Mini-Projeto · Relatório económico-financeiro da Mercearia Ribeira, Lda.
Contexto
A Mercearia Ribeira, Lda., uma pequena empresa de comércio a retalho de produtos alimentares, contratou-te (a ti e ao teu grupo) para preparar o relatório económico-financeiro dos últimos dois anos, a apresentar à gerência antes da reunião de sócios. A gerência quer saber, em concreto: a empresa está financeiramente equilibrada, a rendibilidade está a melhorar, e porque é que a caixa desceu apesar de ter havido lucro.
Tens acesso aos seguintes documentos, em euros:
Balanço
| Rubrica | Ano N-1 | Ano N |
|---|---|---|
| Ativo não corrente | 120 000 | 132 000 |
| Inventários | 60 000 | 68 000 |
| Clientes | 50 000 | 58 000 |
| Estado e outros entes públicos (AC) | 3 000 | 4 000 |
| Caixa e depósitos bancários | 22 000 | 17 000 |
| Total Ativo | 255 000 | 279 000 |
| Capital social | 100 000 | 100 000 |
| Reservas | 15 000 | 20 000 |
| Resultados transitados | 10 000 | 18 000 |
| Resultado líquido do período | 15 000 | 22 000 |
| Total Capital Próprio | 140 000 | 160 000 |
| Financiamentos obtidos (não corrente) | 50 000 | 45 000 |
| Fornecedores | 40 000 | 46 000 |
| Financiamentos obtidos (corrente) | 15 000 | 16 000 |
| Estado e outros entes públicos (PC) | 6 000 | 7 000 |
| Outras contas a pagar | 4 000 | 5 000 |
Demonstração de resultados por naturezas
| Rubrica | Ano N-1 | Ano N |
|---|---|---|
| Vendas e serviços prestados | 560 000 | 610 000 |
| CMVMC | -400 000 | -430 000 |
| Fornecimentos e serviços externos | -60 000 | -64 000 |
| Gastos com pessoal | -65 000 | -70 000 |
| Outros rendimentos e ganhos | 3 000 | 4 000 |
| Outros gastos e perdas | -2 000 | -3 000 |
| Gastos de depreciação e amortização | -12 000 | -13 000 |
| Juros e rendimentos obtidos | 300 | 500 |
| Juros e gastos suportados | -4 000 | -4 500 |
| Imposto sobre o rendimento do período | -5 300 | -8 000 |
Demonstração dos fluxos de caixa (Ano N, fornecida como reconciliação indireta)
O modelo oficial da DFC no SNC é o método direto (recebimentos e pagamentos por categoria); esta reconciliação pelo método indireto é fornecida como ferramenta de análise, porque parte diretamente do resultado líquido já calculado na demonstração de resultados.
| Atividade | Valor |
|---|---|
| Fluxo das atividades operacionais | 26 000 |
| Fluxo das atividades de investimento | -25 000 |
| Fluxo das atividades de financiamento | -6 000 |
| Variação de caixa | -5 000 |
Orçamento do Ano N
| Rubrica | Orçado | Real |
|---|---|---|
| Vendas e serviços prestados | 595 000 | 610 000 |
| CMVMC | 420 000 | 430 000 |
Requisitos
Funcionais
- Verificar que o balanço equilibra (Ativo = Capital Próprio + Passivo) nos dois anos, antes de qualquer cálculo.
- Calcular o fundo de maneio líquido (pelas duas fórmulas) e os três rácios de liquidez (geral, reduzida, imediata) para os dois anos.
- Calcular a autonomia financeira e a solvabilidade para os dois anos, e classificá-las segundo as regras da sebenta.
- Calcular a cobertura do ativo não corrente para os dois anos, e confirmar se o equilíbrio financeiro a médio e longo prazo está cumprido.
- Calcular os saldos intermédios de gestão (margem bruta, EBITDA, EBIT, RAI, resultado líquido) para os dois anos, e confirmar que o resultado líquido bate com o valor do balanço.
- Calcular a rendibilidade das vendas, o ROA e o ROE para os dois anos, e decompor o ROE do Ano N na árvore de rendibilidade do capital próprio (rendibilidade das vendas × rotação do ativo × alavanca financeira).
- Calcular o cash-flow e o autofinanciamento do Ano N, sabendo que a variação de reservas e resultados transitados entre os dois anos permite calcular os dividendos distribuídos.
- Interpretar a demonstração dos fluxos de caixa fornecida, explicando a variação de caixa entre os dois anos.
- Calcular os desvios orçamentais de vendas e CMVMC e classificá-los como favoráveis ou desfavoráveis.
