não cumpriu a sua função.

Requisitos

Funcionais

Não-funcionais

Fases

Fase 1 · Escolha da organização, briefing e auditoria (2h) Contactar a organização e reunir com quem decide. Perceber a decisão real que está em cima da mesa — não a que dizem à primeira, mas a que está por baixo. Recolher o que existe: planos anteriores (se existirem), faturação dos últimos 3 anos, base de clientes, histórico de ações de marketing e respetivos custos. Fazer a auditoria pelas 8 perguntas e escrever a conclusão, mesmo que ela seja "não existia plano". Entregar e datar antes de avançar.

Fase 2 · Análise externa e dimensionamento (2h) Esgotar as fontes secundárias. INE e PORDATA para população, rendimento e despesa; câmara e junta para fluxos, eventos e licenciamentos; Banco de Portugal para rácios setoriais; associações do setor; Google Trends para sazonalidade. Construir o PESTAL com no máximo 3 fatores por eixo, cada um com implicação. Calcular TAM, SAM e SOM com pressupostos explícitos e dois cenários. Avaliar cada fonte pelas cinco perguntas de qualidade.

Fase 3 · Análise da concorrência (2h) Identificar os quatro níveis — incluindo a substituta, que é a que quase toda a gente esquece. Avaliar as cinco forças de Porter com fundamentação, não com adjetivos. Visitar presencialmente os concorrentes com a grelha de benchmarking na mão e preencher os 8 critérios. Ler as avaliações de 1 e 2 estrelas de cada um e registar os padrões: cada reclamação repetida é um espaço que ninguém está a ocupar.

Fase 4 · Análise interna e SWOT cruzada (2h) Analisar vendas por produto, cliente, canal e mês nos últimos 3 anos. Fazer o Pareto de produtos e de clientes e calcular margem por linha. Caracterizar recursos e marca. Construir a SWOT com evidência em cada item e máximo de 5 por quadrante. Fazer os quatro cruzamentos com duas estratégias cada. Extrair os 3 a 5 FCS e traduzir cada um em KPI, meta e ação.

Fase 5 · Objetivos e estratégia STP (2h) Escrever os objetivos nos três níveis, em formato SMART, sobre o SOM. Declarar a hipótese que liga os objetivos de marketing aos comerciais. Segmentar a partir dos dados (não de intuições), calcular o valor anual e o rácio de eficiência de cada segmento, aplicar o MADAR, escolher o alvo com justificação numérica e de risco, e dizer quem fica de fora e porquê. Escrever a declaração de posicionamento e construir o mapa percetual.

Fase 6 · Marketing mix (2h30) Definir os 7P com um mínimo de 3 decisões cada, todas coerentes com o posicionamento. Calcular o preço de pelo menos um produto ou serviço com CVu, margem, verificação de mercado e de valor, e ponto crítico. Fazer a verificação de coerência: confrontar cada P com a declaração de posicionamento e identificar três decisões que seriam incoerentes, explicando porquê.

Fase 7 · Estratégia de desenvolvimento (1h30) Posicionar as linhas no ciclo de vida e na matriz BCG. Propor uma ação por quadrante de Ansoff, com custo e risco estimados. Recomendar a estratégia prioritária com justificação numérica — e explicar por que razão as outras ficam para depois. Se alguma linha for candidata a descontinuação, avaliar o efeito indireto (tráfego, imagem, competências) antes de recomendar.

Fase 8 · Plano de ação, cronograma e mapa de carga (2h) Escrever as 10+ ações com dono, datas, custo, KPI e meta. Construir o cronograma por semanas com dependências e sazonalidade. Fazer o mapa de carga por pessoa e por mês e verificar se o plano cabe. Se não couber, resolver agora — redistribuir no tempo, redistribuir entre pessoas, reduzir âmbito ou contratar apoio — e registar a decisão tomada.

