Mini-Projecto · Controlar os stocks de uma loja
Contexto
A "Casa & Ferramenta", uma ferragem e loja de bricolage com armazém próprio, contratou-te para pôr ordem no controlo de stocks. A loja tem um sistema informático de gestão de stocks, mas os relatórios não são analisados com regularidade, o armazém está organizado sem critério de rotação, e ninguém sabe ao certo qual é a quebra real do último ano.
Trabalhas individualmente ou em pequeno grupo, com um conjunto de dados fornecido pelo professor (lista de artigos com quantidades e valores, movimentos de entrada e saída, e um resultado de inventário físico), e entregas um dossiê de controlo de stocks completo, com os cálculos, as conclusões e um plano de ação.
Requisitos
Funcionais
- Análise ABC de, no mínimo, 8 artigos, com tabela de percentagem acumulada e classificação.
- Cálculo de rotação e cobertura de pelo menos 3 artigos representativos (um de cada classe ABC).
- Cálculo do ponto de encomenda de pelo menos 2 artigos classe A.
- Orçamento previsional de custos de transporte de uma expedição típica dos artigos escolhidos, com custo fixo, custo variável por escalão de peso taxável e custo por unidade transportada.
- Valorização de um artigo com movimentos de entrada a preços diferentes, pelos dois métodos: FIFO e custo médio ponderado.
- Apuramento de diferenças de inventário a partir da contagem física fornecida, com separação entre quebra conhecida e desconhecida.
- Cálculo da percentagem de quebra sobre as vendas anuais.
- Plano de redução de quebra, com pelo menos 3 medidas concretas e uma meta numérica.
- Proposta de reorganização do armazém (slotting) com base na classificação ABC.
Não-funcionais
- Todos os cálculos apresentados com a fórmula, os valores substituídos e o resultado (não só o número final).
- Tabelas legíveis, com unidades e euros sempre identificados.
- Linguagem técnica correta e consistente com o referencial da UC.
- Dossiê organizado por secções, fácil de seguir por alguém que não acompanhou o trabalho.
Fases
Fase 1 · Levantamento dos dados (2h) Analisar o conjunto de dados fornecido: lista de artigos, valores anuais, movimentos de stock e resultado da contagem física. Identificar que artigos servem para cada cálculo pedido.
Fase 2 · Análise ABC (3h) Ordenar os artigos por valor decrescente, calcular a percentagem acumulada e classificar em A, B e C, com o corte de 80%/95%. Construir a tabela final.
Fase 3 · Indicadores de gestão de stocks e custos de transporte (4h) Calcular rotação, cobertura, ponto de encomenda e o orçamento previsional de custos de transporte de uma expedição dos artigos selecionados. Interpretar os resultados: que artigos merecem mais atenção e porquê.
Fase 4 · Valorização de stocks (3h) Calcular o valor das saídas e do stock final de um artigo pelos dois métodos (FIFO e custo médio ponderado), com verificação de que ambos batem no valor total disponível.
Fase 5 · Inventário e quebras (4h) Comparar o stock do sistema com a contagem física, calcular a quebra total, separar quebra conhecida de desconhecida, e calcular a percentagem de quebra sobre as vendas.
Fase 6 · Plano de ação (2h) Propor o plano de redução de quebra e a reorganização do armazém por classe ABC, com justificação ligada aos resultados calculados.
Fase 7 · Apresentação (2h) Apresentar o dossiê à turma, explicando as decisões e respondendo a perguntas sobre os cálculos.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Análise ABC correta e bem justificada | 15% |
| Indicadores (rotação, cobertura, ponto de encomenda) corretos | 20% |
| Valorização de stocks (FIFO e CMP) correta e verificada | 15% |
| Orçamento de custos de transporte correto (peso taxável e escalões) | 10% |
| Inventário e quebras corretamente apurados | 20% |
| Plano de ação e reorganização coerentes com os dados | 10% |
| Dossiê e apresentação | 10% |
Erros comuns
- Classificar em ABC pelo número de artigos e não pela percentagem acumulada de valor.
- Calcular a rotação com o stock final em vez do stock médio.
- Esquecer o stock de segurança no cálculo do ponto de encomenda.
- Orçamentar o transporte só pelo peso real, ignorando o peso volumétrico quando a mercadoria é leve mas volumosa.
- Misturar as unidades de FIFO e CMP a meio do cálculo, sem verificar se saídas + stock final batem com o valor total.
- Tratar toda a diferença de inventário como quebra desconhecida, sem descontar a quebra já conhecida.
- Aceitar uma sobra de inventário como lucro sem investigar possível erro de registo.
- Propor um plano de ação genérico ("ter mais cuidado"), sem medidas concretas nem meta numérica.
Bónus (opcional)
- Calcular também o custo total de stocks (encomenda + posse) de um dos artigos classe A.
- Simular o impacto de dobrar a frequência de encomendas sobre o custo de encomenda e o custo de posse.
- Propor um indicador de acompanhamento mensal da quebra, com um gráfico simples da evolução ao longo do ano.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que o corte da análise ABC é sempre pela percentagem acumulada de valor, e nunca pelo número de artigos? E: de todas as medidas de prevenção de quebra que propuseste, qual esperas que tenha maior impacto na loja "Casa & Ferramenta", e porquê?