- Redigir o relatório económico-financeiro completo, com sumário executivo, análise por bloco, comparação orçamental e conclusões.
Não-funcionais
- Todos os cálculos apresentados com a fórmula, os valores substituídos e o resultado, nunca só o número final.
- Tabelas com os dois anos lado a lado, com variação absoluta e percentual, sempre que fizer sentido.
- Linguagem técnica correta (rácio, resultado líquido, saldo intermédio de gestão) e sem conclusões que os números não sustentem.
- Entrega em dois ficheiros: a folha de cálculo com todos os cálculos, e o relatório em texto corrido, pronto a apresentar à gerência.
Fases
Fase 1 · Preparação e verificação dos documentos (2h) Organizar os três documentos numa única folha de cálculo; verificar que o balanço equilibra nos dois anos; calcular as variações absolutas e percentuais das principais rubricas do balanço.
Fase 2 · Fundo de maneio e liquidez (2h) Calcular o fundo de maneio pelas duas fórmulas e os três rácios de liquidez para os dois anos; classificar cada um segundo as regras da sebenta.
Fase 3 · Autonomia financeira, solvabilidade e equilíbrio a médio-longo prazo (2h) Calcular os dois rácios de estrutura de capital para os dois anos; calcular também a cobertura do ativo não corrente (Capitais permanentes sobre Ativo não corrente) e confirmar se o equilíbrio financeiro a médio e longo prazo está cumprido; classificar tudo e comparar a evolução com a da liquidez.
Fase 4 · Saldos intermédios de gestão (3h) Construir a demonstração de resultados com todos os saldos intermédios para os dois anos; confirmar o cruzamento do resultado líquido com o balanço.
Fase 5 · Rendibilidade e árvore do capital próprio (2h) Calcular a rendibilidade das vendas, o ROA e o ROE para os dois anos; decompor o ROE do Ano N na árvore de rendibilidade e identificar o fator que mais contribuiu para a sua evolução.
Fase 6 · Cash-flow, autofinanciamento e leitura da DFC (2h) Calcular o cash-flow e o autofinanciamento do Ano N (deduzindo os dividendos distribuídos a partir da variação de reservas e resultados transitados); interpretar a demonstração dos fluxos de caixa fornecida.
Fase 7 · Orçamento, desvios e relatório final (3h) Calcular e classificar os desvios orçamentais; redigir e rever o relatório económico-financeiro completo; preparar a apresentação à gerência.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Verificação do equilíbrio do balanço e organização dos dados | 10% |
| Fundo de maneio e rácios de liquidez | 15% |
| Autonomia financeira, solvabilidade e equilíbrio a médio-longo prazo | 10% |
| Saldos intermédios de gestão | 15% |
| Rendibilidade e árvore do capital próprio | 15% |
| Cash-flow, autofinanciamento e leitura da DFC | 15% |
| Desvios orçamentais e relatório final | 20% |
Erros comuns
- Avançar para os rácios sem confirmar primeiro que o balanço equilibra nos dois anos.
- Calcular a liquidez reduzida sem subtrair os inventários ao ativo corrente.
- Confundir o aumento líquido de um ativo fixo no balanço com o valor da sua compra (falta somar a depreciação do período).
- Concluir que a queda da caixa é um problema sem verificar as causas na demonstração dos fluxos de caixa.
- Multiplicar os três fatores da árvore de rendibilidade e não confirmar que o produto bate com o ROE calculado diretamente.
- Classificar um desvio como favorável só porque é positivo, sem verificar se a rubrica é um rendimento ou um gasto.
- Apresentar números sem fórmula nem unidade, dificultando a verificação por outra pessoa.
Bónus (opcional)
- Construir a demonstração dos fluxos de caixa do Ano N a partir do zero (não usar a fornecida), reconciliando as variações de inventários, clientes, fornecedores e dos ativos fixos, e confirmar que bate com a variação de caixa fornecida.
- Elaborar um orçamento de tesouraria mensal simplificado para o ano seguinte, com base na tendência de vendas dos dois anos.
- Construir um gráfico de evolução dos rácios de liquidez e de rendibilidade dos dois anos, para incluir no relatório.
Reflexão
No fecho do relatório, responde: porque é que a Mercearia Ribeira, Lda. pode estar financeiramente mais sólida (autonomia financeira e solvabilidade a melhorar) e, ao mesmo tempo, com menos caixa disponível de imediato? E qual das três atividades da demonstração dos fluxos de caixa (operacional, investimento ou financiamento) explica a maior parte dessa diferença?