Fase 9 · Orçamento e validação económica (2h) Orçamentar pelo método dos objetivos e tarefas: para cada objetivo, somar o custo das ações necessárias. Montar as 7+ rubricas com a reserva de 10–15% e distribuir por mês. Calcular CAC previsto, CLV e rácio CLV/CAC; calcular o ROI de pelo menos duas ações. Se o rácio ficar abaixo de 3, mostrar o que se altera — meta, canal, preço ou taxa de conversão.

Fase 10 · Contingência, IA, controlo, SST e qualidade (2h) Identificar os 6+ riscos com probabilidade, impacto, gatilho numérico com prazo, resposta e dono, incluindo o protocolo de crise reputacional. Avaliar as 4 aplicações de IA — aceitar, reformular, rejeitar — com o cálculo de valor e o desenho de medição com grupo de controlo da principal, mais as 6 salvaguardas. Montar o painel de 8 KPI com ritmo de acompanhamento e regra de desvio. Escrever a secção de SST e qualidade aplicada às ações concretas do plano.

Fase 11 · Documento final (1h30) Montar o plano completo. Verificar que cada análise termina numa implicação e que cada número tem origem. Escrever as limitações com honestidade — incluindo o que o plano não permite concluir. Rever a coerência de ponta a ponta: os objetivos decorrem do diagnóstico? As ações servem os objetivos? O orçamento cobre as ações? Os KPI medem os objetivos? O sumário executivo escreve-se no fim.

Fase 12 · Apresentação e defesa (0h30) Montar 14 a 20 slides. Abrir pela recomendação, não pelo método. Um slide por conclusão, com o número que a prova. Levar o plano de ação e o orçamento em tabela legível. Assumir as limitações. Terminar com a decisão pedida e o que muda na próxima segunda-feira. Preparar as quatro perguntas difíceis: "de onde vem esse número?", "e se a estimativa estiver errada?", "quem faz isto, com que tempo?" e "por que não fazemos antes o contrário?"

Critérios de avaliação

Critério O que se avalia Ponderação
Auditoria e diagnóstico externo Auditoria pelas 8 perguntas; PESTAL priorizado com implicação em cada fator; 5+ fontes avaliadas pelas 5 perguntas; TAM/SAM/SOM calculados com pressupostos e dois cenários 12%
Análise da concorrência Quatro níveis incluindo substitutos; Porter fundamentado; grelha com 8+ critérios observáveis e 4 concorrentes; leitura das avaliações negativas com padrões identificados 10%
Análise interna e SWOT cruzada Desempenho a 3 anos; Pareto de produtos e clientes; SWOT com evidência e máximo de 5 por quadrante; quatro cruzamentos com 2 estratégias cada; FCS traduzidos em KPI e ação 14%
Objetivos e STP Objetivos SMART nos três níveis, sobre o SOM, com hipótese de ligação declarada; segmentos com valor e rácio de eficiência; MADAR; alvo justificado com números e risco; quem fica de fora; posicionamento verificável com mapa percetual 14%
Marketing mix 7P com 3+ decisões cada; preço calculado com CVu, margem, ponto crítico e dupla verificação; secção de coerência com as três incoerências identificadas 12%
Estratégia de desenvolvimento Ciclo de vida e BCG aplicados; uma ação por quadrante de Ansoff com custo e risco; recomendação priorizada com justificação numérica; efeitos indiretos avaliados 8%
Plano de ação e recursos 10+ ações com dono, datas, custo, KPI e meta; cronograma com dependências e sazonalidade; mapa de carga com verificação de capacidade e decisão tomada 10%
Orçamento e validação económica Método dos objetivos e tarefas; 7+ rubricas ligadas a objetivos; reserva de 10–15% com regra; distribuição mensal; CAC, CLV, rácio e ROI de 2 ações 10%
Contingência, IA e controlo 6+ riscos com gatilho numérico e prazo, resposta e dono; protocolo de crise; 4 aplicações de IA avaliadas com uma reformulada e uma rejeitada; valor, medição com grupo de controlo e 6 salvaguardas; painel de 8 KPI com ritmo e regra de desvio 6%
Documento, SST/qualidade e defesa Sumário executivo escrito por último; 5+ limitações reais; SST e qualidade aplicadas às ações concretas; apresentação que abre pela recomendação e responde às perguntas difíceis 4%
Total 100%

Erros comuns

Erro Como se manifesta Como evitar
Diagnóstico decorativo 12 páginas de PESTAL e SWOT que não influenciam nenhuma decisão a seguir Cada linha termina em "o que isto significa para nós é…". Se não conseguires escrever a implicação, a linha sai
Objetivos que não decorrem do diagnóstico O diagnóstico aponta para retenção e os objetivos falam de notoriedade Verificação final: cada objetivo aponta para um achado do diagnóstico
"O nosso público é toda a gente" Nenhum segmento excluído Calcular o valor de cada segmento e dizer explicitamente quem fica de fora
Posicionamento com adjetivos "Qualidade, tradição e inovação" Uma ideia, verificável por terceiros, sustentável no tempo
Mix incoerente Posicionamento premium com promoções de 50% e embalagem barata Fazer a secção de verificação de coerência — e as três incoerências
Ações sem dono "A equipa vai criar a loja online" Uma pessoa, com nome, e uma data de fim
Plano que não cabe nas pessoas 340 horas de ações e 65 horas disponíveis Mapa de carga antes de fechar o plano
Orçamento redondo sem origem "Publicidade: 5 000 €" Método dos objetivos e tarefas: quantas visitas, a que CPC, para quantos clientes
Sem reserva 100% do orçamento afeto no dia 1 10–15% de reserva com regra de utilização escrita
Contingência sem número "Se a campanha correr mal, reavaliamos" Gatilho com indicador, limiar e prazo
Prometer o TAM "Vamos captar 5% de um mercado de 30 M€" Objetivos sobre o SOM, com cenário conservador
Métricas de vaidade Seguidores, gostos, alcance como objetivos Receita, margem, CAC, retenção, contactos qualificados
IA por moda Adotar uma ferramenta sem dados que a alimentem Perguntar sempre: que dados temos, que ação daí resulta, quem responde se correr mal
Copiar o concorrente "Eles fazem X, vamos fazer também" Copiar coloca-nos no terreno onde o outro é mais forte
Plano que nunca chega à equipa Documento entregue à direção e arquivado Sessão de lançamento com o que muda para cada pessoa

Bónus (opcional)

Para quem quiser ir além do exigido — cada um vale até 3 valores extra, com máximo de 5 no total:

Reflexão

Entrega, com o plano, um texto de 600 a 900 palavras que responda a:

  1. Qual foi o achado do diagnóstico que mais alterou a tua recomendação inicial? Descreve o que pensavas antes de o encontrar e o que passaste a pensar depois. Se a tua recomendação final coincide exatamente com a tua intuição do primeiro dia, é provável que o diagnóstico não tenha sido feito a sério — discute honestamente essa hipótese.

  2. Que decisão te custou mais tomar, e porquê? Tipicamente é uma exclusão: um segmento que fica de fora, uma linha de produto que não se salva, uma ação de que se gosta e que não cabe no orçamento ou nas horas. Explica o critério que usaste para decidir e o que ainda te deixa dúvidas.

  3. Onde é que o teu plano é mais frágil? Identifica os dois ou três pressupostos que sustentam a recomendação e que, se estiverem errados, a derrubam. Explica como os verificarias com custo próximo de zero antes de investir a sério.

  4. O que aprendeste sobre a distância entre analisar e decidir? Um plano de marketing obriga a passar de "isto é interessante" para "então fazemos isto, com este dinheiro, até esta data, e a responsabilidade é desta pessoa". Descreve o que essa passagem exigiu de ti que a análise sozinha não exigia.

  5. Como integraste a inteligência artificial — e o que recusaste? Justifica pelo menos uma recusa. Reflete sobre onde traçaste a linha entre o que a ferramenta faz e o que continua a ser responsabilidade humana, e por que motivo traçaste a linha aí.

  6. Se a organização te contratasse na segunda-feira para executar este plano, o que mudarias nele? Escrever um plano é diferente de o executar. Identifica o que, com o conhecimento que tens agora, já sabes que não vai funcionar como está no papel.